Espaço de defesa de vários interesses do autor do blogue: Porto, FC Porto, Grande Porto, Região Norte de Portugal e denúncias constantes de um tema que afecta gravemente o país a todos os níveis, o eterno “centralismo da capital do Império”… Todos os "copy-paste" que aqui fizer reflectem as opiniões que tenho sobre os variados assuntos e quaisquer contribuições serão bem-vindas. Criticas, reclamações e insultos também são permitidos, desde que escritos em caracteres chineses...
segunda-feira, 28 de abril de 2008
triporto: Tristes figuras ou figuras tristes...
Já não bastava as politicas centralistas que prejudicam o resto do país a favor da região mais rica, vulgo lisboa, ainda temos que aturar as conferências de imprensa destes tristes nas apresentações dos megalómanos projectos da capital do Império como se estivessem a falar de umas quaisquer obras que beneficiassem os restantes portugueses!!!
Irrita-me profundamente aquele tom de bairrismo com que explicam as profundas alterações e vantagens com que os lisboetas (quem mais?)se irão deparar...Mas o que mais impressiona é o conhecimento de causa que têm dos projectos e o orgulho desmedido com que falam neles...
Sinceramente já estou por tudo...esta gente perdeu a vergonha na cara e gozam o resto país com uma cara de pau sem memória!
Resta-me lutar com os parcos meios que disponho actualmente (este é um deles) e continuar a fazer ver aos mais distraídos as injustiças de que o resto do país é alvo em detrimento da capital...
Temos que convencer o resto país que isto não é uma luta futebolistica mas sim uma luta por melhores condições de vida, por mais retorno financeiro para as nossas industrias e consequentemente para aqueles que subsistem delas, ou seja aqueles que trabalham nelas, há que explicar ás pessoas que com mais dinheiro há mais qualidade de vida,etc, etc, etc...são argumentos que parecem banais mas que aos poucos começam a marcar e a fazer sentido...
Estas "máfias do centralismo" como já alguém as apelidou e muito bem têm que ser banidas dê por onde der!!!
Há que convencer as pessoas que estamos a ser prejudicados. Ponto final.Seja por que meios for!
Se ainda existe alguém que não faz a mínima do que estou a falar leiam os blogues colocados aqui ao lado ou pesquisem pelas noticias das ultimas semanas relacionadas com a frente ribeirinha de lisboa, com os 80 e tal milhões da gare do oriente em lisboa; dos 400 milhões da zona de alcantara ou até com o apoio do governo, que é pago por todos os portugueses, à remodelação da praceta principal lá da capital do Império...Isto para não falar em pontes, aeroportos, etc...
Sempre os mesmos a "mamar da teta" do governo também já chateia...
quinta-feira, 24 de abril de 2008
triporto: No poupar é que está o ganho...

Convém não esquecer que do Porto a Vigo são 150 km, isto sem contar que não se paga tanto de portagens nem de combustível, temos possibilidade de abastecer o nosso deposito com menos euros; temos possibilidade de usufruir das belas paisagens da Galiza e mais importante do que isso não investimos um tostão em mais um evento, que claro, neste país só se poderia realizar na nossa muy querida capitalzinha...aliás, enquanto não levaram a exposição da Exponor para lisboa não andaram descansados...admitia-se lá que uma exposição de automóveis tivesse a sua realização em Matosinhos...nem pensar nisso...(sim..para aqueles que não se lembram este evento realizava-se na Exponor)...
Posto isto e para os interessados deixo mais alguns endereços relativos a esta magnifica exposição automóvel:
http://www.ifevi.com/index.php?id_noticia=65
http://www.racingshowcaixanova.com/
http://www.eventosmotor.com/index.php
sexta-feira, 11 de abril de 2008
triporto: Carolina ao volante...perigo constante...

...e depois de reproduzir a notícia que saiu no JN colocarei um copy-paste de alguns dos comentários feitos por alguns utilizadores no fórum O Portal dos Dragões os quais me elucidaram sobre o que de facto pode ter sucedido naquela fatídica noite...
Já agora, será que alguém me poderia indicar a percentagem dos meus imposto que servem para pagar "os agentes do Corpo de Protecção Policial da PSP que a acompanham habitualmente" ???!!!
Carolina Salgado sofre despiste aparatoso na ponte da Arrábida
Uma mancha de óleo e a chuva que caiu na madruga de ontem podem ter estado na origem do despiste que Carolina Salgado sofreu, na ponte da Arrábida, no Porto, e que a levou a embater nos rails de separação das vias, após vários piões. O acidente ocorreu perto da uma e meia da manhã.
A principal testemunha do processo "Apito Dourado" vinha de Braga, onde tinha estado a jantar com os seus advogados. Atrás do jipe BMW X5, cinzento, de Carolina vinham, num outro veículo, os agentes do Corpo de Protecção Policial da PSP que a acompanham habitualmente. Aliás, foram eles que evitaram mais acidentes no local.
Por se queixar de dores cervicais, Carolina foi conduzida ao hospital Santos Silva, em Vila Nova de Gaia. Ali, foi submetida a vários exames e só teve alta já de manhã. O pai, Joaquim Salgado, foi o único familiar a acompanhar a situação.
A PSP esteve no local e a ex- -companheira de Pinto da Costa foi submetida ao teste de alcoolemia, mas nada acusou.
O JN tentou falar com Carolina Salgado. Numa primeira tentativa, pediu para ligarmos mais tarde, mas depois manteve o telemóvel desligado.
Agora os comentários que retirei do Portal dos Dragões:
Não caiu ao Douro a v*c*.
Era uma manchete linda. - "Carolina engolida pelo Douro"
Se calhar ia a prestar serviços ao condutor. É pena, desperdiçou-se algum tempo dos paramédicos para nada.
Viu que o ENVELOPE estava vazio, passou-se!
PORTO SEMPRE!!!
foi o pinto da costa que mandou 1 peido e o carro despistou-se
Só é pena não estar junto o orelhas...assim a merd...via-se bem ,tenho uma pena ... ainda se fosse um cãozinho a atravessar a rua teria pena sim senhor
Espero que a tenham mandado soprar...no balão. Muito estranho este despiste para quem tem todos os requisitos para ser um exemplo de cidadã.
Que pena não ter ido tomar banho nas águas do Douro!!!!
Vim ler depressa esta notícia com tanta ilusão e sofri uma grande desilusão...
há dias que nada corre bem.
um momento pensava que ela tinha morrido. mas infelizmente só gente boa é que morre cedo. os camelos e as putas ficam na terra tempo demais...
Mas as que me parecem mais crediveis, a mim triporto, são:
Visto quem é, provavelmente estava a meter as mudanças com a boca!
Ou então quis snifar uma linha contínua...
Pior de tudo é que ela têm protecção policial e somos nós que pagamos essa porra!!!
Aquela hora?... Ia para o trabalho...
segunda-feira, 7 de abril de 2008
triporto: "Porreiro pá!"...
"Na boa pá! Porreiro pá! Que grande idéia...acho que posso sacar algum àqueles tipos do Norte...ou do Centro...ou do Algarve!...Vais ver pá que não haver crise..."...responde Sócrates...
Eu, triporto, até posso ter uma imaginação muito fértil mas após ler esta notícia foi este tipo de conversa que me veio à cabeça...
Lisboa: Sócrates garante apoio do Governo para "revitalizar" Terreiro do Paço
Lisboa, 07 Abr (Lusa) - O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu hoje ao presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que o Governo tudo fará para "revitalizar" o Terreiro do Paço e a Baixa Pombalina.
A breve declaração de José Sócrates foi feita num jantar integrado no festival de gastronomia intitulado "Peixe e Sabores em Lisboa", no Terreiro do Paço e que se prolonga até domingo.
"Com a minha presença quero dar um sinal de que acompanho o objectivo do presidente da Câmara de Lisboa de animar o Terreiro do Paço e a Baixa. O Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance", declarou Sócrates.
