...Agora que as cimeiras e os tratados na capital do Império acalmaram um pouco, vamos ver se é desta que o Estado português tem tempo para pôr um fim às mortes no Porto...a não ser que estejam à espera que morra algum inocente por uma qualquer bala perdida...
Sobre este assunto alguns comentários interessantes:
O mundo do avesso
Enquanto o nosso primeiro-ministro, com aquele sorriso de provinciano deslumbrado consigo mesmo, reunia com o maior ajuntamento de facínoras que jamais foi feito na Europa, as coisas cá pelo Porto, e não só, pioraram.
Enquanto os nossos governantes andam entretidos a "resolver" os problemas de África, precisamente com aqueles que são os principais responsáveis pela infame situação dos povos desse continente, a incompetência das nossas polícias ganha contornos de record europeu. A famosa Polícia Judiciária - "uma das melhores do mundo" - depois de meses a ser literalmente gozada pela imprensa britânica, continua a sua incomparável saga de incompetência mostrando-se absolutamente incapaz de travar a onda de criminalidade violenta que assola o Porto. Depois de seis assassinatos em apenas 4 meses, vídeos na Internet e entrevistas nos jornais, a PJ continua às aranhas. Parece que só é capaz de sacar confissões às mães das infelizes joanas deste mundo. O senhor presidente da Câmara, nos intervalos da sua vida entre o gabinete da Câmara e os fins-de-semana em Viana, diz umas vacuidades sobre a situação.
Mas nada disto admira num país cujo procurador geral ouve ruídos estranhos no telemóvel, pensa que não é necessário um esforço suplementar na investigação do caso Casa Pia, apesar dos fortes indícios de continuada actuação de redes pedófilas em volta da instituição. Mas para fazer uma entrada de leão, e dar circo aos famosos "seis milhões" de cidadãos, nomeou uma procuradora especial para investigar a batota no jogo da bola. Esta, por sua vez, veio cá com grande aparato, usou três automóveis, e deslocou-se em grande velocidade pela cidade em holliwoodescas manobras de diversão.
Aquilo que interessa, aquilo que verdadeiramente afecta a vida dos cidadãos, ninguém mostra vontade de querer resolver. O senhor Sócrates e um tal de Durão (o tal que viu, com aqueles que a terra há-de comer, documentos que provavam a existência segura de armas de destruição maciça no Iraque, e mais tarde desertou do cargo de primeiro-ministro quando se apercebeu que não tinha arcaboiço para a dureza da tarefa), convivem com cleptocratas como o senhor presidente de Angola, déspotas como o senhor Mugabe, ditadores senis e ridículos como Ghadaffi (parece que é assim que o homem se chama agora) e esquecem-se dum país real que se afunda e onde cada vez mais, particularmente nesta região, os seus melhores voltam a ter que emigrar aos milhares.
A festarola parece que custou largos milhões de euros. Não faz mal, fecham-se mais umas escolas, maternidades e urgências no interior.
Tirem-de daqui!!
(Por António Alves no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 10-12-2007)
Demitam-se as autoridades
Bem vistas as coisas, trata-se de criminosos da treta. Reparem: não alteram trajectos diários, deixam os corpos, as balas, anunciam os crimes antes de os realizar, envolvem-se em lutas nas ruas quando deviam evitar dar nas vistas, praticam o crime em locais com testemunhas, enviam SMS, está bom de ver que são uns gangsters fraquinhos.
Mas a tolerância tem que ser zero, e se a nossa Polícia não consegue resolver crimes à escâncara, tão precários como estes, tem que ser substituída imediatamente. Sem o mínimo receio ou adiar da situação, Polícia não resolve vai para a rua, não pode haver desculpas ou tentativas de minimizar a situação. Pagamos impostos para que estas situações não aconteçam, este ano pagamos milhares de euros em multas que acresceram às receitas dos impostos, não podemos tolerar uma incompetência destas. Se não houvesse rastos, se os corpos não existissem, até se tolerava. Agora num panorama destes, admite-se este comportamento por parte das Autoridades e do Governo?
O crime por encomenda não pode deixar ninguém seguro. Hoje são os empresários da noite, amanhã é outra pessoa qualquer. Desde o momento em que se sabe que há pessoas dispostas a matar que ficam impunes, não faltará dinheiro para pagar ajustes de contas, não faltarão criminosos dispostos a ganhar esse dinheiro, e não faltarão pessoas que se sentindo inseguras tudo farão para adquirir uma arma que hipoteticamente as defenda.
A Polícia não serve, demite-se a Autoridade e o Ministro.
(Por Cristina Santos na "A Baixa do Porto" em 10-12-2007)
Segurança: O vice-versa do centralismo não funciona
Aqui há uns anos, bastou que fosse ministro da administração interna uma figura do Porto, para que imediatamente a comunicação social centralista o desacreditasse e convencesse a opinião pública que o país passava por uma enorme vaga de assaltos, sobretudo a bombas de gasolina da “grande” Lisboa. Como disse o Manuel Serrão aqui, Fernando Gomes foi “praticamente acusado de violar a Lídia Franco em plena autoestrada”. Quando Gomes deixou o poder, magicamente acabaram os assaltos.
Passados uns tempos passa-se precisamente o contrário. No Grande Porto acontecem crimes muito mais graves, desde assaltos a bancos, a frequentes “car jackings”, até aos “simples” assassinatos selectivos. O que acontece? A Polícia actua? O governo centralista ou ministro já fizeram alguma coisa? E a comunicação social? Fez o mesmo tipo de cobertura?
PS: Ainda iremos mais longe? Acho que vale a pena ler o seguinte excerto desta notícia:
"Ele estava no passeio em Miragaia a disparar para baixo. Depois entrou no BMW escuro e acelerou em direcção à Foz do Douro. Ouviram-se então dois disparos para o ar. «Dizem que é a assinatura dele quando mata alguém», referem algumas testemunhas."
Nunca pensei ver uma descrição destas associada à minha cidade.
(Por João Medina na "A Baixa do Porto" em 11-12-2007)
triporto:...E no seguimento deste ultimo copy-paste e ainda relacionado com a passagem de Fernando Gomes pelo governo, volto aqui a colocar o seguinte comentário no mínimo excelente:
Faroeste, Dupla Ética e Xenofobia
Quase todos os meses víamos notícias sobre mortes e violência na noite de Lisboa. Recentemente o fenómeno chegou ao Porto, com várias mortes nos últimos meses. Curiosamente, o Porto foi rapidamente comparado à Chicago de Al Capone, os arautos do costume falaram em máfias, e repisou-se o novo estereótipo que querem impor aos tripeiros, uma verdadeira pentalogia do crime: Futebol, Câmaras municipais, Negócios da noite, Ministério Público, e Polícia.
Se há algo que salta à vista é a dupla ética dos meios de comunicação social. A violência habitual em Lisboa é tratada como uma coisa típica de uma grande metrópole, própria do desenvolvimento. A violência esporádica (pois não é habitual) no Porto, muito menor que em Lisboa, é tratada como uma coisa siciliana, própria de uma região sub-desenvolvida povoada por gente mafiosa.
Obviamente que isto são ideias que só poderiam vir de mentes peregrinas que vivem noutro mundo. As discotecas são um negócio excelente para lavar dinheiro (alguém passa factura?). A consequência é simples: tendem a ser dominadas pelo sub-mundo do crime. Mas os "iluminados" pensam que isso só acontece na terra dos outros.
Hoje, pelos vistos (infelizmente), os problemas com seguranças de discotecas voltaram a acontecer. Desta vez em Lisboa. Pergunto-me então se somos todos metrópole ou Sicília. Uma coisa é certa. Os arautos do costume não se atreverão a comparar a capital com Chicago, nem a falar de máfias a controlar a noite.
Por vezes pergunto-me se as gentes do Norte conseguem perceber a discriminação que sofrem nos meios de comunicação social (ainda por cima nos públicos, pagos por todos nós). Encontrei a resposta na leitura destes comentários. Os nortenhos não andam a dormir.
Recordo-me ainda do ex-ministro Fernando Gomes (e ex-presidente da CMPorto). Foi completamente perseguido pela imprensa por duas razões: por dispensar os cerca de 40 assessores de imprensa (grande poupança de custos) e por ser do Porto (e do FCP). A criminalidade não subiu, mas as notícias de crimes (sempre na linha de Sintra) não pararam enquanto ele não foi "remodelado". Até a Lídia Franco veio para os telejornais dizer que achava que a tinham querido violar.
A linha de Sintra ainda lá está, e a Lídia Franco continua... Mas agora surgiu uma nova onda de crime, que percorre as duas maiores cidades portuguesas. Começou desde que o Ministro Rui Pereira tomou posse. Pela mesma razão, os Media já deveriam estar a pedir a sua cabeça. Ah, mas falta a outra razão: ele não é do FCP...
Não sou ingénuo: a culpa não é dos lisboetas. É dos imbecis preconceituosos (e que sofrem de futebolite) que dominam a comunicação social. Ainda assim, confesso que por vezes me dói a alma de viver num país onde a xenofobia entre portugueses é tão impune, e onde a política tem mais em conta o futebol do que a justiça e o bem estar das populações.
(Por Pedro Menezes Simoes no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 3-09-2007)
Espaço de defesa de vários interesses do autor do blogue: Porto, FC Porto, Grande Porto, Região Norte de Portugal e denúncias constantes de um tema que afecta gravemente o país a todos os níveis, o eterno “centralismo da capital do Império”… Todos os "copy-paste" que aqui fizer reflectem as opiniões que tenho sobre os variados assuntos e quaisquer contribuições serão bem-vindas. Criticas, reclamações e insultos também são permitidos, desde que escritos em caracteres chineses...
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
...e o resto é paisagem
Acabei de ver no noticiário da RTP2, uma notícia acerca do lançamento de uma campanha governamental, baseada num audio-visual, destinada a dar uma nova imagem de Portugal no estrangeiro. O chefe da orquestra é o inefável ministro da Economia, o mesmo que patrocinou a parolíssima e idiota ideia de transformar o Algarve em allgarve. Sem rir, e com o ar mais solene possível, afirmou que se pretende que o país dê uma imagem de inovação, capacidade empreendedora, e não sei mais o quê.
Até aqui tudo bem, é o habitual show de irrelevâncias e fantasias a que os nossos governantes nos habituaram e que ninguém cá dentro leva a sério: é mesmo para inglês ver, só que estes também não vão acreditar. Basta olhar para as estatísticas, económicas e outras.
Mas o que sinceramente mais me irritou foi que, além de todas as figuras (menos uma) apresentadas como símbolos deste tal Portugal renovado, serem figurões de Lisboa, a banda sonora é um fado cantado por uma qualquer fadista lisboeta.
Por muito que queiram na capital, o fado não é a canção nacional. Nada tenho contra quem gosta dele, apenas apresento aqui o meu protesto (inofensivo e inóquo infelizmente) contra mais um abuso centralista: reduzir todo país à área da capital e pretender que os símbolos locais lisboetas sejam forçosamente símbolos nacionais.
Nada disto é novidade, eu já devia estar habituado. Mas não consigo!
(Por Rui Farinas no blogue "http://renovaroporto.blogspot.com/" em 10-12-2007)
Até aqui tudo bem, é o habitual show de irrelevâncias e fantasias a que os nossos governantes nos habituaram e que ninguém cá dentro leva a sério: é mesmo para inglês ver, só que estes também não vão acreditar. Basta olhar para as estatísticas, económicas e outras.
Mas o que sinceramente mais me irritou foi que, além de todas as figuras (menos uma) apresentadas como símbolos deste tal Portugal renovado, serem figurões de Lisboa, a banda sonora é um fado cantado por uma qualquer fadista lisboeta.
