terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

triporto: Inteiramente de acordo...

O Centralismo e o Futebol Clube do Porto

Por incrível que pareça, foi também por causa da clubite centralista que se acentuou o fosse assimétrico entre Porto e Lisboa. É fundamental que se entenda isto, para nos ajudar a compreender outros "fenómenos" contemporâneos, como a corrupção desportiva e toda a sorte de polémicas, principalmente em redor do Futebol Clube do Porto e do seu Presidente.

Desagrada-me reconhecê-lo (porque também nasci aqui), mas os portugueses,talvez pela sua condição de país periférico, têem uma enorme dificuldade intelectual em aceitar o sucesso dos outros, compensando esse endémico complexo com mitos e má língua. É assim.

Mas isto, não pode ser confundido com o direito legítimo dos cidadãos à critica, quando tal se justifica. Nesse sentido, não é honesto negarmo-nos a nós mesmos esse parco direito, vis à vis o rumo desastroso que Portugal tem seguido.

Tendo recebido muitos subsídios, inerentes à adesão comunitária europeia, Portugal desbaratou (vá-se lá saber por quê...) tantos outros, realizando pelo caminho -obrigatoriamente - algumas obras públicas, mas na realidade nunca conseguiu, mesmo assim, produzir riqueza bastante com reflexos na qualidade de vida da população de forma equitativa e desconcentrada.

E é com base nestes factos que deve ser feita uma avaliação honesta sobre a realidade nacional. Portanto, não é correcto, a pretexto das auto-estradas (muitas delas mal concebidas e depois reconstruídas), das Expos e de outros empreendimentos do género, consolarmo-nos com esses " rebuçados", porque isso, era o mínimo que se podia fazer. Enfim, a União Europeia exigia contrapartidas justificativas para nos financiar, e como é óbvio, algo teria de ser feito.

Foi mais ou menos neste período, entre o pós 25 de Abril de 1974 e a adesão à Comunidade Europeia até aos dias de hoje, que o Porto, e o Norte em geral, se degradaram económica e socialmente, que emergiu uma instituição desportiva a remar contra essa corrente depressiva, chamada Futebol Clube do Porto e o seu mentor, Jorge Nuno Pinto da Costa.
A ascensão do clube da cidade Invicta foi-se tornando avassaladora, com êxitos nacionais e internacionais, mas rapidamente provocou mal estar na capital e particularmente no Benfica, clube até então habituado a ganhar quase tudo e a beneficiar de todo o tipo de apoios pelo anterior regime. Contudo, com a democracia nada se alterou na arbitrariedade de processos, e a desigualdade de tratamento até se acentuou nos últimos anos.

Impotentes para superar, pelas vias legais e competentes (campeonatos), o adversário nortenho, o regime centralista não se coibiu de promover todo o tipo de esquemas e cabalas para afectar o Futebol Clube do Porto. De programas televisivos (Os Donos da Bola, da SIC), onde participavam
indíviduos contratados para denegrir a imagem do clube, até à rádio e aos jornais desportivos, tudo foi feito para destruir o (sucesso do) clube.

Hoje, a campanha persecutória adensou-se ainda mais, com a invenção do "Processo Apito Dourado" cujo objectivo principal é, como toda agente já percebeu, a incriminação de Pinto da Costa, a todo o custo, embora travestido de regenerador de ética e transparência desportiva...

O senhor Procurador Geral da República, parece desorientado. De tal modo, que é ele próprio a dar sinais de vulnerabilidade com a aparente arbitrariedade das suas decisões. Na dúvida, transmite sistematicamente a confiança às equipas de investigação lisboetas, denegrindo por consequência, e sem nada que o justifique, a imagem dos seus pares portuenses.

Ninguém percebe, sem assombro nem suspeita, como é que, imediatamente após a demissão do Director da PJ Porto e posterior nomeação de um outro, sejamos logo bombardeados pelos media com a notícia de que este último levanta suspeitas à equipa de investigação lisboeta, por alegadamente, ter simpatias clubísticas com o Futebol Clube do Porto.

Tudo isto parece surreal, tudo isto parece uma brincadeira de crianças.

Por muito menos, os media centralistas arrasaram com a reputação dos antigos procuradores gerais. Tanto Cunha Rodrigues como Souto Moura não foram poupados à lupa impiedosa dos jornais e televisões.

Neste caso, o sistema pendura-se às cavalitas da comunicação social, e não faz mais do que branquear e apoiar as prestações medíocres do actual Procurador, e isso, cada vez se parece mais com uma cereja em cima do bolo anafado do Centralismo.

Resumindo: a fita tem de começar a ser lida ao contrário. Há pois que meditar muito bem, no quê e quem, urge de facto investigar.



(Por Rui Valente no blogue "http://renovaroporto.blogspot.com/" em 25-02-2008)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

triporto: Uma chamada de atenção...

...aos responsáveis da Região Norte Televisão (RNTV) relativamente à prolongada ( esperemos que não eterna) mensagem que aparece sempre que nos deslocamos ao seu endereço electrónico (http://www.rntv.pt/), e nos deparámos com a famosa frase "site em construção"...

Penso eu que seria importante pôr a funcionar a todo o vapor o uníco meio disponivel de divulgação do canal e das suas notícias a todos aqueles que não são assinantes da TvTel (uma larga maioria) pois por este andar ainda se arrisca a ser uma "InvictaTV" - parte 2...

Da minha parte, e estou certo de muitas outras pessoas, afectas a uma vontade cada vez mais premente de verem, lerem e ouvirem notícias e reportagens oriundas do Norte do país, seria mais um meio de divulgação a considerar...

E como imagino que os responsáveis desta TV desconheçam por completo este blogue, fiz questão de enviar a mesma chamada de atenção via email que penso já deve ter a "construção" finalizada (digo eu)...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

triporto: Esta notícia é dedicada à "Morgadinho Justiceira" cá do sitío

...e aproveito o tema para estranhar a falta de notícias sobre o caso que esta "Justiceira" investiga actualmente (inquéritos à corrupção na camara da capital do Império), ao contrário do que sucedia todas as semanas com o famoso e badalado caso "apito dourado"...se calhar é por não envolver os nomes tão "queridos" a esta super magistrada como são o de "Pinto da Costa" ou "FC Porto"...


"Comunicação pública" autorizada

Os magistrados do Ministério Público do Porto vão explicar publicamente os detalhes da investigação às agressões a Ricardo Bexiga. O processo do ex-vereador da Câmara de Gondomar foi arquivado e provocou críticas da procuradora Maria José Morgado à forma como a investigação foi conduzida. Os magistrados dizem que se tratou de um ataque à sua honra e dignidade.

As críticas da última semana foram a gota de água para os procuradores do Porto, que não gostaram de ler no despacho de arquivamento do processo das agressões a Ricardo Bexiga que a impossibilidade de encontrar os autores do crime se deveu apenas à falta de diligências fundamentais e a falhas básicas na investigação.