Por sua vez, António Costa vincou que a ideia da autarquia da capital "é não só fazer do Terreiro do Paço uma das praças mais bonitas do mundo mas também uma das praças mais concorridas".
No jantar, estiveram também presentes os ministros da Agricultura (Jaime Silva), da Justiça (Alberto Costa), da Administração Interna (Rui Pereira), vários secretários de Estado e o presidente da Agência Portuguesa de Investimentos (API).
Antes, José Sócrates fez uma visita guiada ao festival gastronómico, ouvindo as explicações de um dos organizadores do evento, o jornalista do Diário de Notícias Duarte Calvão, conceituado crítico gastronómico.
O jantar que foi servido a Sócrates e restantes comitiva teve como ementa: ostras do Sado ao natural; sushi e sashimi com peixe nacional; tártaro de gambas com ouriço do mar; bola de Berlim recheada com santola; degustação de conservas portuguesas; garoupa sobre esmagada de caldeirada; naco de espadarte; mousse de chocolate com framboesa.
PMF.
Lusa/fim
domingo, 6 de abril de 2008
triporto...
quinta-feira, 3 de abril de 2008
triporto: Drenagens centralistas...
De seguida reproduzo um comentário inserido no blog A Baixa do Porto em 2-04-2008:
De: Zé Locomotiva - "Drenagens"

Modernas oficinas dos pendulares em Contumil
Segundo notícias vindas a público em alguns órgãos de informação, como o jornal Sol de 21 de Março ou no Telejornal de hoje da RTP1, o governo pretende construir no Barreiro uma espécie de ‘Cidade Ferroviária’. Esta infra-estrutura, segundo os citados órgãos de informação, está incluída no projecto de alta velocidade ferroviária, mas também pretende concentrar toda a manutenção dos actuais pendulares e comboios das linhas suburbanas. Diz-se que esta ‘cidade’ criará mais de 200 novos postos de trabalho. Não se diz que extinguirá pelo menos 60 postos de trabalho altamente qualificados no Porto. Porque os mais distraídos sobre estas coisas da ferrovia talvez não saibam, mas a manutenção dos pendulares é feita, desde o início da sua introdução em Portugal, no complexo ferroviário de Contumil. Ainda hoje muita gente no mundo ferroviário se espanta com o facto de ter sido instalada a manutenção dos pendulares no Porto e não na zona de Lisboa. Enquanto uns se espantam, outros nunca tal coisa aceitaram de bom grado e tudo têm feito para tentar ‘transferir’ esta valência para o sul. Pelos vistos o governo vai fazer-lhes a vontade. Diga-se a propósito que toda a equipa de manutenção dos comboios pendulares em Contumil é de excelente qualidade profissional e tem feito um trabalho notório, pela sua dedicação e proficiência técnica, desde os engenheiros que coordenam as equipas até ao mais jovem operário-estagiário, muitas vezes com enormes carências tanto de tempo, stock de sobresselentes e a eterna falta de meios financeiros. Sendo o destino mais do que provável dos comboios pendulares, depois de construída a alta velocidade entre Lisboa e Porto, a Linha Porto-Vigo, cujas características serão justamente as indicadas para comboios desse tipo, não se vislumbra qualquer lógica para que a sua manutenção seja ‘drenada’ para o Barreiro.
Zé Locomotiva
quarta-feira, 2 de abril de 2008
triporto: Capital da corrupção e agora também do alcatrão! Viva a nossa capital! Viva!
Amigo de ouvido atento alerta-me para o seguinte facto, relatado por estes dias no Rádio Clube Português Lisboa é a região europeia com a maior densidade de auto-estradas e vias rápidas. Vale a pena repetir: Lisboa é, no conjunto dos 27 países da União Europeia (UE), a região com a maior densidade de auto-estradas e vias rápidas. Que orgulho para Lisboa! Que orgulho para o país!
este singelo dado, que por si só mostra à saciedade o tipo de modelo económico seguido por Portugal nas últimas décadas, podem juntar-se outros, fornecidos pelo Eurostat, o gabinete que trata as estatísticas da UE. A Finlândia - país que, como se sabe, qualquer governante gosta de citar como bom exemplo - tem apenas 176 quilómetros de auto-estradas e vias rápidas. A Noruega conta com 173 quilómetros. Portugal já leva pouco mais de dois mil quilómetros. Finlândia e Noruega são, respectivamente, o segundo e terceiro países com o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita (contributo de cada cidadão para a riqueza do país) do Mundo. Mas nós, que ocupamos o 34.º posto mundial neste importante indicador, é que devemos estar certos.
Verdade que Portugal tinha, há poucas décadas, rodovias miseráveis. Verdade que as estradas ajudaram a encurtar o país. Verdade que obras como estas criam emprego (a maioria sazonal) e puxam pela economia, pelo menos durante algum tempo. Mas verdade também que a construção de estradas atafulha o país quando se esquece, como se esqueceu, a aposta na ferrovia e nos transportes públicos. Mas verdade também que muitas destas obras públicas serviram - e servem - para manter uma certa clientela. E verdade também que muitos dos milhões gastos em certos luxos asiáticos seriam mais bem empregues noutros sectores. Como aqueles em que apostaram a Finlândia e a Noruega.
A obsessão pelo alcatrão tem, contudo, correspondência nos gostos dos portugueses. Quando um país tem mais de 500 automóveis por cada mil habitantes e quando os habitantes desse país usam o automóvel para percorrer 87,5 quilómetros em cada cem, não há razão para os desiludir construam-se mais estradas.
(Por Paulo Ferreira no "Jornal de Notícias" em 2-04-2008)
triporto: Centralismos futebolisticos...
Estou a falar naturalmente das notícias que tanto tem excitado mentalmente muita gente deste nosso paísinho que tanto clama por justiça desportiva (quando lhes convém) mas raramente o faz quando os assuntos envolvem crianças vitimas de abusos sexuais ou autênticos roubos perpretados em autarquias de uma qualquer capital...
Convém recordar alguns factos importantes que para alguns não passam de teorias de conspiração mas para mim explicam muita coisa:
- Existem escutas publicas que provam as pressões exercidas pelo presidente do benfica (mais conhecido por glorioso) sobre um dos arguidos no processo (Valentim Loureiro) relativamente a escolhas de árbitros;
- Mesmo com essas escutas nunca foram abertos quaisquer inquéritos relativamente a isso o mesmo não sucedendo com as restantes;
- O PGR, Sr. Pinto Monteiro (famoso por "gostar" dos policias do Porto) decide criar uma equipa especial gerida por Maria José Morgado (Mizé para os amigos ou simplesmente "Morgadinho Justiceira");
- O mesmo PGR informa que até ao final do ano tem que haver resultados (leia-se levar Pinto da Costa a tribunal a bem ou a mal);
- São reabertos processos já arquivados com base num livro escrito por uma "Santa" que uns meses antes afirma perante as câmaras de televisão que tinha mandatado certos indivíduos para executarem um "serviço", leia-se agressões a Ricardo Bexiga;
- Apesar disso a "santa" continua por aí nas suas plásticas e festas do jet-xunga lisboeta como se nada se tivesse passado, e isto porque a D. Mizé decide que não existem indícios suficientes para uma acusação (?!), logo arquiva o processo;
- Durante todo o período de investigação por parte da "super-equipa-especial" liderada pela D.Mizé existem semanalmente fugas de informação para a comunicação social, mas por estranho que pareça é quase sempre a mesma jornalista, Tânia Laranjo, a publicar as mesmas...
- Já agora, e isto em jeito de revista cor-de-rosa, sabiam que...D. Mizé é casada com Saldanha Sanches, o conhecido fiscalista, adepto benfiquista, amigo pessoal do presidente luisinho do benfica e conhecido anti-portista? E que a D. Mizé é grande amiga de (advinhem...)...da Tânia laranjo...sim..essa mesma...a que falei há pouco....E já que estamos numa de casais também completamos o ramalhete e dizemos que a Tânia Laranjo é casada com Eugénio Queirós, conhecido pelas suas diarreias orais quando o assunto envolve Pinto da Costa...que por sua vez é amigo de Leonor Pinhão, conhecida benfiquista e anti-portista que por sua vez é casada com João Botelho, o famoso realizador do "esgoto" de filme intitulado "Corrupção"...