Por muito que queiram na capital, o fado não é a canção nacional. Nada tenho contra quem gosta dele, apenas apresento aqui o meu protesto (inofensivo e inóquo infelizmente) contra mais um abuso centralista: reduzir todo país à área da capital e pretender que os símbolos locais lisboetas sejam forçosamente símbolos nacionais.
Nada disto é novidade, eu já devia estar habituado. Mas não consigo!
(Por Rui Farinas no blogue "http://renovaroporto.blogspot.com/" em 10-12-2007)
Desabafos
Há demasiado centralismo em Portugal que é bem mais grave que propriamente o montante global da despesa em função do PIB, ou seja, o problema maior é que há uma má distribuição regional da despesa pública. É aqui que urge revisitar o conceito de regionalização como uma fórmula administrativa para reformar o Estado.
Em três anos (2003 a 2005) a despesa total movimentada pelos gabinetes do Governo atingiu o valor de 12,8 mil milhões de euros, sendo que só as despesas de funcionamento (aquelas que permitem que os ministérios trabalhem no seu dia-a-dia) totalizaram 216,3 milhões de euros. Só para se ter uma ideia, os gastos dos ministérios davam para construir três aeroportos da Ota e uma dezena de pontes iguais à Vasco da Gama.
Estamos a falar em despesas que dizem respeito a ordenados com assessores, chefes de gabinete, pagamento de pareceres e contratação de especialistas.
Há, sem dúvida demasiado centralismo em Portugal que faz com que seja urgente revisitar o conceito de regionalização como uma fórmula administrativa para reformar o Estado.
(Por Antonio Almeida Felizes no blogue "http://regioes.blogspot.com/" em 11-12-2007)
Em três anos (2003 a 2005) a despesa total movimentada pelos gabinetes do Governo atingiu o valor de 12,8 mil milhões de euros, sendo que só as despesas de funcionamento (aquelas que permitem que os ministérios trabalhem no seu dia-a-dia) totalizaram 216,3 milhões de euros. Só para se ter uma ideia, os gastos dos ministérios davam para construir três aeroportos da Ota e uma dezena de pontes iguais à Vasco da Gama.
Estamos a falar em despesas que dizem respeito a ordenados com assessores, chefes de gabinete, pagamento de pareceres e contratação de especialistas.
Há, sem dúvida demasiado centralismo em Portugal que faz com que seja urgente revisitar o conceito de regionalização como uma fórmula administrativa para reformar o Estado.
(Por Antonio Almeida Felizes no blogue "http://regioes.blogspot.com/" em 11-12-2007)
Importa-se de repetir?
Há uma semana, a magistrada Maria José Morgado teve uma frase que, que eu desse conta, passou em claro aos analistas: "Os tribunais julgam os casos, mas os casos também julgam os tribunais".
Mizé Morgado falou assim numa longa entrevista ao Diário de Notícias em que até disse que era do Norte e o seu pai era um adepto fanático do FC Porto. As opções clubísticas são de cada um e ninguém tem nada com isso.
Mas aquela frase surge num contexto do Apito Dourado e das suas investigações. E como me parece que os tribunais plenários acabaram há mais de trinta anos, uma magistrada, mesmo do Ministério Público, dizer o que disse Maria José Morgado é altamente discutível, para dizer o mínimo.
O que a dra. Morgado está a deixar entender é que se não houver condenações no caso, os seus colegas juizes que vierem a fazer parte do colectivo não terão feito bem o seu trabalho. Eu, simples jornalista, posso dizê-lo; ela, magistrada, mesmo que do MP. e ainda mais parte interessada no caso porque trabalhou nele, não pode. Ou pelo menos não deveria dizê-lo porque deveria observar um dever de reserva. Porque o que eu entendo do que ela diz é que não se pode ter inteira confiança na Justiça.
A dra. Maria José Morgado é, hoje por hoje, a magistrada mais mediática do país e a que melhor utiliza os jornais. Mas não tenho dúvidas que se outro magistrado qualquer, de província por exemplo, se permitisse dizer algo assim, iria ser chamado à pedra.
(Por Manuel Queiroz no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 9-12-2007)
Mizé Morgado falou assim numa longa entrevista ao Diário de Notícias em que até disse que era do Norte e o seu pai era um adepto fanático do FC Porto. As opções clubísticas são de cada um e ninguém tem nada com isso.
Mas aquela frase surge num contexto do Apito Dourado e das suas investigações. E como me parece que os tribunais plenários acabaram há mais de trinta anos, uma magistrada, mesmo do Ministério Público, dizer o que disse Maria José Morgado é altamente discutível, para dizer o mínimo.
O que a dra. Morgado está a deixar entender é que se não houver condenações no caso, os seus colegas juizes que vierem a fazer parte do colectivo não terão feito bem o seu trabalho. Eu, simples jornalista, posso dizê-lo; ela, magistrada, mesmo que do MP. e ainda mais parte interessada no caso porque trabalhou nele, não pode. Ou pelo menos não deveria dizê-lo porque deveria observar um dever de reserva. Porque o que eu entendo do que ela diz é que não se pode ter inteira confiança na Justiça.
A dra. Maria José Morgado é, hoje por hoje, a magistrada mais mediática do país e a que melhor utiliza os jornais. Mas não tenho dúvidas que se outro magistrado qualquer, de província por exemplo, se permitisse dizer algo assim, iria ser chamado à pedra.
(Por Manuel Queiroz no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 9-12-2007)
domingo, 2 de dezembro de 2007
Um país desigual
Governo limite valores no arrendamento jovem
A Grande Lisboa será a zona do país onde a renda máxima admitida para a atribuição do subsídio é mais elevada - 680 euros para uma casa de cinco ou seis assoalhadas. No Grande Porto, e para um apartamento arrendado exactamente com as mesmas características, a renda não poderá exceder os 450 euros
Discriminar é favorecer ou prejudicar um indivíduo ou um grupo de indivíduos emrelação a outros, com diferentes características. Discriminar positivamente (acção afirmativa) é favorecer um indivíduo ou um grupo de indivíduos, que à partida estariam emdesvantagem, com o objectivo de chegar a um ponto de equilíbrio.
Assim sendo, esta é, então, uma medida acertada, mas mostra, claramente, que este é um país desigual e com índices de desenvolvimento a duas velocidades..
(Por Antonio Almeida Felizes no blogue " http://regioes.blogspot.com/" em 30-11-2007)
A Grande Lisboa será a zona do país onde a renda máxima admitida para a atribuição do subsídio é mais elevada - 680 euros para uma casa de cinco ou seis assoalhadas. No Grande Porto, e para um apartamento arrendado exactamente com as mesmas características, a renda não poderá exceder os 450 euros
Discriminar é favorecer ou prejudicar um indivíduo ou um grupo de indivíduos emrelação a outros, com diferentes características. Discriminar positivamente (acção afirmativa) é favorecer um indivíduo ou um grupo de indivíduos, que à partida estariam emdesvantagem, com o objectivo de chegar a um ponto de equilíbrio.
Assim sendo, esta é, então, uma medida acertada, mas mostra, claramente, que este é um país desigual e com índices de desenvolvimento a duas velocidades..
(Por Antonio Almeida Felizes no blogue " http://regioes.blogspot.com/" em 30-11-2007)
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Vozes do Norte contestam obstáculos da ANA à Ryanair
O aeroporto do Porto arrisca perder a oportunidade de conseguir atrair, nos próximos sete anos, quatro milhões de passageiros da Ryanair. Tudo porque a ANA (empresa que faz a gestão dos aeroportos) não se tem mostrado receptiva a fazer algumas cedências que permitam a criação de uma base daquela companhia aérea de baixo custo no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. A possibilidade de o Norte estar a "desperdiçar" uma oportunidade de desenvolvimento está a indignar políticos e empresários. O PSD/Porto vai pedir esclarecimentos ao Ministério das Obras Públicas "por suspeita de favorecimento do aeroporto de Lisboa".
Depois de o presidente da Ryanair, Michael O'Leary, ter vindo a público acusar a empresa de estar a travar o crescimento do aeroporto do Porto, a ANA repudiou as declarações, numa nota de Imprensa, na qual dá a entender que em causa está a necessidade de dar as mesmas condições a todas as companhias.
Direitos iguais para todos
Para criar uma base, que implica espaço para escritórios e possibilidade dos aviões pernoitarem no Porto, a Ryanair pede um desconto de quatro euros por passageiro embarcado nas taxas cobradas pelo aeroporto do Porto. Em contrapartida, segundo documentos que o JN teve acesso, garante 1,5 milhões de passageiros no primeiro ano, e um crescimento sucessivo de meio milhão de passageiros até 2015. Além de cerca de 200 empregos directos.
"A ANA deseja mesmo muito que aquela companhia instale uma base de operações no Aeroporto Sá Carneiro, estando disponível para criar condições àquela empresa que possam ser legalmente suportadas e proporcionadas a qualquer outra companhia", refere a empresa, garantindo que actuará sempre "numa base de igual tratamento a todas as companhias áreas".
Mas o argumento não convence. "Por que é que a ANA não oferece o mesmo desconto nas taxas a qualquer companhia que garanta quatro milhões de passageiros nos próximos anos?", questiona Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), que foi contactado pela direcção da Ryanair para interceder junto da ANA.
Críticas à posição da ANA
"É mesmo uma posição de Estado. Se o aeroporto fosse privado isto não acontecia", refere Couto dos Santos, vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), acusando a ANA de estar a querer proteger o "monopólio" da TAP. "É muito estranho. Não aceitaremos decisões de parcialidade regional ", acrescenta Marco António Costa, dando conta de que, caso os esclarecimentos do Governo não cheguem ou sejam insuficientes, o PSD vai chamar o presidente da ANA e da Ryanair à Assembleia da República para se perceber o que se está a passar.
A decisão da ANA terá de ser tomada até ao final do ano, caso contrário a Ryanair escolherá outra cidade para localizar a base. Valência, Bristol, Belfast são hipóteses já avançadas, mas há dez localizações na corrida. Algumas podem servir de alternativa ao Porto e até vir a prejudicar o desempenho do Sá Carneiro.
"Há aqui quatro milhões de passageiros à mão de semear. Temo que isto possa servir de motor para o investimento na requalificação do aeroporto de Vigo", alerta Rui Moreira.
Desconto nas taxas
Para criar uma base no aeroporto Francisco Sá Carneiro, a Ryanair pede um desconto de quatro euros por passageiro embarcado (inclui viagens de ida e volta), verba a deduzir no valor total das taxas que o aeroporto cobra à companhia aérea de baixo custo.
Espaço para escritórios e pernoita de aviões
A base da Ryanair implica a disponibilização de espaço para escritórios no aeroporto, bem como a possibilidade de os aviões pernoitarem no Sá Carneiro, com tripulação e pessoal de manutenção das aeronaves.
Aumento de meio milhão de passageiros por ano
Com uma base no aeroporto do Porto, a Ryanair garante 1,5 milhões de passageiros ao fim de um ano de funcionamento e um crescimento sucessivo, durante sete anos, de meio milhão de passageiros anuais. Estima-se que cada cliente da low cost gaste nas imediações do aeroporto entre 125 a 150 euros. O acordo tem de durar pelo menos dez anos, estabelece a companhia aérea.
Emprego a 200 pessoas
Duzentos empregos directos são garantidos pela Ryanair com a instalação da base no Porto.