Às críticas da procuradora de Lisboa, que assina o despacho, juntou-se uma entrevista de Maria José Morgado que garantiu que a recolha tardia de vestígios materiais, como impressões digitais, tornou o caso muito falível. Justificações intoleráveis para Ricardo Bexiga, a vítima do crime.

Numa carta enviada ao procurador-geral da República, os magistrados do Porto dizem que "o silêncio tornou-se intolerável após um ano de insistentes afrontas à dignidade e honra profissional".

À SIC, os magistrados garantiram que não estão interessados em abrir uma guerra entre Porto e Lisboa, mas dizem-se ofendidos com a postura Maria José Morgado. Pinto Monteiro acedeu ao pedido de suspensão do dever de reserva e autorizou os procuradores do Porto a emitir uma comunicação pública.

Os magistrados vão agora decidir se o fazem por escrito ou em conferência de imprensa.


(Na "SIC-online" em 13-02-2008)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

triporto: É assim mesmo...dá-lhe com força que ela merece...

Não há conversa com Laura Rodrigues


A presidente da Associação de Comerciantes do Porto (ACP), Laura Rodrigues, manifestou-se disponível para o envolvimento no projecto de instalação de um sistema de videovigilância na Baixa, mas o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) não está para conversas.

António Fonseca afirmou, ontem, que a líder dos comerciantes já teve tempo suficiente para avançar com um projecto semelhante, mas nunca o fez. "Já podia ter feito isto há muito tempo", criticou António Fonseca, lembrando que nunca foi convidado a participar em qualquer projecto da associação. "Não os convidámos para esta apresentação porque também nunca nos convidaram para nada, principalmente quando receberam os cinco milhões de euros do grupo Amorim", atacou o responsável, referindo-se à verba que a empresa pagou à ACP para investir na reabilitação do comércio tradicional, na sequência de um acordo no âmbito da negociação do Plano de Pormenor das Antas.

Em declarações à Lusa, Laura Rodrigues afirmou, anteontem, que a vigilância na Baixa da cidade é bem-vinda e necessária, até porque estão a abrir alguns bares na zona.

Artur Ribeiro, um dos comerciantes que aderiu ao projecto, demitiu-se recentemente da direcção da ACP e, ontem, não poupou críticas ao trabalho da dirigente. "Antes de sair apresentei 15 propostas para a Baixa, entre as quais a recuperação dos guardas-nocturnos, mas nenhuma avançou", afirmou.


(Por Inês Schreck no "Jornal de Notícias" de 8-02-2008)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

A lenga-lenga anti-regionalista

Vasco Graça Moura ao JN de hoje. A lenga-lenga dos anti-regionalistas continua a mesma passados 10 anos, assente apenas em mitos pacóvios e mentiras grossas.

Acreditam na descentralização, mas não se lhes conhece uma única medida nesse sentido.

Distorcem o mapa da Europa e dizem coisas tão incríveis de tão falsas como "o nosso país, no seu todo, tem a dimensão correspondente a uma região média europeia" (!?!?). É que o nosso país, no seu todo, é superior ao país médio da UE. Eu sei que é muito mais fixe passarmos a vida a dizer que "o país é pequenino, coitadinhos de nós", mas na verdade o país é mediano, grandito até, para os padrões europeus... A diferença é que a maioria dos países, mesmo sendo mais pequenos que o nosso, estão regionalizados.

Last but not least, a "coesão nacional". Será "coesão nacional" a diferença brutal do PIB per capita do Norte em relação ao do Vale do Tejo? Dane-se a coesão nacional se assim for. Os Açores e a Madeira estão mais "coesos" agora ou antes de estarem regionalizados? É fácil lembrar Jardim, e pelos vistos também já ninguém se lembra dos movimentos bombistas que defendiam a independência dos arquipélagos antes da regionalização. E também é fácil esquecer o crescimento brutal da emigração portuguesa para Espanha, sobretudo partindo do Norte e interior do país, não será isso atentatório à "coesão nacional"? O nosso modelo de desenvolvimento deve então continuar a inspirar-se no modelo grego? Pode-se "retalhar" o país em freguesias, concelhos, distritos, mas jamais em regiões porque a seguir ia querer ser tudo um país independente? Será? E porque seria?


(Por Boss no "http://renaseveados.blogspot.com/" em 9-06-2007)

OS PRINCIPAIS MITOS SOBRE A REGIONALIZAÇÃO (2/5)

Mito I – A unidade nacional em perigo

O principal mito associado à Regionalização no território continental é o do potencial perigo duma desagregação do País. Vários políticos e até intelectuais de elevada craveira estão convencidos de que corremos mesmo o risco de Portugal ver um dia a sua unidade nacional desfeita por acção de forças centrífugas que seriam geradas, conscientemente ou não, a partir dos órgãos de poder das futuras Regiões Administrativas.

Sustenta-se este receio fundamentalmente nos exemplos da vizinha Espanha e da Região Autónoma da Madeira, esquecendo-se que a unidade nacional espanhola já estava em risco antes da instituição das Comunidades Regionais, que não foi de todo agravada por esta reforma – muito pelo contrário, as tensões existentes foram gradualmente sendo transferidas para o jogo político democrático –, que são baseadas em diversidades étnicas e linguísticas que não se verificam em Portugal e, sobretudo, esquecendo-se que as regiões espanholas têm um estatuto de Autonomia, algo semelhante aos das nossas Ilhas, mas que não é de modo algum comparável ao estipulado na nossa Constituição para Portugal Continental, onde as Regiões serão meramente administrativas, ou seja, comparáveis às actuais Autarquias.

Contrariamente, quem esteja familiarizado com a experiência regionalista em quase toda a Europa comunitária sabe que a implementação de Regiões Administrativas em Países semelhantes a Portugal, nomeadamente constituídos por Povos com características étnicas e culturais muito homogéneas – como a França e a Hungria, por exemplo –, não só não pôs minimamente em perigo a coesão desses Estados, como contribuíu muito positivamente para o reforço da identidade e da unidade dos mesmos, através de uma valorização equilibrada e homogénea das suas diferentes parcelas territoriais!

E certamente que um francês não se sente nem um milímetro menos francês por se sentir mais orgulhoso da sua Região, seja ela o Languedoc ou o Rossilhão (tirando talvez uma meia-dúzia de idealistas na Bretanha…), assim como nenhum dos nossos avós se terá sentido menos português quando foram instituídas as célebres Províncias, já que não há qualquer incompatibilidade entre ser-se alentejano, minhoto, duriense ou ribatejano de boa cepa e sentir-se muito orgulhosamente português!

Mais complexa será a situação especial do Arquipélago da Madeira, onde um certo excesso de vedetismo dos políticos regionais terá já criado a sensação incómoda (e bem real?) de que os madeirenses têm hoje já mais orgulho na sua Região Autónoma do que no seu País.