- Não sei se repararam mas existe algo em comum nesta gente toda que referi em cima: benfica... e naturalmente uma vontade de destruir aquele que nas ultimas décadas os tem deixado com uma azia permanente...
- Bem, continuando...entretanto aparece em cena a irmã da "Santa" que acusa um dos inspectores da equipa liderada pela D. Mizé, de ter "auxiliado" a "Santa" na elaboração do best-seller...actualmente pouco se sabe sobre o decorrer dessa investigação, o que não deixa de ser estranho pois foi com base no livro que foram reabertos os processos...mas enfim...
- Para terminar pois isto já cansa, convém referir que se ficou a saber que o luisinho do benfica deu 20 000 euros para a publicação do livro e que Fernanda Freitas, que colaborou na execução do mesmo, veio mais tarde denunciar alterações ao texto original...
Estes são algumas curiosidades e factos relacionados com este caso que como disse podem explicar o ataque cerrado e a celeridade em condenar as pessoas que atacam os nossos interesses...
De seguida irei reproduzir um comentário efectuado no blogue "http://portistasdebancada.blogspot.com/" a 31 de Março de 2008, que relata de forma sucinta um dos maiores escândalos dos últimos anos no futebol português e que ao contrário de outras situações já do conhecimento publico, nunca foram alvo de inquéritos por parte da "máfia" centralista afecta ao clube da capital do Império...
Encarnado e amarelo - as cores da honestidade desportiva
Estamos perto de garantir o tri-campeonato mas se tivesse existido verdade desportiva estaríamos seguramente a um pequeno passo de festejar o hexa.
No ano horribilis de 2005 aconteceu aquele que foi o maior roubo da história do futebol português e curiosamente ou não o produto desse assalto foi mais uma vez para os bolsos do mesmo clube de sempre. Mas já lá vamos.
Decorria o ano de 1999 quando Luís Filipe Vieira, à época Presidente do Alverca pensou na melhor forma de entrar no Sport Lisboa e Benfica e com isso atingir o grau de notoriedade financeiro e pessoal que essa função trás. Para conseguir esses objectivos e como estava associado a uma “amizade” com Pinto da Costa tratou de inventar um testa de ferro de seu nome Manuel Vilarinho. Mas para isso teria primeiro de arredar João Vale e Azevedo da presidência do clube encarnado. O advogado que tinha granjeado grande apoio da massa associativa muito por força do seu discurso populista anti-porto, era um empecilho, uma pedra no sapato. Roubar o Benfica nunca foi problema para ninguém a não ser quando alguém quer tomar o lugar que proporciona em Portugal mais vantagens do que ser Presidente da República. Começam então as manobras de bastidores que levaram à prisão de Vale e Azevedo por alegados e mais tarde provados (?) desvios de dinheiro. Mas deixemos essa vertente da conspiração para os outros – o que nos interessa aqui é apurar outras jogadas extra-desportivas. Afastado Vale e Azevedo era altura de colocar na presidência o seu testa de ferro – nada mais fácil depois de uma autêntica guerra na imprensa onde começaram a aparecer as mais variadas provas contra o advogado. A opinião pública e o universo benfiquista estava assegurado - Vale era um ladrão… Manuel Vilarinho é eleito em 2000 com o apoio de Luís Filipe Vieira, presidente do Alverca – clube satélite do Benfica, cargo que acumulou com o de director do SLB até meados de 2003 ainda que com funções um pouco nebulosas. Durante esses três anos de mandato de Vilarinho foi notório que quem mandava de facto era LFV e já se sabia de antemão que era uma questão de tempo até este subir ao poder.
Entretanto, e como presidente do Alverca, LFV foi fazendo jogadas de charme para com os associados benfiquistas de forma a que o seu passado com o cachecol azul e branco fosse rapidamente esquecido. Atacou o FC Porto, o seu presidente, os adeptos azuis e brancos e como cereja ofereceu Pedro Mantorras ao SLB . O jogador que com 17 anos jogava com uma enorme pujança física no Alverca e que segundo LFV valeria 90 Milhões de euros. De outra forma seria impossível que este empresário ligado às mais diversas actividades económicas (…) fosse eleito em 2003 depois da desistência de Vilarinho em continuar o projecto a que se tinha proposto. Não surpreendeu o sentido de voto. Dizia Vilarinho, que para tornar o Benfica campeão, só com um homem como LFV nos comandos do clube encarnado. Os adeptos sedentos de vitórias concordaram e assim começou “oficialmente” o reinado.
Poderíamos escalpelizar os contornos duvidosos da transferência do angolano para a Luz, as contas que ficaram por saldar com a SAD ribatejana, a constituição de uma SAD que beneficiou todos menos o próprio Alverca, os jogos deste clube de 1999 a 2003 com o Benfica e outras histórias que circulam nos corredores do futebol português, mas aqui a questão é voltarmos ao primeiro parágrafo deste texto – “se tivesse existido verdade desportiva estaríamos seguramente a um pequeno passo de festejar o hexa”.
Dois anos depois de ter chegado à presidência do SLB, LFV já desesperava por não conseguir cumprir a principal promessa eleitoral – o titulo nacional de futebol. O de futsal já era uma realidade mas não chegava sequer para promessa…apenas para LFV aparecer de tronco nu perante as câmaras de TV…
Começa o EstorilGate
Lembrou-se então de convidar José Veiga, que há muito tinha sido desmascarado por PdC como o homem que fez fortuna com uma “pá de pedreiro”. José Veiga era à época presidente da SAD do Estoril-Praia, clube que tinha descido à 2ª Divisão B mas que desde que entrou no clube, este teve uma subida meteórica até à 1ª Liga. Veiga utilizava o clube canarinho como porta de entrada e saída para muitos jogadores brasileiros. Foram feitos muitos negócios mas nenhum beneficiou financeiramente o Estoril – recorde-se que Veiga também era o dono do Bom Sucesso, um pequeno clube brasileiro. Lembro-me de ver o Estoril-Praia a jogar bom futebol mas a ser sistematicamente ajudado por factores a que muitos chamavam de "sorte". A verdade é que o Estoril subiu de divisão e Veiga é convidado para o Benfica. Contudo os regulamentos não deixavam que este acumulasse os dois cargos – o de presidente e accionista da SAD do Estoril com as de director desportivo do Benfica. Nada mais fácil de resolver – LFV já tinha feito o mesmo com o Alverca na época de Vilarinho – e vendeu a sua participação a três empresas inglesas que nunca se soube muito bem a quem pertenciam e que tinham sede social em paraísos fiscais. Resolvida essa questão com a estranha conivência da CMVM e da Liga presidida por Valentim Loureiro eis que Veiga entra no Benfica – começava então a época das beijocas.
Estávamos em 2005 e o FC Porto tinha acabado de conseguir tudo aquilo que LFV tinha prometido aos adeptos benfiquistas – domínio em termos europeus, a conquista de provas internacionais, a espinha dorsal da Selecção Nacional…
LFV tinha obrigatoriamente de “fazer as coisas por outro lado” e Veiga era a peça chave do seu plano. No Estoril, este já tinha provado que mais do que ninguém conseguia mexer os cordelinhos das nomeações, dos sumaríssimos, das promessas vãs a jogadores adversários e como extra o Benfica teria menos um adversário no campo – o Benfica começava o campeonato com 6 pts a mais do que os restantes adversários. O Estoril era na teoria o Benfica B.
Em troca, Veiga decidiria qual o treinador e teria controlo absoluto sobre transferências ganhando com isso as habituais comissões mas sobretudo a protecção de se trabalhar para o Benfica. Recorde-se que Vale e Azevedo apenas foi preso depois de ter saído do clube e apenas quando isso deu jeito aos da sua laia.