(Por Inês Schreck no "Jornal de Notícias" em 22-11-2007)
Depois de o presidente da Ryanair, Michael O'Leary, ter vindo a público acusar a empresa de estar a travar o crescimento do aeroporto do Porto, a ANA repudiou as declarações, numa nota de Imprensa, na qual dá a entender que em causa está a necessidade de dar as mesmas condições a todas as companhias.
Direitos iguais para todos
Para criar uma base, que implica espaço para escritórios e possibilidade dos aviões pernoitarem no Porto, a Ryanair pede um desconto de quatro euros por passageiro embarcado nas taxas cobradas pelo aeroporto do Porto. Em contrapartida, segundo documentos que o JN teve acesso, garante 1,5 milhões de passageiros no primeiro ano, e um crescimento sucessivo de meio milhão de passageiros até 2015. Além de cerca de 200 empregos directos.
"A ANA deseja mesmo muito que aquela companhia instale uma base de operações no Aeroporto Sá Carneiro, estando disponível para criar condições àquela empresa que possam ser legalmente suportadas e proporcionadas a qualquer outra companhia", refere a empresa, garantindo que actuará sempre "numa base de igual tratamento a todas as companhias áreas".
Mas o argumento não convence. "Por que é que a ANA não oferece o mesmo desconto nas taxas a qualquer companhia que garanta quatro milhões de passageiros nos próximos anos?", questiona Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), que foi contactado pela direcção da Ryanair para interceder junto da ANA.
Críticas à posição da ANA
"É mesmo uma posição de Estado. Se o aeroporto fosse privado isto não acontecia", refere Couto dos Santos, vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), acusando a ANA de estar a querer proteger o "monopólio" da TAP. "É muito estranho. Não aceitaremos decisões de parcialidade regional ", acrescenta Marco António Costa, dando conta de que, caso os esclarecimentos do Governo não cheguem ou sejam insuficientes, o PSD vai chamar o presidente da ANA e da Ryanair à Assembleia da República para se perceber o que se está a passar.
A decisão da ANA terá de ser tomada até ao final do ano, caso contrário a Ryanair escolherá outra cidade para localizar a base. Valência, Bristol, Belfast são hipóteses já avançadas, mas há dez localizações na corrida. Algumas podem servir de alternativa ao Porto e até vir a prejudicar o desempenho do Sá Carneiro.
"Há aqui quatro milhões de passageiros à mão de semear. Temo que isto possa servir de motor para o investimento na requalificação do aeroporto de Vigo", alerta Rui Moreira.
Desconto nas taxas
Para criar uma base no aeroporto Francisco Sá Carneiro, a Ryanair pede um desconto de quatro euros por passageiro embarcado (inclui viagens de ida e volta), verba a deduzir no valor total das taxas que o aeroporto cobra à companhia aérea de baixo custo.
Espaço para escritórios e pernoita de aviões
A base da Ryanair implica a disponibilização de espaço para escritórios no aeroporto, bem como a possibilidade de os aviões pernoitarem no Sá Carneiro, com tripulação e pessoal de manutenção das aeronaves.
Aumento de meio milhão de passageiros por ano
Com uma base no aeroporto do Porto, a Ryanair garante 1,5 milhões de passageiros ao fim de um ano de funcionamento e um crescimento sucessivo, durante sete anos, de meio milhão de passageiros anuais. Estima-se que cada cliente da low cost gaste nas imediações do aeroporto entre 125 a 150 euros. O acordo tem de durar pelo menos dez anos, estabelece a companhia aérea.
Emprego a 200 pessoas
Duzentos empregos directos são garantidos pela Ryanair com a instalação da base no Porto.
(Por Inês Schreck no "Jornal de Notícias" em 22-11-2007)
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Taxas no Sá Carneiro são 2-4 vezes as da concorrência - "autoridades de Lisboa estão a bloquear o crescimento do turismo no Norte"
Retirado d' "O Primeiro de Janeiro":
"A construção de uma base de operações da Ryanair, no Aeroporto doPorto, depende de Lisboa. A conclusão é do presidente da Ryanair, Michael O’Leary, que ontem apelou à ANA para “dar ao Porto liberdade para crescer e ser mais criativo”, permitindo a instalação uma base operacional no Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Os custos demasiado elevados praticados pela empresa que gere os aeroportos nacionais são a razão invocada pela Ryanair para escolher aeroportos noutros países onde, segundo O’Leary, a diferença de preços é de duas ou quatro vezes inferior.
A instalação de uma base da Ryanair no Porto permitiria um crescimento até aos três milhões de passageiros.
“As autoridades de Lisboa estão a bloquear um enorme crescimento do turismo”, considerou Michael O’Laery.
A construção de uma base da Ryanair, com três ou quatro terminais,implicaria um investimento de mais de 200 milhões de euros.
“Não se pode cobrar preços de Lisboa quando se quer ter uma base deuma companhia de baixo custo no Porto”, sustentou Michael O’Laery.
“Continuaremos a dialogar, mas as decisões são em Lisboa e não aqui”, lamentou Michael O’Leary, ressalvando que a companhia tem excelentes relações com o director do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, Fernando Vieira.
A companhia aérea de baixo custo gerou mil postos de trabalho e transportou quase um milhão de passageiros, sobretudo turistas que gastaram 125 milhões de euros na região. (...)
Após ler esta noticia, percebi qual é a dificuldade. É que afinal é o Presidente do Aeroporto de Lisboa que diz se as taxas no aeroporto do Porto são adequadas ou não. Alguém sabe o que significa conflito de interesses?
(Por Pedro Menezes Simoes no blogue " http://norteamos.blogspot.com/" em 21-11-2007)
"A construção de uma base de operações da Ryanair, no Aeroporto doPorto, depende de Lisboa. A conclusão é do presidente da Ryanair, Michael O’Leary, que ontem apelou à ANA para “dar ao Porto liberdade para crescer e ser mais criativo”, permitindo a instalação uma base operacional no Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Os custos demasiado elevados praticados pela empresa que gere os aeroportos nacionais são a razão invocada pela Ryanair para escolher aeroportos noutros países onde, segundo O’Leary, a diferença de preços é de duas ou quatro vezes inferior.
A instalação de uma base da Ryanair no Porto permitiria um crescimento até aos três milhões de passageiros.
“As autoridades de Lisboa estão a bloquear um enorme crescimento do turismo”, considerou Michael O’Laery.
A construção de uma base da Ryanair, com três ou quatro terminais,implicaria um investimento de mais de 200 milhões de euros.
“Não se pode cobrar preços de Lisboa quando se quer ter uma base deuma companhia de baixo custo no Porto”, sustentou Michael O’Laery.
“Continuaremos a dialogar, mas as decisões são em Lisboa e não aqui”, lamentou Michael O’Leary, ressalvando que a companhia tem excelentes relações com o director do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, Fernando Vieira.
A companhia aérea de baixo custo gerou mil postos de trabalho e transportou quase um milhão de passageiros, sobretudo turistas que gastaram 125 milhões de euros na região. (...)
Após ler esta noticia, percebi qual é a dificuldade. É que afinal é o Presidente do Aeroporto de Lisboa que diz se as taxas no aeroporto do Porto são adequadas ou não. Alguém sabe o que significa conflito de interesses?
(Por Pedro Menezes Simoes no blogue " http://norteamos.blogspot.com/" em 21-11-2007)
ANA tira as patas do Sá Carneiro! Já!
Há quatro anos, quando a TAP deitou as mãos ao pescoço do Sá Carneiro, desviando para Lisboa os voos directos do Porto, foi a Ryanair quem forneceu o essencial do oxigénio que evitou o nosso aeroporto de morrer asfixiado.
A Lufthansa também deu uma ajuda, ao aumentar a frequência de voos diários para Frankfurt. Os alemães foram rápidos a identificar a oportunidade de negócio aberta pela deserção da TAP – e a agir.
A companhia alemã não demorou a obter o retorno deste investimento. «Hub» por «hub», turistas e homens de negócios nortenhos preferem fazer escala em Frankfurt do que em Lisboa.
Mas foi a Ryanair quem salvou o nosso aeroporto da condenação à morte proferida pela TAP (nacionalizada nossa …?!), com a cumplicidade da ANA (nacionalizada nossa…?! ) a entidade gestora dos aeroportos.
Por muitos anos que viva, nunca esquecerei da conferência de imprensa que Michael O’Leary, presidente da Ryanair, deu no Porto, paramentado com a camisola azul e branca do FC Porto, que tinha acabado de conquistar a Liga dos Campeões em Gelsenkirchen.
A combinação entre o prestígio, no Reino Unido, do vinho do Porto e do FC Porto (que acabara de exportar José Mourinho para o Chelsea) convenceu o irlandês de que a sua aposta numa ligação «low cost» entre as cidades do Porto e Londres ia ser ganhadora - e que os seus aviões andariam cheios nos dois trajectos.
Os dois milhões de passageiros transportados, em menos de quatro anos, de e para Portugal, provam que O’Leary tinha razão. A sua Ryanair é a principal contribuinte para as taxas de crescimento da ordem dos 17% ao ano registadas pelo Sá Carneiro, de que já é a sua segunda principal cliente.
O ano passado, três milhões de passageiros usaram o aeroporto do Porto. Este ano, prevê-se que sejam quatro milhões. Mais um milhão.
Mas a monopolista e estatal ANA está a cortar as pernas à continuação deste espectacular crescimento ao boicotar, há quase um ano, um investimento de 220 milhões de euros no Sá Carneiro da Ryanair, que quer instalar no nosso aeroporto uma base de operações.
Entre outras coisas, esta base permitira que, no espaço de um ano, a Ryanair triplicasse o número de passageiros que transporta no Sá Carneiro.
É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, a TAP continue estatal e que através dela o Governo tenha nacionalizado uma companhia privada (a Portugália).
É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, haja uma entidade estatal a monopolizar a gestão dos nossos principais aeroportos, impedindo a concorrência entre eles e prejudicando o Sá Carneiro.
Não há uma entidade única a gerir os portos nacionais e os resultados transparentes deste saudável estado de concorrência estão à vista: o porto de Leixões é o único que dá lucros. Os outros todos, sem excepção, acumulam prejuízos.
A AEP e a Associação Comercial do Porto já se disponibilizaram por criar uma entidade que substitua a ANA na gestão do Sá Carneiro, onde reuniriam empresas exportadoras e operadores turísticos.
É urgente que a ANA tire as patas do Sá Carneiro para que o nosso aeroporto seja gerido pela sociedade civil e, assim, possa continuar a prosperar - e ser a porta de entrada e saída, por via aérea, do Noroeste Peninsular.
(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 21-11-2007)
A Lufthansa também deu uma ajuda, ao aumentar a frequência de voos diários para Frankfurt. Os alemães foram rápidos a identificar a oportunidade de negócio aberta pela deserção da TAP – e a agir.
A companhia alemã não demorou a obter o retorno deste investimento. «Hub» por «hub», turistas e homens de negócios nortenhos preferem fazer escala em Frankfurt do que em Lisboa.
Mas foi a Ryanair quem salvou o nosso aeroporto da condenação à morte proferida pela TAP (nacionalizada nossa …?!), com a cumplicidade da ANA (nacionalizada nossa…?! ) a entidade gestora dos aeroportos.
Por muitos anos que viva, nunca esquecerei da conferência de imprensa que Michael O’Leary, presidente da Ryanair, deu no Porto, paramentado com a camisola azul e branca do FC Porto, que tinha acabado de conquistar a Liga dos Campeões em Gelsenkirchen.
A combinação entre o prestígio, no Reino Unido, do vinho do Porto e do FC Porto (que acabara de exportar José Mourinho para o Chelsea) convenceu o irlandês de que a sua aposta numa ligação «low cost» entre as cidades do Porto e Londres ia ser ganhadora - e que os seus aviões andariam cheios nos dois trajectos.