Mas a ser assim, então melhor será que o admitam frontalmente, quanto antes, para se encararem as soluções políticas óbvias para esse sentimento, que só poderiam resultar numa total independência do Arquipélago, ao que aliás não parece haver grande oposição em Portugal Continental e nos Açores, obviamente desde que seja essa a vontade do eleitorado madeirense democraticamente expressa nas urnas.

Contudo, e se não for esse o caso, então o referido excesso de vedetismo deverá ser de imediato ponderado e refreado, não só para não se instalarem este tipo de dúvidas, como sobretudo para evitar que esse sentimento de incomodidade continue a pairar, muito negativamente, por sobre a discussão sobre a Regionalização!

Porém, ainda muito mais grave do que isso seria a instalação, na mentalidade dos portugueses, da suspeita de que a Regionalização seria vista por alguns como um autêntico “cavalo de Tróia” para a afirmação de interesses meramente locais ou regionais, que se pretenderiam ilegitimamente sobrepor ao superior interesse nacional! Falemos claro: a maioria das pessoas que votaram “não” no anterior referendo fê-lo com esse mesmo receio. Pior do que isso: a maioria das pessoas que possui esse receio desconfia de que, mais a Norte do que a Sul, apenas se defende cinica e estrategicamente a Regionalização como melhor forma de se poder “passar por cima” do Governo português!

E a verdadeira Regionalização não é nem pode vir a ser nada disto, uma Regionalização séria não poderá nunca padecer do “síndroma madeirense”, pois se alguém se sentir, por exemplo, mais “nortenho” ou mais seja lá o que for do que português, então esse alguém é um MAU DEFENSOR DA REGIONALIZAÇÃO e deve, em vez de afirmar defendê-la, ser coerente, intelectualmente honesto e suficientemente corajoso para propor a separação de Portugal em dois (ou mais) novos Países!

Porque a realidade é que, sem esta clarificação, nunca se conseguirá desvanecer o receio de que isto aconteça, um dia, nas pessoas que votaram “não” por este motivo! E só enfrentando e desmentindo cabalmente esta suspeita é que esses votos poderão alguma vez ser conquistados pelo “SIM” à Regionalização, de preferência já no próximo Referendo! Só confiando seguramente que os regionalistas, de Norte a Sul, são tão (ou mais) portugueses do que os “anti-regionalistas” é que este primeiro mito será definitivamente desfeito!

Por isso cabe-nos a todos nós, beirões, trasmontanos, lisboetas, algarvios, portuenses e por aí fora, defensores acérrimos ou críticos dessa grande reforma do Estado que será a implementação das Regiões Administrativas no território continental português, deixar bem claro, sem margem para dúvidas, de que, em qualquer circunstância, poremos sempre o interesse nacional acima dos interesses regionais!

Da mesma forma, bem entendido, e com toda a coerência devemos demonstrar que, em todas as circunstâncias e seja qual for a fórmula encontrada para a sua “instituição em concreto”, os interesses da nossa Região terão SEMPRE de sobrepor-se aos interesses dos seus Municípios! Como logicamente os interesses concelhios se deverão sobrepor aos da nossa Freguesia. Só assim, aliás, haverá legitimidade para exigir a aplicação rigorosa do princípio da subsidiariedade!

Só desta forma, insistindo e respeitando esta perspectiva pedagógica, honesta e coerente de hierarquização administrativa, se poderão conquistar as mentes e os corações dos que ainda vivem à sombra deste mito e que, por esse motivo, temem o fim da unidade de Portugal por causa da Regionalização…


(Por A. Castanho no "http://evolucoesdeabril.blogspot.com/" em 15-03-2007)

os restos do iluminismo


Os anti-regionalistas consideram que a regionalização do país traria para a política local um sem número de políticos sem escrúpulos, aldrabões, mal preparados e despesistas, eleitos por populações que, concluiu-se, se deixariam facilmente enganar nos actos eleitorais. Trata-se de um evidente preconceito anti-democrático, como já aqui foi assinalado, que põe em causa a capacidade popular de ajuizar correctamente as suas escolhas políticas e de as corrigir na eventualidade de as ver defraudadas.###Mas este preconceito tem outros corolários e envolve outras consequências. Em primeiro lugar, ele significa, a contrario sensu, que a situação actual é melhor porque o povo tem um reduzido controlo sobre quem o governa. De facto, não se pode presumir que o mesmo povo seja lúcido nas suas escolhas nacionais e irracional nas suas escolhas locais. Por conseguinte, isso só pode significar que os anti-regionalistas consideram que o controlo popular do aparelho do poder é actualmente muito reduzido, e que quanto menos o povo meter o bedelho nas coisas da governação mais feliz será. Em segundo lugar, ele significa que só um reduzido número de políticos - os eleitos da virtude, consegue superar as vulgares paixões do poder e colocar-se acima da vulgaridade. Essa elite dirigente não se encontra certamente na província, antes ruma à capital onde pode e deve ser apreciada.Em última análise, o preconceito anti-democrático dos anti-regionalistas resulta da mentalidade iluminista de que o pombalismo e o Terreiro do Paço foram e são os símbolos maiores em Portugal. Como, na verdade, há tempos se escrevia aqui, essa mentalidade está bem viva e anda à solta por aí.
(Por Rui A. no "http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/" em 7-01-2007)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O Monte da Virgem ofendido , ou o prolongamento da crónica do Rogério

Para os estimados bussolistas que ainda não tiveram ocasião de ver o post do Rogério Gomes que reproduz uma crónica publicada no jornal Público da semana finda , permito-me pedir que não deixem de o ler , porque a sua leitura e a meditação que induz é absolutamente obrigatória.

Obrigatória para quem ainda tenha dúvidas sobre a camisa de forças em que o Terreiro do Paço nos enfiou depois do Não ao tristemente célebre referendo da Regionalização e também imperdível para quem se está a dar ao incómodo de ler este meu post, já que ele é um prolongamento do que disse o Rogério. Com uma respeitosa vénia.

Esta sexta -feira , numa atitude de recato preparatória dos carnavais que se seguiam, fiquei em casa e decici ver o novo talk show do José Carlos Malato , que é a nova sala de visitas da RTP , orfã destas coisas desde a transferência do Herman para a SIC.

Depois de já ter participado numa das novas versões do Portugal no Coração após o seu desvio dos estúdios do Monte da Virgem para as novas instalações da RTP na zona da EXPO , tinha curiosidade em perceber porque é que este programa do Malato , que nasceu para a televisão em V N Gaia , tinha que ser tambám feito nos estúdios da capital.

Concluí o que já previa. Nenhuma surpresa. Quer o programa agora conduzido por João Baião e Tânia Ribas de Oliveira , quer esta Sexta Feira à Noite de Malato , só são feitos em Lisboa porque a RTP assim o deseja. Qualquer um deles poderia ser realizado no Monte da Virgem sem prejuízp algum.