O campeonato foi um autêntico desfile de ladrões equipados de negro. Trapattoni é um senhor do futebol e sabe imenso da poda, mas o seu desconhecimento do futebol português aliado a uma equipa medíocre onde pontificavam jogadores como Karadas , Delibasic , Everson , Carlitos, Sokota , Bruno Aguiar entre outras pérolas da arte de bem jogar futebol era manifestamente muito pouco para almejar o titulo. Mas, e já dizia o Carlos Cruz – existe sempre um mas - com Veiga e as suas beijocas aliado a um ano atípico do FC Porto com três treinadores tudo seria possível. E foi.
Entre muitos roubos de igreja, foquemo-nos nos dois jogos com o Estoril de Veiga.
Na primeira volta, no jogo disputado na Luz os jogadores canarinhos ainda não tinham bem noção de quem é que lhes pagava os ordenados e fazem uma primeira parte em que dominam o Benfica. Chegado o intervalo, foi tornado público por Paulo Sousa (emprestado pelo Boavista) que Petit exigiu que estes abrandassem o ritmo de jogo e que deixassem de meter o pé. Paralelamente, o árbitro do desafio recebia uma camisola do SLB como “recuerdo” durante esse mesmo intervalo. A cama estava feita e o homem de negro até calçava botas com o símbolo da águia. Tudo coisas normais de acontecerem numa competição profissional. Espanta-me que o apito não tivesse também ficado em casa. O Benfica acabou por ganhar o jogo e recordo a indignação de parte do plantel e equipa técnica do Estoril no final do encontro.
A roubalheira espalhou-se por todos os campos em que o Benfica jogava e a par de 1994 foram muitos os jogos ganhos depois do tempo regulamentar ou com as célebres faltas apitadas ao contrário ou penalties e fora de jogo fantasma.
Ainda assim, o Benfica jogava mal e tinha muitas dificuldades para vencer. O FC Porto conseguia chegar à recta final do campeonato colado aos encarnados e o xeque-mate de Veiga seria feito aquando da visita do SLB à Amoreira, num campo tradicionalmente difícil para os grandes.
Veiga já estava avisado que Litos e Carlos Xavier tentavam blindar o balneário canarinho das influências patronais e decide dar ordens à administração do Estoril presidido por António Figueiredo (ex-dirigente benfiquista) para que este aceitasse a “sugestão” de o desafio ser jogado no Algarve. A administração estorilista acede com a naturalidade de um empregado que acata as ordens patronais e informa o plantel disso mesmo. O jogo era marcado para o Algarve com a anuência da Liga.
Nota de triporto: Nesta altura a Liga era comandada por Cunha Leal, ex-dirigente benfiquista...
Porém, Litos, Xavier, sócios e alguns jogadores nucleares do clube da linha reclamam da decisão alegando que o Estoril precisava de pontuar para se manter na 1ª Liga e que jogando no seu campo as hipóteses de somar pontos seriam naturalmente maiores. Nada feito. As ordens estavam dadas e o argumento ia no sentido de que era a única forma de os ordenados em atraso serem pagos. Era mais importante o aspecto financeiro do que o desportivo mas a verdade é que a descida de divisão trazia muito mais problemas económicos do que o não pagamento dos ordenados, mas como a questão dos vencimentos já tinha sido acautelada meses antes, naquela que foi a preparação psicológica para que os jogadores sentissem mais do que nunca a necessidade de receber dinheiro para pagar as contas…o desespero financeiro de alguns seria mais forte do que a sua moral desportiva.
Litos e Xavier não se calaram e Veiga tinha um problema para resolver em plena semana de jogo. Os treinadores canarinhos utilizavam diariamente o escândalo de terem que ir jogar ao Algarve para motivarem o plantel para o jogo das suas vidas, fazendo ver a estes que a vitória era o único resultado positivo para calarem os rumores de pressão externa e que ficando na 1ª Liga seria vantajoso para todos a nível desportivo – um jogador que desce tem menos chances de fazer bons contratos do que aqueles que conseguem a manutenção.
Veiga decide enviar um familiar trajado de capanga ao Estoril e este irrompe pelo campo durante um treino. É a revolta de Litos e Xavier que conseguem expulsar aquele que mais tarde acaba por se encontrar com alguns jogadores no Bar do Campo situado na parte exterior do Estádio da Amoreira.
Enquanto a grande parte dos intervenientes guarda para si as indicações do emissário de Veiga, existiram dois jogadores que falaram com a equipa técnica relatando o sucedido durante o almoço bem regado. Reza a história de que alguns teriam tido a promessa de envergar na época seguinte a camisola encarnada ou no mínimo de ingressar em clubes de maior nomeada pela mão daquele que já tinha sido o principal empresário do mundo – José Veiga.
Chegado o dia de jogo aconteceu aquilo que todos sabemos. Os jogadores do Benfica jogavam em casa perante 30000 benfiquistas ávidos de interromper o jejum de 11 anos e o Estoril teria que enfrentar duas equipas e meia – o adversário, os homens de negro e metade da sua própria equipa.
Surpreendentemente o Estoril coloca-se em vantagem ainda que aos 25 minutos um dos jogadores presentes no almoço já tivesse sido expulso. O jogo vai para intervalo e a segunda parte trás mais do mesmo, com um Estoril aguerrido pela enorme disponibilidade moral de jogadores como Dorival , Abadito , Jorge Baptista, Elias, João Pedro e Torres. O resultado teimava em manter-se apesar da ajuda de Hélio Santos para empurrar o SLB para dentro da área do Estoril. Depois de muita pressão, Luisão marca o golo do empate aos 75 minutos mas não chegava pois o FC Porto continuava muito perto. Aos 78 minutos Hélio Santos expulsa o avançado João Paulo que tinha rendido Moses aos 55 minutos. O Estoril passava a jogar com 9 jogadores e foi com naturalidade que assistimos ao golo de Mantorras 4 minutos depois.
O resultado de 1-2, a exibição dos árbitros e alguns jogadores do Estoril confirmavam os maiores receios de quem queria acreditar em justiça desportiva. Tinha sido notória a anormalidade de certas jogadas.
No final, Litos diz tudo o que lhe veio à cabeça perante um grupo de jornalistas que não escondiam a alegria de ver o Benfica perto de ser campeão 11 anos depois. No dia seguinte as capas dos jornais falam em festa do futebol e esquecem as manigâncias do desafio. Dias depois, Litos esclarece que foi ameaçado de despedimento por Veiga.
Mas como, se Veiga não tem ligações ao Estoril? Perguntavam algumas inteligências jornalisticas.
A verdade é que o Benfica foi Campeão Nacional, o Estoril desceu de divisão, os ordenados não foram pagos, Litos e Xavier foram mesmo demitidos e Rui Duarte, Paulo Sousa, Moses , Cissé Fellahi , Amoreirinha e Yanick não foram para o Benfica à imagem do que aconteceu noutras alturas com jogadores como Nuno Assis, Fonte, Marco Ferreira…
Durante toda a época de 2004/05, os dirigentes do Benfica foram vistos e ouvidos a combinarem nomeações de árbitros, a terem menos adversários do que os restantes competidores, jogando duas vezes em casa, a almoçar e a jantar com intervenientes do jogo, a oferecer beijocas e empregos em algumas empresas ligadas ao Benfica e seus dirigentes…tantas coisas que daria um texto maior do que este.
Nada serviu para fazer Maria José Morgado reabrir processos que já tinham sido arquivados apesar das provas e testemunhos de pessoas credíveis. A CMVM decidiu 3 anos depois multar Veiga com a quantia “astronómica” de 30 000 euros por ter ficado provado para esta que o “senhor das beijocas” teria tido participação numa sociedade aberta e outra cotada sem ter feito a declaração disso mesmo.
A imprensa reagiu a este escândalo com pequenas notícias ou notícias nenhumas.
O MP assobia para o ar.
A imprensa assobia para o ar.
Para todos os efeitos, o apito encarnado não existiu. Ou será apito de cristal? Não interessa. Não existiu. Não existe.