Os dois milhões de passageiros transportados, em menos de quatro anos, de e para Portugal, provam que O’Leary tinha razão. A sua Ryanair é a principal contribuinte para as taxas de crescimento da ordem dos 17% ao ano registadas pelo Sá Carneiro, de que já é a sua segunda principal cliente.
O ano passado, três milhões de passageiros usaram o aeroporto do Porto. Este ano, prevê-se que sejam quatro milhões. Mais um milhão.
Mas a monopolista e estatal ANA está a cortar as pernas à continuação deste espectacular crescimento ao boicotar, há quase um ano, um investimento de 220 milhões de euros no Sá Carneiro da Ryanair, que quer instalar no nosso aeroporto uma base de operações.
Entre outras coisas, esta base permitira que, no espaço de um ano, a Ryanair triplicasse o número de passageiros que transporta no Sá Carneiro.
É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, a TAP continue estatal e que através dela o Governo tenha nacionalizado uma companhia privada (a Portugália).
É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, haja uma entidade estatal a monopolizar a gestão dos nossos principais aeroportos, impedindo a concorrência entre eles e prejudicando o Sá Carneiro.
Não há uma entidade única a gerir os portos nacionais e os resultados transparentes deste saudável estado de concorrência estão à vista: o porto de Leixões é o único que dá lucros. Os outros todos, sem excepção, acumulam prejuízos.
A AEP e a Associação Comercial do Porto já se disponibilizaram por criar uma entidade que substitua a ANA na gestão do Sá Carneiro, onde reuniriam empresas exportadoras e operadores turísticos.
É urgente que a ANA tire as patas do Sá Carneiro para que o nosso aeroporto seja gerido pela sociedade civil e, assim, possa continuar a prosperar - e ser a porta de entrada e saída, por via aérea, do Noroeste Peninsular.
(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 21-11-2007)
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Portogal
Há uma preocupação mais ou menos generalizada na Capital do Império com a realização do último jogo da fase de apuramento para o Euro'2008 no Estádio do Dragão. É normal. Lisboa sempre olhou com desconfiança para o resto do País e de soslaio para o Porto. São tiques que se ganham depois de séculos a ver ao perto, olhando fixamente para o próprio umbigo. Ao longe, fica tudo desfocado. Salazar já sofria do mesmo problema com as distâncias e até Scolari chegou a dizer, pouco depois de ter chegado a Lisboa, que não se deslocava ao Porto para acompanhar os trabalhos do então campeão nacional e vencedor da Taça UEFA porque era muito longe. Ora, deve ser precisamente por essas e por outras que a realização do decisivo jogo com a Finlândia no Estádio do Dragão está a deixar preocupados alguns lisboetas. Habituados a olhar para o próprio umbigo, imaginam que os portuenses não saibam distinguir entre o cu e as calças, ou entre Scolari e a Selecção Nacional. Mas sabem. Já sabiam há três anos, na abertura do Euro'2004, quando compareceram em peso no Dragão para apoiar a Selecção Nacional, numa altura em que os desaforos de Scolari estavam bem mais frescos na memória. E se Portugal perdeu dessa vez, não foi por falta de apoio das bancadas, mas por casmurrice de Scolari, que resistiu até ao último instante a fazer a opção óbvia de usar o meio-campo com que José Mourinho tinha acabado de ser Campeão Europeu pelo FC Porto. Esperemos todos que seja mais feliz hoje com a certeza de que podem dormir descansados na Capital: não vai faltar apoio nas bancadas.
DRAGÃO
Esgotado
De acordo com a FPF, o Estádio do Dragão deve apresentar lotação esgotada para o decisivo jogo de hoje com a Finlândia. De certeza que não vai encher de gente com vontade de assobiar Scolari, mas de portugueses com vontade de apoiar a Selecção. Esperemos que a Selecção lhes dê motivos para isso.
(Por Jorge Maia no Jornal "O Jogo" em 21-11-2007)
DRAGÃO
Esgotado
De acordo com a FPF, o Estádio do Dragão deve apresentar lotação esgotada para o decisivo jogo de hoje com a Finlândia. De certeza que não vai encher de gente com vontade de assobiar Scolari, mas de portugueses com vontade de apoiar a Selecção. Esperemos que a Selecção lhes dê motivos para isso.
(Por Jorge Maia no Jornal "O Jogo" em 21-11-2007)
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
triporto:caixa de 6 cd´s????!!!!!
Eu até entendo que esta cambada toda não goste de sentar o cu em carros a cheirar a usado (por outros cus ministeriais entenda-se), mas o que mais me revolta nisto tudo não é os 176 000 € ou 35 000 contos que custaram estes "brinquedos" e também não é o facto de permanentemente assistirmos via TV às condições degradantes de certos tribunais...naaaa...nada disso me revolta...
O que me enfurece é a escolha do extra da caixa de Cd´s para o Audi...sinceramente não entendo...
Então num governo que se intitula de tecnológico, os senhores(as) deste ministério ainda não conhecem os ficheiros mp3??!!...Em que num unico CD podem meter o conteudo de vários CD´s???!!!...Então não era mais simples pedir um leitor mp3 em vez de uma caixa de Cd´s????!!!!...Certamente ficava mais barato uns euros e em vez dos 176 000 € seriam apenas 175 850...ou menos...
Há coisas revoltantes neste país centralista...
Ministério da Justiça adquire viaturas de luxo
Em época de contenção orçamental, e com a administração pública sujeita a restrições na aquisição de viaturas novas, por indicação do Decreto de Execução Orçamental para 2007, o ministro da Justiça acaba de comprar cinco automóveis topo de gama. O negócio, sem incluir o imposto automóvel (IA), de que as instituições públicas estão isentas, rondou um valor global de quase 176 mil euros (35 mil contos) e foi por ajuste directo, sem recurso a concurso público, e sem autorização do Ministério das Finanças. Poderá estar em causa a violação da lei.
O gabinete de imprensa de Alberto Costa, em esclarecimentos ao DN, confirmou a compra, mas garante que "o processo decorreu no estrito cumprimento do enquadramento legal". As Finanças, por seu lado, confirmaram as restrições às aquisições, mas até ao fecho da edição não se pronunciaram sobre o pedido de autorização.
Esta aquisição, executada pelo Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIEJ) e autorizada por despacho do secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça, Conde Rodrigues, está a provocar, segundo apurou o DN, algum mal-estar nos meandros judiciários, nomeadamente nos tribunais, uma vez que são constantes as queixas da falta de dinheiro para a compra dos materiais mais básicos. Por outro lado, os magistrados do Ministério Público recorrem normalmente à Polícia Judiciária para conseguirem uma viatura quando necessitam de realizar uma diligência.
Neste panorama de carência, um dos contemplados com um novo carro de alta cilindrada foi o presidente do IGFIEJ, com um Audi Limousine 2.0TDI, de 140 cavalos. Esta viatura, sem o IA, custou ao Estado 38 615,46 euros, com 2831 euros de equipamento opcional, nomeadamente caixa de 6 CD, computador de bordo a cores, sistema de navegação plus, sistema de ajuda ao parqueamento, alarme e pintura metalizada. Antes, João Manuel Pisco de Castro tinha ao seu dispor um outro Audi A6, com motorista de serviço, e um Peugeot 404, que conduzia pessoalmente. Estas viaturas tinham sido adquiridas em 2003. Mas também quatro Volkswagen Passat Limousine 2.0TDI - 34 257,40 cada -, foram para o Ministério: um para o gabinete de Alberto Costa, outro para o secretário de Estado João Tiago Silveira, outro para Conde Rodrigues, e o último para a secretaria geral.
O Ministério da Justiça, conforme foi explicado ao DN, recorre geralmente, para o seu serviço e inclusivamente para uso do ministro, a viaturas aprendidas, a maior parte oriunda do tráfico da droga. São, em geral, bons carros. Esta prática terá sido abandonada em época de contenção financeira.
(Por LICÍNIO LIMA no Diário de Notícias em 13-11-2007)
O que me enfurece é a escolha do extra da caixa de Cd´s para o Audi...sinceramente não entendo...
Então num governo que se intitula de tecnológico, os senhores(as) deste ministério ainda não conhecem os ficheiros mp3??!!...Em que num unico CD podem meter o conteudo de vários CD´s???!!!...Então não era mais simples pedir um leitor mp3 em vez de uma caixa de Cd´s????!!!!...Certamente ficava mais barato uns euros e em vez dos 176 000 € seriam apenas 175 850...ou menos...
Há coisas revoltantes neste país centralista...
Ministério da Justiça adquire viaturas de luxo
Em época de contenção orçamental, e com a administração pública sujeita a restrições na aquisição de viaturas novas, por indicação do Decreto de Execução Orçamental para 2007, o ministro da Justiça acaba de comprar cinco automóveis topo de gama. O negócio, sem incluir o imposto automóvel (IA), de que as instituições públicas estão isentas, rondou um valor global de quase 176 mil euros (35 mil contos) e foi por ajuste directo, sem recurso a concurso público, e sem autorização do Ministério das Finanças. Poderá estar em causa a violação da lei.
O gabinete de imprensa de Alberto Costa, em esclarecimentos ao DN, confirmou a compra, mas garante que "o processo decorreu no estrito cumprimento do enquadramento legal". As Finanças, por seu lado, confirmaram as restrições às aquisições, mas até ao fecho da edição não se pronunciaram sobre o pedido de autorização.
Esta aquisição, executada pelo Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIEJ) e autorizada por despacho do secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça, Conde Rodrigues, está a provocar, segundo apurou o DN, algum mal-estar nos meandros judiciários, nomeadamente nos tribunais, uma vez que são constantes as queixas da falta de dinheiro para a compra dos materiais mais básicos. Por outro lado, os magistrados do Ministério Público recorrem normalmente à Polícia Judiciária para conseguirem uma viatura quando necessitam de realizar uma diligência.
Neste panorama de carência, um dos contemplados com um novo carro de alta cilindrada foi o presidente do IGFIEJ, com um Audi Limousine 2.0TDI, de 140 cavalos. Esta viatura, sem o IA, custou ao Estado 38 615,46 euros, com 2831 euros de equipamento opcional, nomeadamente caixa de 6 CD, computador de bordo a cores, sistema de navegação plus, sistema de ajuda ao parqueamento, alarme e pintura metalizada. Antes, João Manuel Pisco de Castro tinha ao seu dispor um outro Audi A6, com motorista de serviço, e um Peugeot 404, que conduzia pessoalmente. Estas viaturas tinham sido adquiridas em 2003. Mas também quatro Volkswagen Passat Limousine 2.0TDI - 34 257,40 cada -, foram para o Ministério: um para o gabinete de Alberto Costa, outro para o secretário de Estado João Tiago Silveira, outro para Conde Rodrigues, e o último para a secretaria geral.
O Ministério da Justiça, conforme foi explicado ao DN, recorre geralmente, para o seu serviço e inclusivamente para uso do ministro, a viaturas aprendidas, a maior parte oriunda do tráfico da droga. São, em geral, bons carros. Esta prática terá sido abandonada em época de contenção financeira.
(Por LICÍNIO LIMA no Diário de Notícias em 13-11-2007)
Ludgero Marques, um homem do Norte?...
Em debate promovido pela TSF sobre a Regionalização, Ludgero Marques consegue ser mais autista que um O.V.N.I.!
Esta figura agora murcha do "Norte", que muitos (de boa vontade) chegaram a pensar poder vir a fazer alguma coisa de jeito pela região, não só decepciona demais como também acusa elevado teor de radiação centralista. Quem o viu e quem o vê...