Bem. Estou a exagerar. Como quer a um quer a outro a maior parte das pessoas que lá se querem levar são de Lisboa e arredores , com particular incidência no famoso eixo Lisboa Cascais , é mais barato ter os estúdios em Lisboa do que correr o risco de ter que pagar as deslocações ou outras mordomias a toda esta gente.

O poder da Comunicação não se resume à informação , hoje tão bem controlada como o Rogério já explicou em duas penadas. Também no entretenimento se disputa esse enorme poder que tudo decide e tudo condiciona e por isso também aí os nossos amigos da capital não facilitam : Assim como assim é melhor jogar em casa.


(Por Manuel Serrão no "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 3-02-2008)

“Porto Cidade Região”. E a informação?

Segui com natural interesse e razoável expectativa o 3º Encontro Porto Cidade Região, uma muito louvável iniciativa da Universidade do Porto que assim assume o seu insubstituível papel de catalizador de reflexão e de procura de novos caminhos para o desenvolvimento regional. Teremos naturalmente que esperar pela redacção das suas conclusões para uma percepção clara do peso que algumas extracções entretanto feitas pelos órgãos de comunicação social terão no relatório final, desde logo o relatado consenso à volta da necessidade da Regionalização que, com a completa conversão de sectores anteriormente renitentes, como é o exemplo de Rui Rio, daqui só pode sair reforçada.
O que motiva este meu impulso para intervir no espaço público é a ausência deste encontro de um tema que penso incontornável, quer pensando no desenvolvimento económico e social strictu sensus da região quer na Regionalização: o da informação/comunicação social.
Tenho a certeza de que é um sector absolutamente estratégico, custa-me perceber que ele não tenha estado no centro das reflexões deste considerável conjunto de “massa crítica” reunido para debater o futuro regional, o nosso futuro.
Dois vectores, entre outros, possíveis de avocar para perceber a importância da informação/comunicação para o desenvolvimento regional.
A identidade. A comunhão de interesses, a proximidade social e uma definição cultural mínima são pontos centrais para se ganhar a opinião pública para um projecto tão estrutural e ao mesmo tempo polémico como é a Regionalização. Explicar as vantagens económicas e sociais da constituição em Região, relevar o conjunto de características e de costumes que unem as populações e aprofundar a cultura que faz a diferença com outras regiões não podem deixar de ser objectivos dos defensores do processo político que levará até à Regionalização (com ou sem referendo).
A propriedade e os conteúdos: Em que terreno se fará esta autêntica batalha ideológica em prol da Região Norte? Claramente na comunicação social. E quem domina a comunicação social, na sua propriedade na opinião publicada? Não são claramente adeptos da Regionalização ou sequer de uma descentralização políticio-administrativa minimamente séria.
Este tem sido um terreno (a par do sector bancário) em que o centralismo nunca facilitou.
Desde a atribuição das rádios regionais, com a derrota da Rádio Nova em favor de uma Rádio Press que não passou de um instrumento para chegar ao que é hoje a cadeia TSF, que nunca cumpriu o espírito de uma Lei que na sua origem apontava para a existência de uma emissora regional (onde está ela?); passando pela privatização do “Jornal de Notícias”, primeiro negado ao comendador Gonçalves Gomes que quis comprá-lo e de pois literalmente “roubado” à cooperativa dos seus jornalistas que tinha o apoio do Grupo Amorim; pela atribuição das licenças de TV privadas, com a Sonae a ser preterida em favor da Igreja, que depois, como era previsível, não aguentou o projecto e passou-o a terceiros; o fecho da NTV, em que a opção política se sobrepôs claramente ao interesse regional; com a recente venda do conjunto de publicações do grupo Lusomundo em que uma vez mais a Sonae ficou para trás…
E se formos aos conteúdos, onde está a expressão regionalista nas colunas ou nos espaços opinativos das rádios e das televisões? Contam-se pelos dedos os colunistas claramente comprometidos com opções regionalistas e a muitas vezes acantonados em edições locais… Passemos mentalmente em revista jornais, rádios e televisões nacionais (é claro que o conceito “nacional” se confunde com sede em Lisboa) e é fácil concluir que o Porto e Norte estão esmagadoramente arredados desses espaços e as poucas excepções a este 3º Encontro Porto Cidade Região,ostracismo estão confinadas ao futebol ou a programas de entretenimento fora dos horários nobres.
E lembremos o que foi acontecendo com as em tempos poderosas delegações do “Expresso” ou do “DN”, ou das hoje inexistentes representações institucionais do “Semanário” ou do “Sol”; da não surpreendente falta de peso nos noticiários nacionais das delegações da SIC ou da TVI e mesmo da incerteza do que será a produção informativa da RTP (seja para a “N” ou para os jornais nacionais)… O “Público” é um jornal com natural vocação nacional com espaço reduzido para a informação local ou regional e o “JN”, com o respeito devido ao seu êxito comercial, perde-se entre o seu mercado natural (regional) e uma ambição nacional que o próprio mercado se vai encarregando de negar todos os dias (já agora, será natural que o actual paradigma do jornal do Norte esteja em simultâneo desavindo com o presidente da Câmara e da Área Metropolitana do Porto e tenha tão “má consciência” em relação ao FC Porto?).
E a questão que fica para os intervenientes no 3º Encontro Porto Cidade Região é simples: em que meios vão ter espaço para explanar e expor consistentemente as suas ideias? Não foi o Norte pujante quando tinha o “Jornal de Notícias”, “O Comércio do Porto” e “O Primeiro de Janeiro” interventivos, sem complexos e claramente ao serviço da população do Porto e da Região? No preâmbulo da República, durante o Estado Novo ou no “Verão Quente” foi nas suas páginas que as principais figuras portuenses encontraram espaço para a sua opinião e para as sementes da mudança ou da resistência.
Em que jornal, rádio ou televisão não é preciso mendigar espaço para defender a Regionalização ou ser “politicamente incorrecto” para com o centralismo? E as autarquias? As suas iniciativas, o seu dia a dia, que é o do cidadão comum, não merecem espaço digno, mais do que as parcas colunas das “Regiões” ou da “Província” onde sai arrumadas para não parecer mal?
O exemplo da comunicação social regional por toda a Espanha devia ser um exemplo e uma prova da vitalidade de projectos absolutamente viáveis e, repito, indispensáveis à afirmação regionalista.