Existirá?
PS: Voltarei ao assunto daqui a uns dias...
domingo, 30 de março de 2008
triporto: Cavaco Silva diz-se "chocado" com o caso do "DÁ-ME O TELEMÓVEL JÁ!!!"...

Não foi este senhor que enquanto primeiro ministro preferiu investir a maioria dos fundos comunitários em alcatrão em vez da formação e educação dos portugueses?! E quando falo em formação não falo daqueles cursos feitos à pressão e que só serviam para alguns encherem os bolsos à custa dos formandos por falta de fiscalização e controlo!
Para mim a resposta é simples: é culpado sim senhor pois teve a oportunidade e os meios financeiros para tornar este país competitivo e nunca o fez. Se somos dos países menos qualificados da Europa a este senhor e à suas más politicas educativas o devemos. As estradas na altura também eram naturalmente necessárias e importantes para o desenvolvimento (desde que não fossem construídas como o IP5) mas não eram a única necessidade deste país e nesse aspecto falhou redondamente!
Se hoje existe falta de respeito, educação e valores na sociedade portuguesa talvez seja a factura a pagar pelos 10 anos de (des)governos de Cavaco Silva nesta matéria!
Por isso quando me deparei com este "chocado" do Exmo. Sr. Presidente da Republica entrei obviamente em choque...
E porque a memória não e assim tão curta convém lembrar que "chocado" fiquei eu quando soube em 1992 que esse "mamarracho" á beira rio plantado chamado Centro Cultural de Belém (a obra do regime cavaquista para a Capital do Império) iria custar não os 6 milhões de contos inicialmente previstos mas sim mais de 40 milhões de contos!
Isso sim...foi mais que motivo para ficar e continuar "chocado"...
domingo, 23 de março de 2008
triporto: Se...Se...Se...Se...Se lá para as bandas do clube do Império tivessem a noção do ridículo não diziam tantos disparates...
Quê?
Luisão acha que o FC Porto não é mais forte do que o Benfica. É mais regular, diz ele, mas não é mais forte. É capaz de ter razão. A força é uma coisa muito difícil de avaliar e cada um sabe a cruz que carrega. É verdade que o FC Porto ganhou mais jogos do que o Benfica, marcou mais golos e sofreu menos e também é verdade que conseguiu mais 16 pontos do que os encarnados até agora, preparando-se para conquistar o terceiro campeonato consecutivo, um fenómeno cósmico conhecido simplesmente como Tri. E também é verdade que, no único braço-de-ferro entre as duas equipas esta temporada, os portistas até venceram na Luz. Mas nem mesmo isso significa que o FC Porto seja mais forte que o Benfica. Como Luisão faz questão de sublinhar, se o Benfica não tivesse empatado e perdido tantos jogos, tudo seria diferente. Não há como argumentar com uma lógica assim. Depois, só os jogadores encarnados sabem a força que têm de fazer para aguentar a cruz que carregam, o enorme peso da história que lhes verga as costas e que os obriga a arrastar os pés pelo campeonato. Aliás, deve ser por isso que Luisão garante que ser campeão no Benfica é uma coisa diferente. Mais uma vez, o central encarnado tem toda razão. Ser campeão no FC Porto é sempre a mesma coisa. Todos os anos, a mesma história, uma e outra vez, ad eternum, ad nauseum. Ser campeão no Benfica é uma coisa única, preciosa, rara, como um eclipse solar, uma aurora boreal, um urso panda ou uma virgem num bordel. Em poucas palavras, é outra loiça.
De... formação
Cópia por sistema
Quase dois anos depois de o FC Porto ter dado início à Visão 611 que, entre muitas outras coisas, prevê a uniformização do sistema táctico em todos os escalões da formação, o Benfica revela uma intenção semelhante. É bonito. Afinal, a cópia é uma das melhores formas de elogio.
(Por Jorge Maia no Jornal "OJogo" em 23-03-2008)
sábado, 22 de março de 2008
triporto: Mais um bom exemplo dos complexos de inferioridade latentes mais a sul do país...
Augusto Inácio, treinador de futebol a exercer no estrangeiro, quando interrogado sobre o futebol português e a possibilidade de voltar a treinar em Portugal disse mais ao menos isto:
O FC Porto não se importa de contratar pessoas que tenham passado nos outros clubes. Nos outros clubes dizem "ah... este já esteve no Porto, os adeptos não encaram bem estas coisas...", Dizem que as pessoas do Porto são complexadas, mas no fundo em Lisboa é que estão os maiores complexados.
Augusto Inácio na RTPN, programa "Pontapé de Saída"
Moral da história: para progredir deve-se sempre contratar os melhores, venham eles de onde vierem.
(Por António Alves no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 22-03-2008)
triporto: comentários de interesse público - parte 2...
O problema não é Lisboa ( 2 )
Caros bussolistas !
Como o prometido não é de vidro aqui fica o segundo fascículo do texto do meu amigo Manuel Cerqueira Gomes que tenho a certeza que vão continuar a gostar. Os que pensam como nós , claro, porque os outros já se sabe que vão continuar a ladrar....
Acho, muito sinceramente, que vivemos num país de mentira permanente.
Existe uma capital que ainda olha para o seu umbigo como capital do Império.
Criadora de burocratas.
Que usa os recursos de todos nós para se promover.
Tudo aquilo que de importante se passa neste país, por decisão dos burocratas, tem de passar pela capital.
Mega construção do Centro Cultural de Belém nos finais dos anos 80, princípio dos anos 90.
Lisboa capital europeia da cultura em 1994.
Expo 98 Lisboa, onde se fizeram obras estruturais que foram pagas por todos nós. Como por exemplo o pavilhão Atlântico que agora serve de palco aos grandes eventos do mundo do espectáculo.
Em 2001, porque Lisboa não podia repetir, tivemos a capital europeia da cultura no Porto, embora “a meias” com Roterdão.
Já se fala numa candidatura aos Jogos Olímpicos de Lisboa de não sei quando. Isto porque, pelo que me disseram, só o facto de haver a candidatura obriga a que se façam uma série de obras prévias.
A capital (mais precisamente a zona de Oeiras) candidatou-se àquilo a que se chama a fórmula 1 dos barcos. Que iria obrigar a avultados investimentos na zona marginal que, por certo, não iriam sair do orçamento da Câmara Municipal de Oeiras.
O Senhor Primeiro-ministro inaugurou há pouco tempo o Museu Berardo, em Lisboa, regozijando-se com o facto pois, até aí, segundo ele, em matéria de arte contemporânea, só havia Madrid, esquecendo-se, de forma imperdoável, do Museu de Serralves no Porto.
O autódromo do Estoril, onde se fazem os grandes eventos automobilísticos, está na zona da grande Lisboa.
A final da Taça dos Campeões Europeus de 1967 entre o Inter de Milão e o Celtic foi no então Estádio Nacional em Lisboa.
A final do campeonato do Mundo sub 21 em futebol foi em Lisboa.
A final do Campeonato da Europa de 2004 de futebol foi em Lisboa.
A final da Taça UEFA de 2005 em Lisboa.
No resto do país não houve qualquer final importante.
Bom, mas há quem diga que muitos dos grandes eventos são feitos na zona de Lisboa pela iniciativa particular. O Estoril Open; o próprio autódromo do Estoril. Mas o problema é sempre o mesmo. O centralismo obriga a que a maior parte das pessoas válidas do país vão viver para Lisboa. Onde constituem família e por lá ficam.
Quem é que, não ouviu já falar de coisas deste género – “agora se quiser subir mais na estrutura (do banco, ou da empresa) tenho de ir para Lisboa”. Não é assim, Júlio Magalhães?
Até o raio do Tratado tinha-se que chamar de Lisboa… Neste particular lembrei-me logo de Nice e de uma belíssima terra na Holanda que se deu a conhecer ao mundo porque deu nome a um grande Tratado – o de Maastricht.
Assusta-me a falta de visão global do país por parte das pessoas que nos têm governado!