Os argumentos que apresentou para justificar as suas ideias anti-regionalistas foram do mais básico que se pode imaginar. Além de padecerem de uma total orfandade em matéria de originalidade e de não terem a mínima substância, estão completamente fora de prazo. É caso para perguntar: onde tem, e com quem tem andado, afinal, Ludgero Marques?
Tomemos nota então, da profundidade das suas palavras:
"O Norte é um posicionamento, um atitude!" e "é muito mais vasto do que aquilo que se pretende fazer com 5, 6 ou 7 regiões!" .
E acrescenta: "Portugal, é um país demasiado pequeno para ser repartido por regiões!" . E remata com este brilharete: "se houvesse eficiência governamental, resolveria a situação!".
Esta última frase então, é de bradar aos céus! É, exactamente igual, àquela muito reflexa e muito antiga que diz: "se a minha avó não tivesse morrido ainda era viva!" . Mas o que irá fazer um homem com estas declarações a um debate sobre a Regionalização? Confundir? Não, não é credível que com palha desta qualidade consiga confundir o maior dos asnos!
Mas há uma frase, por sinal muito utilitária, que enquanto cidadão lúcido não admito ao Sr. Ludgero Marques nem a qualquer político que profira em meu nome, que é esta: "Nós temos todos culpa por esta situação!" , porque eu não pertenço a essa família.
Estas pessoas, lançam este tipo de atoardas e uma vez que "cola" e ninguém lhes diz para terem tento na língua, usam-nas a torto e a direito e depois é: vira o disco e toca o mesmo e convencem-se que dá para tudo...
Em tese, até podíamos concordar com estas redundâncias caso fossem sustentadas no tempo e no espaço certos, por exemplos de governabilidade antecedentes apreciáveis. Mas, agora sr. Ludgero? Está a pedir aos portugueses para continuarem a dar o benefício da dúvida a métodos de governação arcaicos, ineficientes e alienadamente centralistas e perigosamente fracturantes? Durante mais quantos anos, já agora?
Será assim que o senhor engenheiro defende a coesão nacional? Ainda não terá percebido que a melhor semente para gerar injustiças e conflitos anti-nacionalistas é a concentração do poder num único pólo como está a acontecer em Lisboa? O senhor ainda não entendeu, engenheiro, que o país está mais dividido que nunca, mas da pior maneira? E não acha também que tem responsabilidades nisso?
Se não gosta da Regionalização, não coma. Mas faça o favor de não entrar nesse jogo sujo de assustar os portugueses e de se constituir em mais um empecilho para o progresso do país. Já chega.
(Por Rui Valente no blogue "http://renovaroporto.blogspot.com/" em 13-11-2007)
Esta figura agora murcha do "Norte", que muitos (de boa vontade) chegaram a pensar poder vir a fazer alguma coisa de jeito pela região, não só decepciona demais como também acusa elevado teor de radiação centralista. Quem o viu e quem o vê...
Os argumentos que apresentou para justificar as suas ideias anti-regionalistas foram do mais básico que se pode imaginar. Além de padecerem de uma total orfandade em matéria de originalidade e de não terem a mínima substância, estão completamente fora de prazo. É caso para perguntar: onde tem, e com quem tem andado, afinal, Ludgero Marques?
Tomemos nota então, da profundidade das suas palavras:
"O Norte é um posicionamento, um atitude!" e "é muito mais vasto do que aquilo que se pretende fazer com 5, 6 ou 7 regiões!" .
E acrescenta: "Portugal, é um país demasiado pequeno para ser repartido por regiões!" . E remata com este brilharete: "se houvesse eficiência governamental, resolveria a situação!".
Esta última frase então, é de bradar aos céus! É, exactamente igual, àquela muito reflexa e muito antiga que diz: "se a minha avó não tivesse morrido ainda era viva!" . Mas o que irá fazer um homem com estas declarações a um debate sobre a Regionalização? Confundir? Não, não é credível que com palha desta qualidade consiga confundir o maior dos asnos!
Mas há uma frase, por sinal muito utilitária, que enquanto cidadão lúcido não admito ao Sr. Ludgero Marques nem a qualquer político que profira em meu nome, que é esta: "Nós temos todos culpa por esta situação!" , porque eu não pertenço a essa família.
Estas pessoas, lançam este tipo de atoardas e uma vez que "cola" e ninguém lhes diz para terem tento na língua, usam-nas a torto e a direito e depois é: vira o disco e toca o mesmo e convencem-se que dá para tudo...
Em tese, até podíamos concordar com estas redundâncias caso fossem sustentadas no tempo e no espaço certos, por exemplos de governabilidade antecedentes apreciáveis. Mas, agora sr. Ludgero? Está a pedir aos portugueses para continuarem a dar o benefício da dúvida a métodos de governação arcaicos, ineficientes e alienadamente centralistas e perigosamente fracturantes? Durante mais quantos anos, já agora?
Será assim que o senhor engenheiro defende a coesão nacional? Ainda não terá percebido que a melhor semente para gerar injustiças e conflitos anti-nacionalistas é a concentração do poder num único pólo como está a acontecer em Lisboa? O senhor ainda não entendeu, engenheiro, que o país está mais dividido que nunca, mas da pior maneira? E não acha também que tem responsabilidades nisso?
Se não gosta da Regionalização, não coma. Mas faça o favor de não entrar nesse jogo sujo de assustar os portugueses e de se constituir em mais um empecilho para o progresso do país. Já chega.
(Por Rui Valente no blogue "http://renovaroporto.blogspot.com/" em 13-11-2007)
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Esta campanha anti-regionalização
A campanha contra a regionalização veste, muitas vezes, o fato da arrogância anti-política e anti-políticos, talhado pela inveja ou a ignorância. A campanha contra a regionalização não é séria, muitas vezes, porque exibe uma imagem falsa da política e dos políticos.
A campanha contra a regionalização não esclarece, porque tem uma qualidade muito inferior à qualidade média da política portuguesa.
A política é nobre e honra quem a faz.
Os políticos são homens e mulheres comuns, que também podem trabalhar nas escolas, nas fábricas, nos bancos, nos escritórios, nos hospitais, nos tribunais, nos campos, no mar. Os políticos são os que nós escolhemos para desempenhar os cargos públicos ou partidários existentes numa sociedade democrática. Os políticos que temos são os políticos que merecemos.Há políticos competentes e há políticos incompetentes, como em todas as profissões. Há políticos honestos e há políticos desonestos, como em todas as profissões. Há políticos que se conduzem por alguma ética e há políticos que são desprovidos de qualquer ética, como em todas as profissões.É certo que os políticos estão descredibilizados. Demasiada gente pensa, por ignorância ou por maldade, que todos os políticos são malandros, enriquecem à nossa custa e não se dedicam à coisa pública.
A classe política é uma classe pouco numerosa, muito fechada e corporativa e em que é difícil entrar. É ainda mais difícil entrar pelo único motivo que devia valer: a capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sociedade.
A classe política tem que se abrir e os políticos têm que viver e trabalhar mais perto dos outros portugueses. Os políticos têm que se comportar como representantes dos portugueses e não, só, dos partidos.
Reajo mal aos ataques soezes contra a política e os políticos. Descobri por trás desta campanha a acusação nunca provada que todos os políticos são corruptos. Descobri por trás desta campanha a aplicação de um exemplo do princípio de Peter: os autarcas são tolerados nos municípios e nas freguesias, nos pequeninos poderes, muito divididos, mas não podem ultrapassar esses níveis.
Alguns, mas nem todos, daqueles que pensam desta forma não resistiriam à avaliação da sua própria competência profissional, da qualidade da sua participação cívica e da ética do seu comportamento. Afinal, a classe política é uma amostra representativa dos portugueses.
Ninguém acredita que não haja corrupção, tachos, impostos e dívidas nas Comissões de Coordenação Regional e na administração pública central, como ninguém acredita que nas regiões só se praticassem pecados.
Não aceito que só os poucos políticos que vivem em Lisboa e que tomaram conta dos órgãos de soberania e da administração pública central tenham competência e idoneidade política. São eles, precisamente, os culpados. Já tiveram 20 anos para discriminar positivamente as regiões menos desenvolvidas. Não o fizeram e demonstraram que a desconcentração não é a solução do problema.
Quem pretende manter o país dividido em tão pequenas autarquias, inevitavelmente fracas face ao poder central?
Obviamente, é quem não confia nos autarcas, é quem teme a força e o protagonismo de autarcas regionais, é quem não terá influência regional ou é quem sabe o que é melhor para reinar a partir de Lisboa.
Directa ou indirectamente, os autarcas regionais terão que ser eleitos pelos portugueses.
Se o objectivo desta campanha fosse o esclarecimento da proposta de regionalização, os portugueses já saberiam que os membros das futuras Assembleias Regionais, ao contrário dos da Assembleia da República, não teriam que ser profissionais da política (mas se forem não tem mal nenhum), tal como os membros das Assembleias Municipais e das Assembleias de Freguesia não são profissionais da política; já saberiam que só haveria 398 membros das Assembleias Regionais, mas que os membros das Assembleias de Freguesia são 60000 e os das Assembleias Municipais são 15000; já saberiam que só haveria 44 membros (incluindo os presidentes) de Juntas Regionais, mas que são 6000 os presidentes de Junta de Freguesia, presidentes de Câmara Municipal e vereadores de Câmara Municipal a tempo inteiro ou parcial.
É evidente que é ridículo falar em tachos e em custos dos autarcas regionais;Pelo contrário, os autarcas regionais podem preencher o grande vazio que existe entre os autarcas municipais e os políticos nacionais, as regiões podem ser um alfobre de futuros políticos nacionais e chamar à política quem quer, pode e deve estar na política, mas não quer ir viver em Lisboa.
Se o objectivo desta campanha fosse o esclarecimento da proposta de regionalização, os portugueses já saberiam que as regiões, sendo autarquias locais, não se poderiam endividar para além dos limites razoáveis que são impostos a todas as autarquias locais e ao governo central; já saberiam que o que se pretende não é o lançamento de mais impostos nem a duplicação de taxas ou derramas, mas é inverter a estrutura do investimento público, passando a administração autónoma a ser responsável por todo o investimento e toda a gestão que pode fazer com mais eficiência do que a administração central.
Até a acusação de burocracia vezes 8 é uma impostura. No máximo será burocracia vezes 8 oitavos (que se sabe ser igual a um), e será burocracia na terra de cada cidadão, em vez de burocracia em Lisboa. É muito mais confortável, é muito mais eficiente, é muito mais barato.
O que se pretende é pôr vastíssimos recursos do poder central ao serviço de autarquias locais, nomeadamente as regionais, que substituirão vantajosamente o poder central na coordenação dos municípios.Os argumentos de hoje são iguais aos de há 20 anos. Sempre houve quem não acreditasse no poder local, mas ele desenvolveu-se sem sobressaltos, realizando a obra colossal que se vê em todo o país. Colossal é a obra das autarquias locais.
A regionalização poderá acabar com um não, mas não acabará com um sim. Será sempre dinâmica e melhorará sempre com a experiência, como o restante poder local. Será sempre, simultâneamente, tímida para uns e exagerada para outros. Nada é perfeito, nem definitivo, nem previsível.
É lamentável que esta campanha tenha descido a um nível tão baixo.Eu creio que o fim, qualquer fim, não justifica os meios.
(Por Arnaldo Madureira no blogue "http://arnaldomadureira.blogs.sapo.pt/" em 1-09-2004)
triporto: link directo para o artigo em causa: http://arnaldomadureira.blogs.sapo.pt/117685.html
A campanha contra a regionalização não esclarece, porque tem uma qualidade muito inferior à qualidade média da política portuguesa.