(Por Rogério Gomes no jornal "Público" em 2-01-2008)

Regionalização

Estão dispensados de ler este post os anti-regionalistas, as carpideiras, maldizentes, os moralistas e falsos moralistas, os que vêem segundas intenções em tudo de que o povo gosta, etc , etc .
Mais uma vez a Regionalização.
Porque votei e perdi uma vez, porque acredito que a sociedade evolui, porque acho que é essencial para o desenvolvimento sustentado e equilibrado do país, porque numa Europa cada vez mais competitiva é essencial.
Há dias - o Rogério Gomes já aqui deu nota disso - a Universidade do Porto organizou o 3º Encontro Porto Cidade Região.
Do encontro ressaltou uma coisa bem clara. Até aqueles que se mostraram cépticos noutros tempos relativamente à Regionalização entendem-na agora como essencial no combate "à tendência macrocéfala da decisão política" (Rui Rio) e um passo fundamental para a "emancipação política" (Carlos Lage ).
Tudo isto deve ser feito sem "lamúrias" (Reitor da Universidade do Porto).
O debate foi importante, vivo mas em circuito fechado. No Porto, com os do Porto, para os do Porto.
Até os jornais de grande circulação "atiraram" com isto para o "Local" ou "Porto"!...
Esteve cá é verdade, o Secretário de Estado das Cidades que se afirmou também ele ser pela regionalização.
A Regionalização não é um problema do Porto é de todo o país.
Um dos casos mais interessantes de evolução nesta matéria é o do actual Presidente da UNICER, como se sabe a maior cervejeira portuguesa, que tem sede em Leça do Balio-Matosinhos .
Ex-Deputado, alto dirigente do PP, figura activa na vida política, contundente nas atitudes foi convictamente anti-Regionalista .
Até vir para o Norte! Digo eu...
Ao fim de um ano por estas bandas já se diz regionalista. Porque será?
Simples. Teve que sair do centro de todas as decisões, em Lisboa, e mesmo tendo vindo gerir um grande grupo económico facilmente percebeu que a "ponte aérea" é uma realidade confrangedora para os de cá ou que por cá estão.
Já agora.
A semana passada escrevi aqui sobre a "libertação" das zonas ribeirinhas de Lisboa, Porto, Matosinhos e VNGaia das respectivas áreas portuárias.
Era um disparate legal que finalmente tinha sido reparado. E foi. O problema é que só foi regulamentado para Lisboa. Com grande festa Sócrates "devolveu" 14 quilómetros de Lisboa a António Costa.
Pois!
A questão é simples.
Porque é que não se fez tudo ao mesmo tempo?
Será que alguma vez se vai fazer?
Ou será que ao resolver o problema de Lisboa já se entende que está tudo resolvido?
Sou pela Regionalização.


(Por Fernando Rocha no "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 31-01-2008)

domingo, 27 de janeiro de 2008

EXPO 98 - Dez anos depois a estória dos paquetes continua por contar



Passam este ano 10 anos sobre aquela grande operação de promoção de Portugal no mundo, como rezava a publicidade oficial , mas que 10 anos depois só se consegue explicar como a grande mais valia que trouxe à capital do império.

Dez anos é muito tempo como cantava o Paulo de Carvalho e o que vemos hoje como grandes reflexos dessa operação em que o país investiu milhões de contos dos antigos são só vantagens para a nossa querida capital.

Dez anos depois Lisboa passou a ter um fluxo de turistas como nunca tinha tido antes da EXPO e graças a ela conseguiu recuperar em tempo recorde e com custos impensáveis uma enorme zona degradada que é hoje uma das suas partes mais requisitadas e valorizadas para comprar habitação ou escritório.

Dez anos depois Lisboa tem hoje fama de ser uma das cidades da Europa que melhor combina tradição com modernidade numa operação relâmpago que resultou de um esforço nacional que se pode aplaudir , mas que ninguém nunca agradeceu.

Dez anos depois continua sem se perceber muito bem como acabou a estória dos paquetes que foram alugados para uns milhares de clientes que nunca por cá apareceram , nem se sabe muito bem o que aconteceu aos responsáveis pela graça. Muito menos se sabe onde páram os responsáveis pelos responsáveis dessa tramóia que lesou os cofres do Estado em milhões.

Por falar em obras e em dez anos o que é que seria se as intermináveis obras do túnel do Terreiro do Paço ( que são daquelas que continuam , mesmo depois de acabadas..) em vez de serem à beira Tejo , fossem noutro qualquer terreiro deste nosso belo país à beira mar plantado ?

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola

Margem do Douro

(Por Manuel Serrão no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 27-01-2008)

Uma equipa só joga o que a outra a deixa jogar

«O Porto?! Esqueça o Porto! O Porto não vai a lado nenhum. Quer ser igual a Lisboa. As pessoas do Porto não se entendem umas com as outras e só sabem estar sempre a lamentar-se. Esqueça o Porto!».

Esta frase reproduz aproximadamente a resposta dada por Augusto Mateus ao meu amigo Daniel Deusdado, quando ele introduziu na conversa o tema Porto.

Para os mais distraídos, informo que o Daniel é um militante da causa nortenha e o inventor daqueles que são provavelmente os mais inovadores e frescos produtos portugueses de Media que viram a luz do dia neste século– o Inimigo Público e a Liga dos Últimos.

O encontro com Augusto Mateus foi obviamente em Lisboa, local de peregrinação semanal do Daniel. A isso é obrigado por via dos negócios que mantém com as Produções Fictícias e da necessidade de arranjar trabalho e contratos para a sua produtora de televisão (Farol de Ideias).

Para os mais distraídos, informo que Augusto Mateus, ex-ministro da Economia de Guterres, é um dos mais proeminentes e influentes membros da inteligência socialista – e tem lugar garantido na lista das 500 mais capazes cabeças do nosso país.

«Esqueça o Porto!», o conselho de amigo dado por Mateus ao Daniel, já foi seguido por milhares de quadros nortenhos que ou fizeram as malas e emigraram para a capital – ou então enchem os Alfas na madrugada e manhã de 2ª feira e tardes de 6ª.

Esquecer o Porto foi o que já fez o Governo Sócrates - e não é preciso usar óculos para ver o trágico resultado deste esquecimento.

Quase metade dos 450 mil desempregados oficiais do IEFP (os números que retratam a triste realidade são bem mais cruéis) são no Norte.

Dos 150 mil desempregados sem qualquer espécie de rede social (ou seja deixaram de estar habilitados a receber qualquer tipo de subsídio) a esmagadora maioria (90 mil) são do Norte.

O Vale do Sousa é a zona do país onde se regista a mais elevada taxa de desemprego (11%).

O Norte é a segunda região quando se trata de contribuir para o PIB mas a última no momento da distribuição da riqueza (quem tiver dúvidas faça a fineza de consultar as estatísticas do INE sobre a distribuição regional do PIB).

Os números mostram outra verdade de sangue. Nada está a ser feito para inverter esta tendência. O Porto recebe apenas 1/3 das verbas transferidas do Orçamento de Estado em 2005. As verbas do Pidacc para o distrito caírem em mil milhões de euros. Um bilião a menos!