Os burocratas de Lisboa mais parecem aqueles meninos caprichosos e mal-educados que têm sempre de ter os melhores brinquedos, esquecendo-se de os repartir, tanto mais que aqueles que deveriam ser contemplados com a repartição são, afinal, seus irmãos.
Mas enquanto durou a presidência portuguesa da UE, lá foram os ministros fazer umas reuniões pelo país fora, para calar as gentes da província.
Mas o Tratado, esse, jamais se chamaria de Guimarães, ou de Braga, ou de Faro, ou do Funchal.
Tinha de ser de Lisboa.
Tanto provincianismo têm os burocratas de Lisboa…
Alguns vêm dizer que o País é muito pequeno pelo que é natural que tudo se concentre em Lisboa…
Só que,
É unanimemente reconhecido que Portugal é o um dos países mais centralizados na UE.
Lisboa, embora sendo a capital, é apenas uma cidade entre muitas outras do país, inserida numa região/zona entre muitas outras.
Falta uma voz política que se faça ouvir e que ponha tudo isto a nu.
Que interpele o governo central.
Que exija que este evento, aquela obra, ou aquele empreendimento, venha para o Norte ou para qualquer outra zona do país.
Que, concertadamente com os banqueiros do Norte, nomeadamente com aqueles que fundaram os dois maiores bancos pós 25 de Abril, batam o pé e exijam que a bolsa de valores fique no Porto (olhem, por exemplo, para Frankfurt e para Milão), ou pelo menos que também fique no Norte.
Que ajude a criar condições para as sedes dos bancos e seguradoras, que muitas delas historicamente são do norte, tenham efectivamente as administrações, os departamentos de estudo e os principais quadros no Norte.
Que proteja os empresários do Norte.
Mas que também lhes peça explicações quando estes vão anunciar a um hotel de Lisboa um grande negócio, quando o deveriam fazer num hotel do Porto, ainda que só tivessem presentes os jornalistas do JN, do Comércio do Porto e do Primeiro de Janeiro.
Que articule com as Universidades e as empresas os meios necessários para criar uma grande escola de negócios no Norte, impondo-se quando algumas pessoas, por pequenas questões de vaidade, entopem o processo.
É que há situações incompreensíveis neste país.
Por que raio é que ainda há pessoas do norte que acham bem ir tratar de assuntos a Lisboa?
Serão masoquistas?
Porque raio não podemos tratá-los no Norte?
Porque razão é que há grandes empresas do Norte que têm as sedes operativas no Sul?
É mais barato?
Porque razão, tendo nós no Norte os 2 maiores empresários pós 25 Abril, é que um nortenho que tira um curso relacionado com publicidade tem de ir para Lisboa?
Se os 2 maiores grupos privados portugueses pós 25 de Abril são do Norte porque é que não há grandes empresas de publicidade no Norte?
Não me digam que é porque no Sul podem fazer anúncios no Guincho!
Façam-nos na praia “Emília Barbosa”, ou noutra qualquer de Matosinhos, na Foz ou em Leça, ou então nesse maravilhoso vale do Douro…
Ouvi, outro dia no Porto Canal uma entrevista com um afamado estilista nortenho que dizia que o grande acontecimento de Moda do nosso País é, PASME-SE, a Moda Lisboa.
Se isto continuar assim, qualquer dia ainda levam o Museu do Vinho do Porto para Lisboa. Acho que já faltou mais…
Olho para o nosso País e sinto-me envergonhado com este centralismo.
Mas quando constato o que se passa aqui ao lado ainda mais revoltado fico.
Manuel Cerqueira Gomes
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co Produção
Manuel Serrão
(No blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 15-03-2008)
triporto: À atenção dos "nossos" (que remédio) governantes...
A vidinha
Está em curso na Galiza uma perseguição aos portugueses que trabalham nas obras públicas naquela região espanhola. A coisa tem passado mais ou menos despercebida. O Governo, que tanto gosta de proclamar o sucesso quando acorda com os espanhóis novas - e pelos vistos inúteis - regras laborais para o mercado transfronteiriço, faz de conta. As autoridades galegas não mostram sinais de incómodo. E os sindicatos dos dois lados da fronteira trocam acusações sibilinas.
O que se passa? A crise está chegar, e em força, ao sector da construção em Espanha. E por isso os portugueses que ali trabalham (cerca de 100 mil) passaram a ser vistos como concorrentes desleais. Porquê? Porque ganham menos (seis a sete euros e meio por hora, contra 12 pagos aos espanhóis), trabalham mais (fazem jornas de 12 a 14 horas) e não têm direito a férias nem a outro tipo de regalias de que gozam os espanhóis. Isto, que até hoje não mereceu nenhum comentário dos sindicalistas galegos, é agora qualificado de "dumping laboral". Tradução a vidinha está a ficar difícil para os espanhóis em geral e para os galegos em particular. Logo, é preciso atirar os portugueses borda fora, porque os empregos não chegam para todos.
É preciso ler com atenção o que diz, por exemplo, o secretário nacional da Confederação Intersindical Galega, Xoan Melón, para perceber o que aí vem. "Os portugueses estão a fazer um autêntico dumping laboral, aceitando trabalhar em condições muito precárias, o que configura uma situação de concorrência desleal. E os grandes prejudicados são, naturalmente, os trabalhadores galegos, que se vêem preteridos".
O cinismo de Xoan Melón é insuportável. E serve apenas para acirrar os ânimos dos galegos a cujas casas chegou uma ameaça até há pouco inimaginável numa Espanha com uma economia pujante - a ameaça do desemprego. Quando, um destes dias, houver notícias de confrontos entre portugueses e galegos numa qualquer obra pública, talvez os governos dos dois lados da fronteira acordem para o problema. Que já existe e já é grave. Sobretudo para os portugueses, o elo mais fraco desta delicada cadeia onde se luta por uma vida uma bocadinho melhor.
(Por Paulo Ferreira no "Jornal de Notícias" em 22-03-2008)
triporto: comentários de interesse público - parte 1...
O problema não é de Lisboa ( 1 )
Caros bussolistas !
A pensar na Semana Santa que aí vem , muito propícia à reflexão e ao lazer , começo hoje a publicação de um notável ensaio do meu amigo Manuel Cerqueira Gomes , ilustre advogado portuense.
Para conforto dos leitores mais ocupados e também para criar um suspense que o texto merece , a publicação será dividida em 8 posts incluindo o de hoje que estarão disponíveis no vosso Bússola até à Páscoa.
Numa opinião que também subscrevo, Cerqueira Gomes acha que o problema não é de Lisboa enquanto cidade, bonita por sinal, o problema é da gentinha, talvez a mais provinciana de todo o Portugal, que tornou uma cidade, que deveria ser só a capital de Portugal, num monstro macrocefálico e asfixiante.
Se recuarmos na História verificamos que sempre nos sacrificámos pelo país, muitas vezes em proveito de Lisboa.
A história das tripas, na célebre expedição a Ceuta, é paradigmática.
Tripas essas que, de restos menores do animal, se transformaram num dos ex-libris da gastronomia portuense.
Mas tudo mudou.
Já há muito concluímos que não há mais razões para sermos subalternizados relativamente a Lisboa.
De resto, acho que não há, na maioria das pessoas do Norte, qualquer complexo de menoridade relativamente a Lisboa.
Noto, isso sim, algum desconforto e dor de cotovelo de muita gente de Lisboa quando o nome do Porto se começa a ouvir cada vez mais e pelas melhores razões, nomeadamente quando se fala:
- do esmagador êxito, Nacional e Internacional, do FC Porto;
- dos dois maiores bancos portugueses pós 25 de Abril terem sido fundados no Porto;
- dos dois maiores empresários do país, no pós 25 de Abril, serem do Norte;
- de Serralves, como uma referência mundial na gestão de Museus;
- das ruas do Porto e das estradas do norte cheias de turistas trazidos por companhias estrangeiras (não pela TAP);
- que os arquitectos do Porto são repetidamente galardoados nos melhores prémios da arquitectura mundial; etc.