A política é nobre e honra quem a faz.
Os políticos são homens e mulheres comuns, que também podem trabalhar nas escolas, nas fábricas, nos bancos, nos escritórios, nos hospitais, nos tribunais, nos campos, no mar. Os políticos são os que nós escolhemos para desempenhar os cargos públicos ou partidários existentes numa sociedade democrática. Os políticos que temos são os políticos que merecemos.Há políticos competentes e há políticos incompetentes, como em todas as profissões. Há políticos honestos e há políticos desonestos, como em todas as profissões. Há políticos que se conduzem por alguma ética e há políticos que são desprovidos de qualquer ética, como em todas as profissões.É certo que os políticos estão descredibilizados. Demasiada gente pensa, por ignorância ou por maldade, que todos os políticos são malandros, enriquecem à nossa custa e não se dedicam à coisa pública.
A classe política é uma classe pouco numerosa, muito fechada e corporativa e em que é difícil entrar. É ainda mais difícil entrar pelo único motivo que devia valer: a capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sociedade.
A classe política tem que se abrir e os políticos têm que viver e trabalhar mais perto dos outros portugueses. Os políticos têm que se comportar como representantes dos portugueses e não, só, dos partidos.
Reajo mal aos ataques soezes contra a política e os políticos. Descobri por trás desta campanha a acusação nunca provada que todos os políticos são corruptos. Descobri por trás desta campanha a aplicação de um exemplo do princípio de Peter: os autarcas são tolerados nos municípios e nas freguesias, nos pequeninos poderes, muito divididos, mas não podem ultrapassar esses níveis.
Alguns, mas nem todos, daqueles que pensam desta forma não resistiriam à avaliação da sua própria competência profissional, da qualidade da sua participação cívica e da ética do seu comportamento. Afinal, a classe política é uma amostra representativa dos portugueses.
Ninguém acredita que não haja corrupção, tachos, impostos e dívidas nas Comissões de Coordenação Regional e na administração pública central, como ninguém acredita que nas regiões só se praticassem pecados.
Não aceito que só os poucos políticos que vivem em Lisboa e que tomaram conta dos órgãos de soberania e da administração pública central tenham competência e idoneidade política. São eles, precisamente, os culpados. Já tiveram 20 anos para discriminar positivamente as regiões menos desenvolvidas. Não o fizeram e demonstraram que a desconcentração não é a solução do problema.
Quem pretende manter o país dividido em tão pequenas autarquias, inevitavelmente fracas face ao poder central?
Obviamente, é quem não confia nos autarcas, é quem teme a força e o protagonismo de autarcas regionais, é quem não terá influência regional ou é quem sabe o que é melhor para reinar a partir de Lisboa.
Directa ou indirectamente, os autarcas regionais terão que ser eleitos pelos portugueses.
Se o objectivo desta campanha fosse o esclarecimento da proposta de regionalização, os portugueses já saberiam que os membros das futuras Assembleias Regionais, ao contrário dos da Assembleia da República, não teriam que ser profissionais da política (mas se forem não tem mal nenhum), tal como os membros das Assembleias Municipais e das Assembleias de Freguesia não são profissionais da política; já saberiam que só haveria 398 membros das Assembleias Regionais, mas que os membros das Assembleias de Freguesia são 60000 e os das Assembleias Municipais são 15000; já saberiam que só haveria 44 membros (incluindo os presidentes) de Juntas Regionais, mas que são 6000 os presidentes de Junta de Freguesia, presidentes de Câmara Municipal e vereadores de Câmara Municipal a tempo inteiro ou parcial.
É evidente que é ridículo falar em tachos e em custos dos autarcas regionais;Pelo contrário, os autarcas regionais podem preencher o grande vazio que existe entre os autarcas municipais e os políticos nacionais, as regiões podem ser um alfobre de futuros políticos nacionais e chamar à política quem quer, pode e deve estar na política, mas não quer ir viver em Lisboa.
Se o objectivo desta campanha fosse o esclarecimento da proposta de regionalização, os portugueses já saberiam que as regiões, sendo autarquias locais, não se poderiam endividar para além dos limites razoáveis que são impostos a todas as autarquias locais e ao governo central; já saberiam que o que se pretende não é o lançamento de mais impostos nem a duplicação de taxas ou derramas, mas é inverter a estrutura do investimento público, passando a administração autónoma a ser responsável por todo o investimento e toda a gestão que pode fazer com mais eficiência do que a administração central.
Até a acusação de burocracia vezes 8 é uma impostura. No máximo será burocracia vezes 8 oitavos (que se sabe ser igual a um), e será burocracia na terra de cada cidadão, em vez de burocracia em Lisboa. É muito mais confortável, é muito mais eficiente, é muito mais barato.
O que se pretende é pôr vastíssimos recursos do poder central ao serviço de autarquias locais, nomeadamente as regionais, que substituirão vantajosamente o poder central na coordenação dos municípios.Os argumentos de hoje são iguais aos de há 20 anos. Sempre houve quem não acreditasse no poder local, mas ele desenvolveu-se sem sobressaltos, realizando a obra colossal que se vê em todo o país. Colossal é a obra das autarquias locais.
A regionalização poderá acabar com um não, mas não acabará com um sim. Será sempre dinâmica e melhorará sempre com a experiência, como o restante poder local. Será sempre, simultâneamente, tímida para uns e exagerada para outros. Nada é perfeito, nem definitivo, nem previsível.
É lamentável que esta campanha tenha descido a um nível tão baixo.Eu creio que o fim, qualquer fim, não justifica os meios.
(Por Arnaldo Madureira no blogue "http://arnaldomadureira.blogs.sapo.pt/" em 1-09-2004)
triporto: link directo para o artigo em causa: http://arnaldomadureira.blogs.sapo.pt/117685.html
Sinal exterior de pobreza?
Na gíria chamam-lhes "bobbies". O nome técnico, creio, é "trolley". São aquelas malas, de vários tamanhos, com rodas, que os viajantes arrastam atrás de si (pensando bem, como costumam ser os donos a ir arrastados atrás dos cãezinhos, se calhar a figura do "bobby" não é muito bem conseguida
). Trata-se de uma invenção óbvia, que aliviou as costas e a coluna de muito boa gente. Aeroportos e estações de caminho-de-ferro são os lugares em que é possível vê-las com mais frequência, nomeadamente nos inícios e finais de semana. Evidenciam a mobilidade e a imobilidade. Que se trabalha num, ou se vai a algum, lugar longe daquele a que chamamos "casa", onde, contudo, esperamos regressar. Levamos umas "mudas", enquanto o fundamental fica. E levamos, também, computadores, livros e papéis, elementos materiais, omnipresentes numa sociedade que se diz cada vez mais do conhecimento e do imaterial.
Se formos à estação de Campanhã ou ao aeroporto Sá Carneiro, numa sexta-feira de tarde, veremos um trânsito intenso desses equipamentos. Gente que chega e gente que parte. Esqueçamos os turistas óbvios e fixemo-nos naqueles que, pela sua forma de vestir ou de agir, fazem a viagem por razões profissionais. Verificaremos que são muitos mais os que chegam do que os que partem. Há mais gente da área metropolitana do Porto que trabalha fora, e usa estes meios de transporte, do que o contrário. Façamos este exercício no domingo à noite, ou na segunda-feira de manhã, e a conclusão é a mesma, havendo, nesse caso, mais gente a partir do que a chegar (repete-se, gente arrastando atrás de si os tais "trolleys").
Chegam de onde e partem para onde? Aparentemente, é mais fácil responder à primeira do que à segunda questão! Chegam, principalmente, de Lisboa. Mas partem, frequentemente, para outros destinos que não Lisboa, sobretudo no caso do transporte aéreo. A solução do aparente paradoxo é óbvia Lisboa, mesmo quando não é destino final, é destino fatal. É preciso ir (por) lá, para ir a algum lado. Nas viagens como na profissão.
A disponibilidade para a mobilidade, para estar cá e lá, para ir ao fim do mundo como se vai ao fim da rua, faz parte do ADN do mundo de negócios contemporâneo. Uma região com recursos humanos com essas características está bem apetrechada para fazer face aos desafios económicos, os actuais e os previsíveis. Se, um "se" muito grande, simultaneamente for capaz de manter e gerar centros de competência e decisão capazes de articular essas capacidades e de as pôr ao serviço do bem-estar da região. Se assim não for, a região não passará de um mero fornecedor de mão-de-obra barata, igual a tantos países de emigrantes com um futuro permanentemente adiado. Se assim não for, os "trolleys", que circulam nos aeroportos e estações de caminho-de-ferro, serão meros sinais exteriores da incapacidade da região para fixar os seus melhores quadros ou de atrair outros provenientes de outros espaços. Não será, se tomado literalmente, um sinal exterior de pobreza. Mas é, certamente, um sinal de pobreza de alternativas que força a saída e repele os seus melhores.
(Por Alberto Castro no "Jornal de Notícias" em 13-11-2007)
Se formos à estação de Campanhã ou ao aeroporto Sá Carneiro, numa sexta-feira de tarde, veremos um trânsito intenso desses equipamentos. Gente que chega e gente que parte. Esqueçamos os turistas óbvios e fixemo-nos naqueles que, pela sua forma de vestir ou de agir, fazem a viagem por razões profissionais. Verificaremos que são muitos mais os que chegam do que os que partem. Há mais gente da área metropolitana do Porto que trabalha fora, e usa estes meios de transporte, do que o contrário. Façamos este exercício no domingo à noite, ou na segunda-feira de manhã, e a conclusão é a mesma, havendo, nesse caso, mais gente a partir do que a chegar (repete-se, gente arrastando atrás de si os tais "trolleys").
Chegam de onde e partem para onde? Aparentemente, é mais fácil responder à primeira do que à segunda questão! Chegam, principalmente, de Lisboa. Mas partem, frequentemente, para outros destinos que não Lisboa, sobretudo no caso do transporte aéreo. A solução do aparente paradoxo é óbvia Lisboa, mesmo quando não é destino final, é destino fatal. É preciso ir (por) lá, para ir a algum lado. Nas viagens como na profissão.
A disponibilidade para a mobilidade, para estar cá e lá, para ir ao fim do mundo como se vai ao fim da rua, faz parte do ADN do mundo de negócios contemporâneo. Uma região com recursos humanos com essas características está bem apetrechada para fazer face aos desafios económicos, os actuais e os previsíveis. Se, um "se" muito grande, simultaneamente for capaz de manter e gerar centros de competência e decisão capazes de articular essas capacidades e de as pôr ao serviço do bem-estar da região. Se assim não for, a região não passará de um mero fornecedor de mão-de-obra barata, igual a tantos países de emigrantes com um futuro permanentemente adiado. Se assim não for, os "trolleys", que circulam nos aeroportos e estações de caminho-de-ferro, serão meros sinais exteriores da incapacidade da região para fixar os seus melhores quadros ou de atrair outros provenientes de outros espaços. Não será, se tomado literalmente, um sinal exterior de pobreza. Mas é, certamente, um sinal de pobreza de alternativas que força a saída e repele os seus melhores.
(Por Alberto Castro no "Jornal de Notícias" em 13-11-2007)
O que mudou entre 1994 e 2007? (I)
"Desfavor (do Norte) em que sentido?
Em primeiro lugar, a nível de rendimento. O PIB per capita em Lisboa é cerca de 1.560 contos por pessoa, aqui no Norte é 980. O nível de vida do cidadão do Norte é cerca de dois terços do nível de vida do de Lisboa. No Alentejo é metade e na região centro, menos ainda.