Se a crise que dilacera o coração do Norte tivesse o epicentro em Lisboa, já teria sido estabelecido o pandemónio. Ninguém conseguiria atravessar o Tejo nos cacilheiros da Transtejo. Os trabalhadores do Metro e da Carris estariam em greve por tempo indeterminado. Os funcionários públicos ficariam em casa. As bandeiras negras seriam hasteadas. E o Governo, aterrorizado, já se teria precipitado em apagar o fogo com dinheiro, comprando Auto-Europas e faraónicas obras públicas que decapitassem a crise.

Numa coisa Augusto Mateus tem razão. Uma parte da culpa por este estado de coisas é nossa. Uma equipa só joga aquilo que a outra a deixa jogar. Não podemos gastar o tempo em lamúrias, como velhas nas salas de espera de um Centro de Saúde, e esperar sentados que o Terreiro do Paço abdique voluntariamente do poder absoluto que concentrou - e se convença que o resto do país não é só paisagem.

Os vistosos sucessos do FC Porto e da Sonae provam que se soubermos ser competentes e profissionais conseguiremos triunfar, apesar de termos de ser duas vezes mais capazes e trabalhadores para superar o vento contra e as armadilhas que nos espalham no caminho.

O problema é que o individualismo inscrito no código genético nortenho é uma característica positiva quando se trata de esgravatar saídas para a crise e de furar vidas (e é o pai da rede de PME que caracteriza o tecido empresarial nortenho) mas é negativo quando se trata de unir forças.

Estamos calhados para nos desenrascarmos. Ao cada um por si. Mas o facto de não estarmos habituados a voar em formação é pernicioso para a causa do Norte.

Para triunfarmos – e isso significa regionalização e um Governo do Norte, com poder e já! – temos de falar a uma só voz. Nenhum exército ganha uma batalha se cada um dos soldados estiver indisciplinadamente entretido a lutar por si e para seu lado.

Segunda e terça feira, a Universidade do Porto promove no Palácio da Bolsa um conclave em que participarão uma centena de personalidades nortenhas, entre as quais se contam Daniel Bessa, Rui Moreira, Sobrinho Simões e Artur Santos Silva.

Seria bom que este conclave fosse o primeiro passo no sentido da criação de um movimento que combata pelo progresso da região. Não faltam generais. O que faz falta é um estado maior coeso e um exército disciplinado.

Usando a imagem do meu amigo Manuel Serrão, o Batalhão Bússola, do Exército da Salvação Nacional, está às ordens – e já abriu as hostilidades.


(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 25-01-2008)

triporto: artigos de interesse publico...

Pinho é forte candidato a ganhar prémio IgNobel da idiotice


Não tenho a mínima dúvida. Manuel Pinho e a sua campanha publicitária Retratos da Costa Oeste da Europa são sérios candidatos a conquistar para o nosso país o primeiro dos célebres prémios IgNobel, que todos os anos, pelo Outono, são entregues em Harvard, por iniciativa da revista de humor cientifico Annals of Improbable Research.

Nunca como agora, com esta campanha a todos os títulos bizarra, tivemos tamanha oportunidade de entrar numa prestigiada lista onde figuram, entre outros, o químico japonês Mayu Yamamoto, distinguido por lograr extrair fragância da baunilha do esterco de vaca, e o trio de linguistas Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Nuria Sebastian-Galles, por terem descoberto que os ratos não podem distinguir entre gravações em japonês e holandês quando elas são tocadas de trás para frente.

No próximo Outono, quando for do anúncio dos prémios IgNobel 2008, todos nós estaremos a um tempo confiantes e com a respiração suspensa. Pinho tem muito mais hipóteses de arrebatar um IgNobel do que o patriarca de Lisboa já alguma vez teve de se sentar na cadeira de S. Pedro.

A campanha Retratos da Costa Oeste da Europa, da co-autoria Pinho/BBDO, é demolidoramente bela na estupidez que evidencia, seja qual for o lado por que é observada.

Não estaria ao alcance da cabeça de uma pessoa normal e meridianamente inteligente fazer uma campanha de «outdoors» e de imprensa em Portugal com o objectivo de promover no estrangeiro uma nova imagem do nosso país. Só um génio como Pinho poderia conceber esta ideia.

Não lembraria nem ao careca pagar 160 mil euros de «cachet» a um anónimo John Smith britânico, que por acaso se chama Nick Knight (1), para tirar os tristes e sombrios retratos desta campanha. Só um inteligente cabeludo como Pinho poderia assinar este cheque.

Não consigo recordar-me de alguém com dois dedos de testa que fosse capaz de aprovar um cartaz em que o nome do fotógrafo estrangeiro aparece com o dobro do tamanho das vedetas do país que se pretende promover, Só um visionário destravado com Pinho aceitaria isso.

Não estaria ao alcance do mais pintado dos descarados mandar fazer um «outdoor» onde nos vangloriamos de ter a maior central de energia solar do Mundo, quando só no estado do Arizona há duas maiores que a nossa. Só uma luminária como Pinho teria lata para isto – e desconfio que para muito mais.

Um país em que o Ministro da Economia abençoa uma campanha tão catastrófica como esta, não pertence à Costa Oeste da Europa, no início do século XXI, mas sim à balbúrdia do faroeste americano, nos primórdios do século XIX.

Mas não vale a pena ficarmos tristes. Ainda há uma coisa que nos pode salvar.

Os três milhões de euros desta desastrada campanha não serão dinheiro deitados pela janela fora se, em Outubro, comoespero e anseio, Pinho por distinguido com um IgNobel.

Uma campanha de imagem de um país cujas proporções catastróficas assumem proporções bíblicas tem o direito de permitir ao nosso Ministério da Economia um prémio igual que no passado recente distinguiu o Wright Laboratory, da Força Aérea dos Estados Unidos, por sugerir a pesquisa e o desenvolvimento de uma «bomba gay» que poderia fazer com que os soldados inimigos se ficassem sexualmente atraídas uns pelos outros e desatassem a amar-se e a fazer sexo uns aos outros.
(1) Será que este Nick que o Pinho desencantou é alguma coisa ao Michael Knight, papel desempenhado por David Hasselhoff na série televisiva «O Justiceiro», que usava no seu combate ao crime um carro amestrado, um Pontiac Firebird Trans-Am computadorizado e com uma liga molecular que o tornava indestrutível, a prova de fogo e balas, além de dotado do computador K.I.T.T.(Knight Industries Two Thousand) que comandava todas as funções do carro e ainda por cima falava?
(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 16-01-2008)

O negócio das ideias

Rivoli, Bolhão, Mercado Ferreira Borges

Felizmente a Torre dos Clérigos não está sob a alçada da maioria PSD/CDS da Câmara do Porto ou já teria sido entregue a privados e transformada num hiper ou num condomínio de luxo. Rui Rio não faz a mínima ideia do que há-de fazer com o património municipal, e não tem (nisso há que reconhecer-lhe desassombro) problema algum em assumir que ideias não são o seu forte. A única ideia que lhe ocorre quando não lhe ocorre ideia nenhuma é abrir um concurso de ideias (para o Bolhão, para o Ferreira Borges, para isto e aquilo). Ou então, como com La Féria no Rivoli, comprar ideias prontas a servir. O negócio que, por estes dias, está a dar, no Porto, é o "catering" de ideias. Conceber e levar a cabo políticas públicas municipais dá trabalho e exige esforço intelectual e ninguém, na maioria PSD/CDS, está disposto a fazer horas extraordinárias ou a apanhar uma meningite. Aí há que reconhecer, igualmente, lucidez a Rui Rio, ele sabe de quem está rodeado. Por isso arranjou uma solução engenhosa paga a quem pense pelos seus vereadores e mete conta aos munícipes. Devemos estar-lhe gratos. Sairia muito mais caro à cidade se a vereação desatasse a pensar pela sua cabeça e a ter ideias do que Rui Rio mandar comprá-las fora.