Muitos, geralmente do sul, dizem que nós estamos sempre a dizer mal de Lisboa, por isto e por aquilo.
Não nos preocupa o que Lisboa tem. O que verdadeiramente nos preocupa é aquilo que não temos e que deveríamos ter caso este país fosse, conforme todos nos prometeram, descentralizado.
Mas se é evidente que já se nota um despertar das gentes do norte relativamente às injustas assimetrias deste país, também não deixa de ser verdade que ainda não nos insurgimos com a determinação que a situação justifica.
Pergunto:
Quantas pessoas vieram para as ruas no Porto, ou em Braga, por causa do traçado e dos timings TGV?
Na verdade,
Causa-me grande incomodidade verificar que as Injustiças causadas pela macrocefalia não provocam, ainda, qualquer reacção organizada.
A não ser uma cobarde resignação de todos nós.
Por um lado, sofremos para dentro.
Não explodimos como os espanhóis.
Por outro, não somos devidamente orientados por uma referência, por um líder, que assumidamente nos defenda.
Já viram que ao longo de tanto tempo ainda não fomos capazes de criar um líder político que defendesse os nossos interesses?
Dos políticos que aqui nasceram, muitos deles brilhantes, não houve um sequer que nos dissesse aquilo porque ansiosamente aguardamos: “Sou político, sou do Norte, quero defender a causa dos meus conterrâneos e, sosseguem, a última coisa que quero é ir para Lisboa”.
Infelizmente todos eles tiveram a mesma tentação fatal, isto é, não descansaram enquanto não chegaram a Lisboa, uns para deputados, outros para o governo…
E o Norte sente muito isso, só que sofre para dentro, pelo feitio próprio das nossas gentes.
Para se ver como sofre e não esquece, está o caso paradigmático do castigo que o povo do Porto infligiu ao Dr. Fernando Gomes que, incompreensivelmente, trocou a Presidência da Câmara do Porto pelo ministério da polícia de Lisboa. Como foi possível ter acontecido?
Acho que as gentes do Porto ficaram desiludidas, sentiram-se atraiçoadas.
Verificámos que não era aquela a pessoa que precisávamos.
Com todo o respeito pelo vosso trabalho e com o que é feito noutras iniciativas, julgo que não chegaremos a lado nenhum sem que tenhamos um canal político próprio que possa, de forma sistemática e organizada, defender os interesses do Norte.
Podem dizer: mas estamos todos fartos dos políticos e dos partidos! Também eu, e é por isso que faz falta quem faça política de forma diferente, uma politica próxima do eleitor e em que este se reveja.
Já viram o que seria um partido político do Norte que elegesse deputados?
Que forçasse uma verdadeira regionalização!
Temo, contudo, que tal não possa ser levado a cabo por impossibilidade legal/constitucional.
Alguém ainda tem dúvidas que o crescimento de Espanha se deve, em grande parte, à força das regiões autónomas e da vontade que têm de se afirmar?
A cumplicidade positiva entre as forças vivas de uma determinada zona com o poder político regional que as representa tem sido um dos segredos do crescimento de Espanha.
Repugna-me ter de continuar a eleger deputados que vão confortavelmente para o hemiciclo dizer que sim a tudo aquilo que o partido impõe, esquecendo, pura e simplesmente, que estão lá para defender os interesses das pessoas que os elegeram.
Não temos, em conclusão, um verdadeiro sistema representativo!
Manuel Cerqueira Gomes
Próximo capítulo " A mentira em que vivemos " a postar brevemente
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co produção
Manuel Serrão
(No blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 13-03-2008)
sexta-feira, 14 de março de 2008
triporto: RNTV em directo
Convém que acelerem ainda mais a "construção" não apenas do site mas também dos conteúdos pois com a venda da TV TEL à TvCabo a visibilidade será muito maior e a concorrência também...
O autismo do Poder face ao Norte
Hoje o Norte só é comparável com as regiões que pertencem aos países recém-entrados na União Europeia, mas com uma diferença. Enquanto o Norte nos últimos anos não tem sido capaz de crescer nem de criar empregos, essas outras regiões estão a crescer a um grande ritmo, o que significa que, a manter-se esta tendência e com o andar dos anos, acabarão por ultrapassar-nos.
A globalização tem sido muito madrasta para este Norte. O número de empresas que têm encerrado e os números de desempregados aí estão, com toda a crueldade, a mostrar essa evidência. Isto acontece porque o Norte não vive em mercado protegido, ao contrário de Lisboa, onde estão concentrados todos os serviços públicos, financeiros, seguros, tudo actividades que nada sofreram com o fenómeno da globalização, pois os clientes estão lá e não param de crescer. No Norte, onde o mercado não é protegido, há que seduzir e conquistar clientes, não basta estar à espera de que eles surjam. Este é o real significado da globalização que tornou para o Norte as coisas mais difíceis.
Perante este quadro, não se entende a passividade do Poder para com uma região que sofre de uma situação de tal modo grave que justifica a adopção de medidas excepcionais, através de um grande e ambicioso programa de emergência, que já deveria estar em marcha.
Uma correcta estratégia de crescimento para o Norte, onde vive um terço dos residentes em Portugal, é essencial para que o país possa apresentar melhores indicadores em termos económicos e sociais. O problema do Norte, pelas suas natureza e dimensão, não pode ser visto como uma questão regional. O problema do Norte é verdadeiramente uma questão nacional, porque se o Norte recuperar será o país, como um todo, que estará melhor.
Mas os factos mostram que há uma enorme insensibilidade política e social por parte do poder político face ao Norte e aos nortenhos.
Por exemplo, é chocante verificar que, dos grandes investimentos públicos a submeter a Bruxelas até 2013, listados na página 102 do Programa Operacional Temático Valorização do Território do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) e que totalizam um investimento de mais de 13 mil milhões de euros, ao Norte caberá apenas 4,6% desse montante, cerca de 600 milhões de euros, que serão distribuídos por três projectos, IP4 Vila Real/Quintanilha, plataforma logística de Leixões e IC 35 - Penafiel/Entre-os-Rios! São estes e só estes os três grandes projectos públicos que vão realizar-se no Norte nos próximos sete anos!
(...)
(Por Silva Peneda no "Jornal de Notícias" em 2-03-2008) - via blogue " http://regioes.blogspot.com/"
triporto: Música dedicada a Rui Rio...
O músico Pedro Abrunhosa acusou Rui Rio de se manter "calado, sem dar voz às preocupações do Porto e da região Norte, que tem a obrigação de defender porque está a pensar num futuro político nacional".
O músico, que falou à Lusa à margem da iniciativa "Café literário", uma tertúlia levada a cabo anteontem à noite no Teatro Circo Café (novo espaço cultural situado no edifício do Theatro Circo em Braga), considera que Rio está a "hipotecar os interesses da cidade e da sua região à sua carreira política pessoal".
"Rui Rio nada disse quanto à Ota, que era uma sentença de morte ao aeroporto Sá Carneiro e uma machadada na região, nada diz quanto ao traçado do TGV, que é também extremamente prejudicial para os interesses do Norte, e brilha pelo silêncio quanto à criminalidade violenta no Porto, porque quer conservar uma boa imagem nacional, hipotecando os interesses da região ao seu futuro político", afirmou.
(No "Jornal de Notícias" em 14-03-2008)
triporto: Constatação de um facto...A "santa e imaculada" Carolina vale zero...nicles...nada... + os abutres do costume...