Há dois factores: em primeiro lugar uma transferência fiscal. Todos pagamos impostos sujeitos às mesmas leis para fornecer os serviços públicos: saúde, ensino, estradas, etc. A população do norte é 35% do total do país, era de prever que aqui no norte estivessem 35% das estradas, das escolas, dos hospitais... Está tudo menos. É um déficit de cerca de 8%. Fiz alguns cálculos que até à data não foram contestados: em cada ano a região norte faz para Lisboa uma transferência de 500 milhões contos. O suficiente para passar o nível de vida no norte, que é de 83% da média do continente, para a média do continente. Ainda ficava inferior à de Lisboa.
Depois, os Fundos Comunitários vieram agravar estas coisas. São para os países que tenham um PIB per capita inferior a 80% da média comunitária, Portugal tem 60%. Mas Lisboa tem 82%. Portanto, se se cumprissem os critérios, Lisboa não receberia. Mas 32% das verbas regionalizáveis e provavelmente boa parte das verbas não regionalizáveis vão lá parar." Pedro Arroja (Lisboeta radicado no Porto) em 1994.
PMS: O que mudou até 2007? Nada!
(Por Pedro Menezes Simoes no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 13-11-2007)
Em primeiro lugar, a nível de rendimento. O PIB per capita em Lisboa é cerca de 1.560 contos por pessoa, aqui no Norte é 980. O nível de vida do cidadão do Norte é cerca de dois terços do nível de vida do de Lisboa. No Alentejo é metade e na região centro, menos ainda.
Há dois factores: em primeiro lugar uma transferência fiscal. Todos pagamos impostos sujeitos às mesmas leis para fornecer os serviços públicos: saúde, ensino, estradas, etc. A população do norte é 35% do total do país, era de prever que aqui no norte estivessem 35% das estradas, das escolas, dos hospitais... Está tudo menos. É um déficit de cerca de 8%. Fiz alguns cálculos que até à data não foram contestados: em cada ano a região norte faz para Lisboa uma transferência de 500 milhões contos. O suficiente para passar o nível de vida no norte, que é de 83% da média do continente, para a média do continente. Ainda ficava inferior à de Lisboa.
Depois, os Fundos Comunitários vieram agravar estas coisas. São para os países que tenham um PIB per capita inferior a 80% da média comunitária, Portugal tem 60%. Mas Lisboa tem 82%. Portanto, se se cumprissem os critérios, Lisboa não receberia. Mas 32% das verbas regionalizáveis e provavelmente boa parte das verbas não regionalizáveis vão lá parar." Pedro Arroja (Lisboeta radicado no Porto) em 1994.
PMS: O que mudou até 2007? Nada!
(Por Pedro Menezes Simoes no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 13-11-2007)
A propósito da bela princesa Zinaida Iussupova
Aproveitei o fim-de-semana para ir ver a exposição do Hermitage sobre a arte e cultura nos dois séculos dos Romanov. Dei o tempo por muito bem empregue.
Sai do Palácio da Ajuda hipnotizado pelo intensidade do olhar e pela desarmante e calma beleza da princesa Zinaida Iussupova, retratada por François Flameng, e convencido de que é boa a ideia da ministra da Cultura de instalar no nosso pais um pólo permanente do mais famoso dos museus russos, o Hermitage de S. Petersburgo.
Os museus representam nos tempos modernos o mesmo que as catedrais na Idade Média. São templos de culto, lugares de peregrinação, ícones de afirmação do orgulho das cidades.
E, nesta era da globalização, as marcas mundialmente reconhecidas e admiradas possuem uma enorme capacidade de atracção, como ficou demonstrado pelo estrondoso sucesso que o Guggenheim de Bilbau alcançou ao repetir a fórmula de sucesso que celebrizou o seu pai nova-iorquino. A saber, arte contemporânea enroupada por uma marca prestigiada e embalada por uma espectacular peça de arquitectura.
Há uma dúzia de anos não passava pela cabeça de ninguém ir passar um fim-de-semana a Bilbau. O Guggenheim foi a poderosa alavanca que colocou a cidade basca no mapa dos destinos turísticos europeus.
Apesar de essa não ser a opinião do «mainstream» português, que inveja os fundos que vão alocados a esse projecto, acho boa a ideia de Isabel Pires de Lima.
Já não acho boa a ideia do Governo de âncorar em Lisboa o pólo permanente do Hermitage em Portugal.
A Gulbenkian e a Colecção Berardo já são suficientemente atraentes para satisfazer os turistas, no segmento arte contemporânea, complementando a boa e variada oferta museológica de Lisboa, onde avultam pesos pesados, como o Museu Nacional de Arte Antiga ou o dos Coches, e pequenos museus de charme e nicho, como o Museu do Azulejo ou a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.
O exemplo do bom senso do Governo de Madrid, que escolheu Barcelona para receber os Jogos Olímpicos, Sevilha para a Expo e Bilbau para o Guggenheim deve iluminar o Governo de Lisboa na hora de escolher onde instalar o Hermitage.
Não estou a pedinchar para o Porto o pólo do museu russo. Com Serralves, o Soares Reis e pequenas jóias como o Museu Romântico, a minha cidade está razoavelmente servida neste domínio.
Na incursão a Lisboa para ver a exposição da Ajuda, fiz uma escala nas Caldas da Rainha. E fiquei a pensar que a instalação na cidade de Bordalo do pólo português do museu russo seria um óptimo pretexto para recuperar os magníficos (e degradados) Pavilhões do Parque D. Carlos I. E que melhor companhia se poderia arranjar para o Hermitage do que o Museu José Malhoa?
As Caldas são uma ideia. Mas também pode ser Coimbra, Santarém, Guimarães, Beja, Bragança, Aveiro, Lagos, Évora, Viseu, Tomar ...
O que estou a pedir ao Governo é que deixe de teimar em meter os ovos todos no mesmo cesto (que ainda para mais está roto) e que no momento de decidir onde vai ficar o Hermitage não olhe para o mapa de Lisboa - mas sim para o do Portugal.
(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 13-11-2007
Sai do Palácio da Ajuda hipnotizado pelo intensidade do olhar e pela desarmante e calma beleza da princesa Zinaida Iussupova, retratada por François Flameng, e convencido de que é boa a ideia da ministra da Cultura de instalar no nosso pais um pólo permanente do mais famoso dos museus russos, o Hermitage de S. Petersburgo.
Os museus representam nos tempos modernos o mesmo que as catedrais na Idade Média. São templos de culto, lugares de peregrinação, ícones de afirmação do orgulho das cidades.
E, nesta era da globalização, as marcas mundialmente reconhecidas e admiradas possuem uma enorme capacidade de atracção, como ficou demonstrado pelo estrondoso sucesso que o Guggenheim de Bilbau alcançou ao repetir a fórmula de sucesso que celebrizou o seu pai nova-iorquino. A saber, arte contemporânea enroupada por uma marca prestigiada e embalada por uma espectacular peça de arquitectura.
Há uma dúzia de anos não passava pela cabeça de ninguém ir passar um fim-de-semana a Bilbau. O Guggenheim foi a poderosa alavanca que colocou a cidade basca no mapa dos destinos turísticos europeus.
Apesar de essa não ser a opinião do «mainstream» português, que inveja os fundos que vão alocados a esse projecto, acho boa a ideia de Isabel Pires de Lima.
Já não acho boa a ideia do Governo de âncorar em Lisboa o pólo permanente do Hermitage em Portugal.
A Gulbenkian e a Colecção Berardo já são suficientemente atraentes para satisfazer os turistas, no segmento arte contemporânea, complementando a boa e variada oferta museológica de Lisboa, onde avultam pesos pesados, como o Museu Nacional de Arte Antiga ou o dos Coches, e pequenos museus de charme e nicho, como o Museu do Azulejo ou a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.
O exemplo do bom senso do Governo de Madrid, que escolheu Barcelona para receber os Jogos Olímpicos, Sevilha para a Expo e Bilbau para o Guggenheim deve iluminar o Governo de Lisboa na hora de escolher onde instalar o Hermitage.
Não estou a pedinchar para o Porto o pólo do museu russo. Com Serralves, o Soares Reis e pequenas jóias como o Museu Romântico, a minha cidade está razoavelmente servida neste domínio.
Na incursão a Lisboa para ver a exposição da Ajuda, fiz uma escala nas Caldas da Rainha. E fiquei a pensar que a instalação na cidade de Bordalo do pólo português do museu russo seria um óptimo pretexto para recuperar os magníficos (e degradados) Pavilhões do Parque D. Carlos I. E que melhor companhia se poderia arranjar para o Hermitage do que o Museu José Malhoa?
As Caldas são uma ideia. Mas também pode ser Coimbra, Santarém, Guimarães, Beja, Bragança, Aveiro, Lagos, Évora, Viseu, Tomar ...
O que estou a pedir ao Governo é que deixe de teimar em meter os ovos todos no mesmo cesto (que ainda para mais está roto) e que no momento de decidir onde vai ficar o Hermitage não olhe para o mapa de Lisboa - mas sim para o do Portugal.
(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 13-11-2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
triporto: Diálogos à moda do Porto...
Ora bem, isto não tem a ver com centralismo mas devido ás enormes risadas que me proporcionaram quis compartilhar com todos os interessados. Este excerto que aqui reproduzo faz parte da caixa de comentários ao artigo publicado por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 8-11-2007 com o titulo "Avisem a Interpol!"
Comentadores do Sul: Miguel e Nuno
Comentadores do Norte: Trasmontano e Karl Macx
De Miguel a 8 de Novembro de 2007 às 23:51
Agora voces querem-me dar lições de bem escrever? por acaso sabem qual a região com menor escolaridade neste país? eu escrevo como bem entendo.. caguei para vocês, e muito menos recebo lições de moral são mesmo argumentos de alguém que não tem nada de jeito para dizer.o que disse foi verdade, nomeadamente no 1ºpost dai as barbariedades e respostas absurdas que tenho ouvido. a verdade dói, mas tem de ser ouvidaJorge Fiel, saúde para os seus, mas trate-se enquando pode, tendo em conta que é um "elite" para esses lados , e o pobão olha para si como um exemplo.. e alguém que supostamente diz coisas credíveis.proque futebol e treinadores de bancada somos todos..agora fazer alguma coisa positiva pela nossa região é mais dificil...
Responder a comentário Discussão
De nuno a 9 de Novembro de 2007 às 03:04
De facto, agora andam com a mania que são professores de Português. Só gente culta e altamente literada por aqui.A mim recomendaram-me que tivesse lições de português... lol. Lá teria que voltar 15 anos de escolaridade para trás.
Responder a comentário Início da discussão Discussão
De Transmontano a 9 de Novembro de 2007 às 10:35
Aqui só tens a aprender, Nuno. E prepara-te para as notas do Natal.
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De Karl Macx a 9 de Novembro de 2007 às 10:53
O meu amigo não só necessita de lições de Português, como também não lhe fariam mal umas lições de Física.Nunca ouvi falar naquela Lei de Newton, a da Gravidade, que muito basicamente diz que "tudo o que sobe desce?"Ora, se o Norte é para cima, e o Sul para baixo, o meu "preclaro" amigo teria de cagar a fazer o pino, para cagar para nós. O resultado não seria bonito.Agora que penso nisso, talvez esteja encontrada a razão para o meu amigo dizer tanta merda...Para "cagar de alto" estamos cá nós...
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De Transmontano a 9 de Novembro de 2007 às 11:31
Lá em baixo caga-se de repuxo, karl, é o último grito.