(Por Manuel António Pina no "Jornal de Notícias" em 24-01-2008)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

triporto: Welcome to Portugal...sorry...welcome to lisbon...

Dupla ética - Metro

Metro Porto: Linha Gondomar ainda sem financiamento garantido.

No passado mês de Dezembro, foi tornado público um empréstimo de 400 milhões de euros que o Estado teve que fazer para prosseguir o plano de expansão do Metro de Lisboa.

A explicação para a dualidade de critérios vem na segunda notícia: "Os portugueses vão poder ir de qualquer ponto do Metropolitano de Lisboa até à estação ferroviária da Reboleira no primeiro trimestre de 2011." Como se sabe, o Metro de Lisboa serve todos os portugueses. O Metro do Porto só serve os portuenses.

Entretanto, ouvi esta manhã na rádio que o "túnel mais seguro do mundo", junto à estação do terreiro do paço, e que derrapou 165M€ (o custo de uma casa da música foi 130M€), já está a ter infiltrações. Mais um buraco para afundar o nosso dinheiro...

É curioso: no Porto é preciso batalhar durante meses, reunir um imenso lobbying, ..., para conseguir aprovar a execução de um conjunto de linhas de metro, e chegamos ao fim, e pagamos bilhetes mais caros que os de Lisboa, o dinheiro chega sempre atrasado, e por vezes nem chega. No Minho, como ainda não se conseguiu fazer barulho suficiente, o Metro é uma miragem: nem sequer está na agenda política do Estado Central. Mesmo que a sua rede "core" custasse tanto como a ligação a Sta. Apolónia. Mas em Lisboa, nunca há ondas. Tudo é rapidamente aprovado, sem complicações. Há portugueses de primeira e de segunda... e também há aqueles que só são cidadãos para o ministério das finanças, no final de cada mês.

Nota: Actualizando as conta do Antiprovinciano, a dívida do Metro de Lisboa deverá neste momento rondar 2,4% do PIB português. O suficiente para fazer o Aeroporto de Alcochete, incluindo derrapagens, e sobra para pagar os hospitais de Trás-os-Montes até 2030.


(Por Pedro Menezes Simoes no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 15-01-2008)

Intervenção ou Morte

Ao ver o programa Prós e Contras confirmei o que há muito suspeitava. Portugal neste momento vai do Algarve a Leiria, com colónias acima do Mondego, Açores e Madeira. Do Governo, passando pela comunicação social, passando pelos técnicos que determinam as opções estratégicas (todos do IST), todo este grupo apenas se interessa por desenvolver e fomentar dinâmicas no "seu" Portugal, que não é o nosso. Se depois de a região a Norte do Mondego passar por uma crise gravíssima e mesmo assim o Governo central despreza e tantas vezes entrava qualquer tipo de reacção ou iniciativa, chegou o momento de colocarmos a questão:

Interessa-nos entregar a esta gente as decisões fundamentais, partilhar o nosso espaço, o nosso dinheiro e sobretudo o NOSSO FUTURO?

A pergunta é mais pertinente do que nunca, pois as opções estratégicas que estão a ser tomadas agora vão desequilibrar a balança ainda mais e tornar um deserto toda a região acima do Mondego. Convém não cair em ilusões, pois todos seremos ainda mais prejudicados, desde o jovem à procura do primeiro emprego que terá que se deslocar, até ao empresário que quer desenvolver a sua actividade e terá condicionalismos e constrangimentos que irão impedir o seu negócio de atingir o seu potencial (para os mais cépticos, recordar a OPA Sonae-PT e lembrar como estar longe do poder central e respectiva área de influência contraria qualquer critério económico).

Por isso, se se assumem como pessoas que querem viver, trabalhar e construir o futuro no vosso espaço vital, sem ter de ceder a imposições de terceiros, chegou o momento da escolha: ou congregamos esforços de uma forma organizada, visível e intensa, sob a forma de partido/movimento, ou definharemos envergonhadamente, transformando-nos numa caricatura triste e decadente.


(Por Alexandre Rodrigues na "A baixa do Porto" em 15-01-2008)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Com afecto Sem açúcar

Eu não sei, não faço mesmo a menor ideia, onde é o que o Governo se inspira para tomar determinadas decisões, mas sei – tenho a certeza absoluta – de que não quero lá estar!Mas daqui, deste lugar, desta cidade que é Invicta, Nobre e Leal e neste espaço de um jornal que este ano completa 140 anos, manifesto a minha indignação pela mais recente medida governamental.

Pagar o aumento extraordinário de 2,14 por cento das pensões dividindo-o por todo o ano de 2008, só pode ser ter sido decretado por quem está bem na vida, não vai ao mercado ou supermercado, não paga transportes públicos, tem amigos médicos e farmacêuticos que lhes facilitam consultas e medicamentos “pro bono” – ou seja não ganha 300 euros de pensão pelo que não vai receber 70 cêntimos, (repito por extenso e em caixa alta: SETENTA CÊNTIMOS) mensais correspondentes àquela matemática…!

Não tenho pretensões a que o senhor Primeiro-Ministro e ilustres Ministros, Secretários e Sub-Secretários de Estado, Adjuntos e Assessores e Adjuntos de Adjuntos e Assessores de Assessores, leiam tudo o que eu escrevo (até porque às vezes também me saem umas irritantes gralhas…).