"Há fotos da Carolina, mas ela não se lembra"
Há frases, simples, curtas, ditas por graça, que são o melhor retrato da realidade. Ontem, ao princípio da tarde, na reunião com a chefia, um fotógrafo interrompeu a reunião para fazer aquele aviso. O aviso é bem mais do que isso. A justiça está a ouvir Carolina Salgado. Ela depõe contra Pinto da Costa. Faz acusações graves, mas está esquecida de uma série de pormenores importantes. Na "rua" - a mesma "rua" que, de repente, ganhou o estatuto de local da verdade, desde que aí foi afrontada a ministra da Educação - o depoimento de Carolina vale zero, porque ela não se lembra de algumas coisas essenciais para sustentar as acusações. Até a própria justiça já lhe atribuiu o valor zero quando, há semanas, não levou por diante uma acusação contra ela porque a dita só estava sustentada no seu próprio depoimento (sim, fora ela quem tratara das coisas para que fosse dada uma tareia em Bexiga, confessara, pelos vistos sem que isso valesse mais do que zero).
Valendo Carolina zero, o arrastar destes processos que a têm como sustentáculo único torna-se penoso para a própria Justiça. Uma Justiça que queira ser credível tem que assentar em gente credível. Ou Maria José Morgado tem mais coisas contra Pinto da Costa do que os depoimentos da frágil Carolina ou então o melhor é entregar os pontos .
PS - As opções que Luís Filipe Menezes tem tomado - nem sempre as melhores, diga-se - suscitaram esta semana uma forte oposição interna. Independentemente dos conteúdos das críticas, seguramente respeitáveis, há que dizer em defesa de Menezes o seguinte todas as críticas vindas a público eram subscritas por dirigentes que ou saíram derrotados no último Congresso ou nem sequer lá foram - a maioria --, perdendo por falta de comparência. Nem uma coisa nem outra lhes retira o direito de crítica. Mas uma coisa e outra explicam alguma coisa.
(Por José Leite Pereira no "Jornal de Notícias" em 14-03-2008)
quarta-feira, 5 de março de 2008
triporto: Excelente designação para os hipócritas convertidos ao centralismo...
O lisbonário
O lisbonário não é lisboeta. Não se confundam os dois géneros. O lisboeta, o verdadeiro alfacinha, nasceu lá e é filho de várias gerações também lá nascidas. Vive em Alfama, no Castelo, em Campo de Ourique ou em Campolide. Os de extracção mais recente nos Olivais ou em Chelas. O lisbonário não. O lisbonário nasceu lá para as beiras, Trás-os-Montes… alguns até no Porto.
O alfacinha, tirando obviamente as chamadas classes “altas”, que, mau grado, existem em todo o lado, é povo – mesmo povão. O lisbonário não. O lisbonário é filho da pequena nobreza e pequena burguesia rurais. É filho do médico das pequenas cidades de província, do mestre-escola, ilegítimo de padre com mais amor a rabo de saia do que ao evangelho, do farmacêutico, do lavrador mais ao menos abastado, do pequeno funcionário público, do chefe da estação (no tempo em que os havia), do comerciante relativamente bem sucedido, e por aí abaixo…
O lisbonário estudou. Foi à universidade. Tirou curso. Em direito ou finanças principalmente. Senhores engenheiros também. O seu primeiro objectivo é trabalhar para o estado. Arranjar emprego público. Seguro. Sem chatices. Para começar não é mau. Os de direito sonham em chegar a juízes, procuradores, agentes da PJ. É bom andar de comboio, sem pagar, em 1ª classe, e poder passear a nossa arrogância sobre os passageiros e funcionários. O trabalho também não mata. De Coimbra a Lisboa é um tirinho e 4ª feira à tarde já estamos de regresso.
Mais tarde ou mais cedo, o lisbonário muda-se para Lisboa. Arranjou colocação num ministério. Foi promovido. Ou então subiu na hierarquia e já manda. Manda no país. Suprema condição. Eu, o Zé da loja, mando no país todo.
O lisbonário nunca perde afinal a sua condição de provinciano. Mesmo em Lisboa, e a mandar, nunca saiu afinal da sua aldeia mental. O lisbonário acha que só ele é que sabe. O lisbonário não confia em ninguém. O lisbonário julga que todos os que não chegaram a Lisboa – onde ele chegou! – não são competentes. O lisbonário, em Lisboa, tem um terror irracional aos que fora de Lisboa possam ser melhores que ele. O lisbonário quer controlar tudo. O lisbonário gosta de humilhar. O lisbonário quando falha é exímio em sacudir a água do capote atirando as culpas para fora de Lisboa, onde ele está. A culpa é sempre da “província”. Quanto mais para norte mais "província". O lisbonário só confia nele e nos seus apaniguados igualmente lisbonários. Os lisbonários são maioritariamente adeptos do Benfica, porque sim e porque fica sempre bem. Alguns são procuradores. Gerais e generais. Outros são políticos. Até engenheiros com projectos assinados. Todos eles são nada.
(Por António Alves no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 3-03-2008)
domingo, 2 de março de 2008
triporto: Escandaloso...
Ora bem...um passarinho vindo da capital do Império e de passagem pela Invicta confidenciou-me que Pinto Monteiro, o famoso procurador especialista em criar equipas especiais como quem muda de camisas, vai voltar a fazê-lo mas para "hórrór" das hostes centralistas desta vez vai utilizar elementos do DIAP do Porto para investigar as recentes mortes sucedidas na zona de lisboa...
Segundo o mesmo passarinho, que como é óbvio não vou identificar, Pinto Monteiro tenta desta forma "calar" a contestação cada vez mais notório dos elementos da Invicta...
Ora eu, triporto, recuso-me a acreditar nesta possibilidade pois estou convicto que equipas especiais para investigar seja o que for só se forem oriundas da capital do Império pois já provaram a sua eficácia, como por exemplo no arquivamento da agressão a Bexiga de uma forma clara e inequívoca...
Aliás, se há coisa que já reparei nas equipas especiais criadas por Pinto Monteiro é a sua "eficácia" a sacudir a água do capote e a pôr a culpa em terceiros para desculpar incompetências próprias...
Palermo e palermas
O país vive confrontado com uma das guerras mais intensas e politicamente relevantes dos últimos meses - as divergências agudas entre magistrados e polícias. O facto mereceu ontem parcos minutos do tempo do Governo e da Oposição no debate quinzenal na Assembleia da República. Os contendores preferiram dedicar-se a um jogo estranho saber quem é, afinal, o caloteiro do regime!
E, contudo, o país agradeceria que a matéria em causa fosse explicitada por quem tem obrigação de a explicitar. É que, num país que se leve a sério, as razões do desaguisado não podem passar em branco.
Assim de repente, elas parecem mais ou menos claras. Mas as aparências, como se sabe, iludem. O procurador-geral da República tem gasto boa parte do seu tempo a diminuir os magistrados e a Polícia Judiciária do Porto. Ao criar "equipas especiais" mandadas vir de Lisboa para atacar matérias mediáticas, Pinto Monteiro diz duas coisas que a Norte não há gente competente para tratar de temas tão gravosos; e que o Norte, por estar a transformar-se perigosamente numa espécie de Palermo, precisa de que o salvem. E assume uma terceira: o controlo efectivo da PJ. Se o poder político a Norte caucionar, como tristemente caucionou , esta brilhante tese, está o caldinho feito.
Há quem ainda acredite na bondade do procurador. Lamentavelmente, os factos mais recentes desmentem uma visão tão despreocupada da matéria. O director nacional da PJ convidou para mandar na PJ do Porto um magistrado que, pecado dos pecados, é amigo de Pinto da Costa e que, de repente, viu a sua honorabilidade posta em causa na praça pública. O procurador da República não gosta do magistrado, que entretanto tinha aceitado o honroso convite. Vai daí, o magistrado é empurrado pela borda fora, com o jeitinho e as conspirações do costume. O director nacional da PJ fica desgostoso, mas não se demite. Finalmente, é escolhido um novo magistrado (será adepto do F. C. Porto?) para a PJ do Porto, este supostamente do agrado do procurador.
E pronto. Assim se resolve o problema. Interessa que tenha havido muito boa gente tratada como palerma no meio disto tudo? Importa que a questão não dê lugar a explicações públicas do Governo e/ou a perguntas da Oposição? Importa, mas pouco.
(Por Paulo Ferreira no "Jornal de Notícias" em 1-03-2008)