Mas, confiante de que os que têm como tarefa recortar a imprensa para o Governo passem de quando em vez uma vista de olhos pelo JANEIRO, (também estamos on line em www.oprimeirodejaneiro.pt) aqui fica o pedido de terem a amabilidade de incomodar o senhor Primeiro-Ministro José Sócrates com esta minha informação:

Com 70 cêntimos compra-se:

Em Janeiro – seis ou sete pães (em Lisboa papos-secos)
Em Fevereiro – um rissol
Em Março – um litro de leite
Em Abril - um bolinho de bacalhau
Em Maio – um quilo de arroz
Em Junho – um quilo de massa cotovelinho
Em Julho (recebem 1 euro e quarenta cêntimos) dá para um café e um pãozinho com manteiga, que é para comemorar!!!
Em Agosto – um iogurte (ou dois se estiverem em promoção e forem vendidos individualmente, o que normalmente não acontece…)
Em Setembro – um quilo de açúcar
Em Outubro – um croquete
Em Novembro – um pastel de nata e um café que é para comemorar o aumento no subsídio de Natal – sempre é 1 euro e quarenta cêntimos!!!
Em Dezembro – uma garrafa de água gaseificada que é para ajudar à digestão!!!

Claro que é necessário que estas compras sejam feitas com “conta peso e medida” e só em locais onde se pratiquem os preços mais baixos dos baixos.

Diz o Governo que esta medida é para beneficiar os pensionistas!!!Tenho para mim que o Governo de José Sócrates tem razão: os pensionistas iam ter uma congestão com os 15 euros de uma vez só!

Lá teríamos as urgências dos hospitais, que já quase não há, a serem invadidas com estes novos doentes! Pois que já se sabe que de 300 euros para 315, assim de repente, pode provocar um AVC de emoção!

Seria assim tão complicado pagar de uma só vez a quem recebe menos e deixar as prestações para os que usufruem de pensões superiores e mil euros?

Não peço “imaginação ao poder” porque está à vista que imaginação não lhe falta, mas peço que aceitem a minha indignação!

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Nota editorial

Assim, sim, senhor primeiro-ministro

Reconhecer os erros é um sinal de inteligência e bom senso.
O Governo decidiu voltar atrás na medida que apontava para o pagamento faseado em 14 meses dos aumentos das pensões, pelo que agora já anunciou que o pagamento vai ser na sua totalidade “na primeira oportunidade”.
Pois que decidiu muito bem. Legalmente bem!
Ontem escrevi a minha indignação.
Hoje seja-me permitida alguma satisfação pela decisão certa do Governo.
Que os pobres, os velhos, os doentes, os mais carenciados não podem estar sempre na linha última das prioridades.
Porque não têm poder reivindicativo, que é dado pelo dinheiro e pelas diversas influências, os que mais precisam devem ser tratados com toda a dignidade e respeito!
Não sei se uma das razões que levou a esta “emenda de mão” foi a notícia da situação vergonhosa que Almerindo Marques encontrou na Estradas de Portugal, com gente a gastar 10 mil euros por mês em combustível, 800 carros para 1.800 funcionários e gastos de seis milhões de euros anuais em combustíveis. Não vou hoje especular mais esta situação de despesa descontrolada de dinheiros públicos.
O que deveras interessa hoje é que os pensionistas vão poder receber o parco aumento, que vai dos 13 aos cerca de 24 euros, de uma só vez, como manda a lei, o bom senso e o respeito pelos direitos mais elementares dos cidadãos.
Assim, a minha indignação incontida de ontem, dá lugar a uma palavra de agrado e de reconhecimento também em nome dos que esperam que a comunicação social se mantenha atenta ao que parece serem pequenas coisas – coisas de…cêntimos!


(Por Nassalete Miranda no "O Primeiro de Janeiro" em 10-01-2008)

O Colete de Forças de Rui Rio

Não será por falta de apoios que Rui Rio não consegue impor-se na Câmara Municipal do Porto.

Pessoalmente, acho fenomenal que ainda exista quem espere dele grandes feitos e até já cheguei a pensar se não seria eu que por má fé inconsciente ou cegueira, não conseguia descobrir-lhe os méritos que outros aparentemente tão bem lhe reconhecem.

A verdade, é que por maior que seja a minha vontade em compreendê-lo não consigo retirar outra conclusão que não seja a de considerar que de facto não está à altura das exigências de que o Porto actualmente carece para se restaurar.

Mas, para além das limitações evidentes que tem revelado na função de cargo tão importante como é o de Presidente da C.M. do Porto, Rui Rio está ser vítima da sua própria estratégia.
Talvez instigado pelo acessor do urbanismo, o benfiquista Artqº. Ricardo Figueiredo, ainda temos viva na memória a entrada de "leão" na tomada de posse na edilidade portuense, com a tão abrupta como dispensável hostilidade com Pinto da Costa e indirectamente (quer se concorde ou não com a inovação) para com os sentimentos clubísticos da maioria da população afecta ao F. Clube do Porto.

A urgente necessidade de criar roturas e mostrar autoridade mereceu logo o aval das hostes centralistas em cujo discurso "pseudo-anti-provinciano" se quis inspirar, como o comprova a sua diplomática frase: " não é por berrar contra Lisboa que o Porto se afirma".

O resultado de toda esta mise-en-céne política com inconfessáveis ambições políticas mais alargadas (provavelmente malogradas), é que, mesmo agora, quando Rui Rio precisa de dizer coisas importantes como criticar o Poder Central, ninguém o ouve. E devia ouvir.
Ele tem razão quando se queixa do Govêrno por ainda não ter pago à Câmara uma dívida de 1 milhão de euros e de abrir os cordões à bolsa para comprar terrenos em Lisboa no valor de 13,4 milhões de euros, mas como não gosta de levantar a voz para reclamar o que lhe é devido, o Govêrno aplaude a cortesia e agradece o estilo.

A ser verdade, o mesmo se pode dizer quanto às reclamações tímidas que faz sobre a escassez de verbas do Estado para fazer face ao projecto de requalificação da Baixa, mas o maior responsável é outra vez Rui Rio, por ter errado redondamente nas "armas" que ele próprio escolheu para combater o sistema centralista com o qual, aliás, esteve em sintonia durante muito tempo.

Agora, Rui Rio começa a ter necessidade de se soltar do colete de forças em que se meteu, mas não é com conferências oferecidas a alguns "amigos" numa sala do Município (praticamente ignoradas pelos media da capital) que o consegue.

Rui Rio podia (e devia) ser popular sem ter de ser populista, mas não quer ou não sabe. Mas, agora, até era capaz de lhe dar jeito sabê-lo ser para, com toda a legitimidade, ter o povo ao seu lado a ampliar-lhe a voz que lhe falta para se fazer ouvir e exigir do Govêrno mais respeito e atenção à cidade do Porto.

Ora, quando é a própria população que não percebe porque não ouve o que Rui Rio anda a dizer ao Govêrno, por não saber falar com ela, como pode o autarca ambicionar que o povo saiba o que anda a fazer?

Uma certeza: o Governo centralista agradecerá novamente e até é capaz de prometer reservar-lhe uma medalha de bom comportamento, pelas falinhas mansas de que Rui Rio decidiu (em má hora) fazer uma bandeira.


(Por Rui Valente no blogue " http://renovaroporto.blogspot.com/" em 8-01-2008)