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Comentadores do Sul: Miguel e Nuno
Comentadores do Norte: Trasmontano e Karl Macx
De Miguel a 8 de Novembro de 2007 às 23:51
Agora voces querem-me dar lições de bem escrever? por acaso sabem qual a região com menor escolaridade neste país? eu escrevo como bem entendo.. caguei para vocês, e muito menos recebo lições de moral são mesmo argumentos de alguém que não tem nada de jeito para dizer.o que disse foi verdade, nomeadamente no 1ºpost dai as barbariedades e respostas absurdas que tenho ouvido. a verdade dói, mas tem de ser ouvidaJorge Fiel, saúde para os seus, mas trate-se enquando pode, tendo em conta que é um "elite" para esses lados , e o pobão olha para si como um exemplo.. e alguém que supostamente diz coisas credíveis.proque futebol e treinadores de bancada somos todos..agora fazer alguma coisa positiva pela nossa região é mais dificil...
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De nuno a 9 de Novembro de 2007 às 03:04
De facto, agora andam com a mania que são professores de Português. Só gente culta e altamente literada por aqui.A mim recomendaram-me que tivesse lições de português... lol. Lá teria que voltar 15 anos de escolaridade para trás.
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De Transmontano a 9 de Novembro de 2007 às 10:35
Aqui só tens a aprender, Nuno. E prepara-te para as notas do Natal.
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De Karl Macx a 9 de Novembro de 2007 às 10:53
O meu amigo não só necessita de lições de Português, como também não lhe fariam mal umas lições de Física.Nunca ouvi falar naquela Lei de Newton, a da Gravidade, que muito basicamente diz que "tudo o que sobe desce?"Ora, se o Norte é para cima, e o Sul para baixo, o meu "preclaro" amigo teria de cagar a fazer o pino, para cagar para nós. O resultado não seria bonito.Agora que penso nisso, talvez esteja encontrada a razão para o meu amigo dizer tanta merda...Para "cagar de alto" estamos cá nós...
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De Transmontano a 9 de Novembro de 2007 às 11:31
Lá em baixo caga-se de repuxo, karl, é o último grito.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
triporto: Burocracias à moda de Lisboa...
Mais um exemplo da "eficiência" dos orgãos do Estado sediados na capital do Império...:
Nota: O sublinhado é da minha autoria e não original da notícia.
Cavaco deu luz verde às novas juntas médicas
As novas regras de funcionamento e avaliação das juntas médicas vão entrar em vigor nos próximos dias, depois de Cavaco Silva ter promulgado o decreto do Governo no passado dia 26 de Outubro, confirmou a Presidência da República ao JN.
Certo é que a luz verde de Belém não chegou a tempo de travar mais uma alegada avaliação injusta, que quase obrigava uma mulher a voltar ao trabalho numa junta de freguesia, mesmo sem capacidade de locomoção. O caso ontem noticiado foi travado a tempo, mas obrigou o ministro das Finanças a fazer uma conferência de Imprensa, onde anunciou a reapreciação do caso, manifestando a sua "solidariedade" para com a situação de Ana Maria Brandão "Ninguém pode ficar indiferente e insensível", disse.
Acontece que o processo legislativo para mudar as regras das juntas médicas, mesmo declarado urgente pelo próprio primeiro-ministro, arrastou-se entre São Bento e o Palácio de Belém por mais de três meses e meio, mais dois meses do que seria de esperar, de acordo com os prazos fixados na Constituição.
Aprovadas em Conselho de Ministros a 12 de Julho, acabaram perdidas nos corredores sem explicação oficial. Há, é claro, dois motivos possíveis ou o presidente da República enviou o diploma de volta para o Governo, sugerindo mudanças ou pedindo explicações adicionais (o que é, diga-se, prática comum); ou foi esquecido entre os ministérios das Finanças e do Conselho de Ministros, responsáveis pela elaboração da lei e pela ligação a Belém, respectivamente. Contactados pelo JN, os ministérios recusam uma resposta, falando apenas num processo legislativo "normal".
Mas nem tanto. É que, uma vez chegado a Belém, qualquer diploma tem 40 dias para ser assinado por Cavaco Silva. O que, mesmo admitindo um normal atraso no envio do documento, atiraria uma decisão para o início de Setembro.
Seja como for, e mesmo tendo demorado mais tempo do que o desejado, o Governo acredita que o decreto - uma vez publicado em "Diário da República" - pode evitar novos casos de injustiças nas avaliações. Ontem mesmo, quando anunciou que travara um novo caso, Teixeira dos Santos mostrou-se optimista face ao futuro. "Com as novas regras, esperamos que estas situações não se repitam e que sejam resolvidas com grande sentido de humanidade. É necessário maior rigor", pediu o ministro.
Questionado sobre os resultados das auditorias ao funcionamento das juntas médicas, o titular da pasta das Finanças referiu terem sido reveladas "algumas deficiências. Mas será posto cobro a situações desumanas como esta", garantiu.
A esperança renovada de Ana Maria Brandão
Ao fim de três anos de baixa e depois de uma Junta Médica da ADSE ter declarado a sua incapacidade para exercer a actividade profissional, Ana Maria Brandão, de 43 anos, funcionária da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães, em Ponte de Lima, teve de se apresentar ontem ao trabalho, por indicação dada, na sexta-feira passada, pela Caixa Geral de Aposentações. Na sede da Junta de Freguesia, Ana Maria Brandão limitou-se a ficar sentada numa cadeira, encostada à parede, juntamente com o seu pai, que a ajudou a deslocar-se para o local de trabalho - "ela não consegue andar mais de 20 metros sozinha", disse.
Tudo começou numa operação mal sucedida a uma hérnia discal, em 1998, deixando para trás uma vida cheia. Foi criadora do grupo de folclore da freguesia, catequista e membro de um grupo coral.
Hoje, tão-pouco consegue "lavar-se ou vestir-se sem ajuda", refere o relatório da sua médica de família. Por seu turno, um relatório do INC (Instituto de Neurocirurgia) de 22 de Janeiro, indica que se trata de uma situação "crónica, sem melhoria e que a incapacita para a sua actividade profissional". Um outro relatório da Clínica de Psiquiatria indica um "síndrome depressivo".
Em Fevereiro de 2006, Ana Maria foi a uma junta médica da ADSE, que a terá considerado incapacitada para o trabalho. Só que após uma nova junta médica, a Caixa Geral de Aposentações, "em virtude de não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções", decretou o seu regresso ao trabalho. Algo que cumpriu, apesar de saber que nada iria poder fazer "Estou aqui a fazer sala", dizia.
Durante o dia, o ministro das Finanças garantia que Ana Maria Brandão iria "entrar novamente de baixa médica" até que a CGA proceda à reapreciação.
Algo que deve acontecer ainda este mês, no Porto.
A notícia deixou a funcionária com a esperança renovada de que "agora se faça justiça", embora tema que "haja retaliações sobre ela, por o seu caso ter ficado exposto".
(Por Miguel Rodrigues no Jornal de Notícias de 6-11-2007)
Nota: O sublinhado é da minha autoria e não original da notícia.
Cavaco deu luz verde às novas juntas médicas
As novas regras de funcionamento e avaliação das juntas médicas vão entrar em vigor nos próximos dias, depois de Cavaco Silva ter promulgado o decreto do Governo no passado dia 26 de Outubro, confirmou a Presidência da República ao JN.
Certo é que a luz verde de Belém não chegou a tempo de travar mais uma alegada avaliação injusta, que quase obrigava uma mulher a voltar ao trabalho numa junta de freguesia, mesmo sem capacidade de locomoção. O caso ontem noticiado foi travado a tempo, mas obrigou o ministro das Finanças a fazer uma conferência de Imprensa, onde anunciou a reapreciação do caso, manifestando a sua "solidariedade" para com a situação de Ana Maria Brandão "Ninguém pode ficar indiferente e insensível", disse.
Acontece que o processo legislativo para mudar as regras das juntas médicas, mesmo declarado urgente pelo próprio primeiro-ministro, arrastou-se entre São Bento e o Palácio de Belém por mais de três meses e meio, mais dois meses do que seria de esperar, de acordo com os prazos fixados na Constituição.
Aprovadas em Conselho de Ministros a 12 de Julho, acabaram perdidas nos corredores sem explicação oficial. Há, é claro, dois motivos possíveis ou o presidente da República enviou o diploma de volta para o Governo, sugerindo mudanças ou pedindo explicações adicionais (o que é, diga-se, prática comum); ou foi esquecido entre os ministérios das Finanças e do Conselho de Ministros, responsáveis pela elaboração da lei e pela ligação a Belém, respectivamente. Contactados pelo JN, os ministérios recusam uma resposta, falando apenas num processo legislativo "normal".
Mas nem tanto. É que, uma vez chegado a Belém, qualquer diploma tem 40 dias para ser assinado por Cavaco Silva. O que, mesmo admitindo um normal atraso no envio do documento, atiraria uma decisão para o início de Setembro.
Seja como for, e mesmo tendo demorado mais tempo do que o desejado, o Governo acredita que o decreto - uma vez publicado em "Diário da República" - pode evitar novos casos de injustiças nas avaliações. Ontem mesmo, quando anunciou que travara um novo caso, Teixeira dos Santos mostrou-se optimista face ao futuro. "Com as novas regras, esperamos que estas situações não se repitam e que sejam resolvidas com grande sentido de humanidade. É necessário maior rigor", pediu o ministro.
Questionado sobre os resultados das auditorias ao funcionamento das juntas médicas, o titular da pasta das Finanças referiu terem sido reveladas "algumas deficiências. Mas será posto cobro a situações desumanas como esta", garantiu.
A esperança renovada de Ana Maria Brandão
Ao fim de três anos de baixa e depois de uma Junta Médica da ADSE ter declarado a sua incapacidade para exercer a actividade profissional, Ana Maria Brandão, de 43 anos, funcionária da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães, em Ponte de Lima, teve de se apresentar ontem ao trabalho, por indicação dada, na sexta-feira passada, pela Caixa Geral de Aposentações. Na sede da Junta de Freguesia, Ana Maria Brandão limitou-se a ficar sentada numa cadeira, encostada à parede, juntamente com o seu pai, que a ajudou a deslocar-se para o local de trabalho - "ela não consegue andar mais de 20 metros sozinha", disse.
Tudo começou numa operação mal sucedida a uma hérnia discal, em 1998, deixando para trás uma vida cheia. Foi criadora do grupo de folclore da freguesia, catequista e membro de um grupo coral.
Hoje, tão-pouco consegue "lavar-se ou vestir-se sem ajuda", refere o relatório da sua médica de família. Por seu turno, um relatório do INC (Instituto de Neurocirurgia) de 22 de Janeiro, indica que se trata de uma situação "crónica, sem melhoria e que a incapacita para a sua actividade profissional". Um outro relatório da Clínica de Psiquiatria indica um "síndrome depressivo".
Em Fevereiro de 2006, Ana Maria foi a uma junta médica da ADSE, que a terá considerado incapacitada para o trabalho. Só que após uma nova junta médica, a Caixa Geral de Aposentações, "em virtude de não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções", decretou o seu regresso ao trabalho. Algo que cumpriu, apesar de saber que nada iria poder fazer "Estou aqui a fazer sala", dizia.
Durante o dia, o ministro das Finanças garantia que Ana Maria Brandão iria "entrar novamente de baixa médica" até que a CGA proceda à reapreciação.
Algo que deve acontecer ainda este mês, no Porto.
A notícia deixou a funcionária com a esperança renovada de que "agora se faça justiça", embora tema que "haja retaliações sobre ela, por o seu caso ter ficado exposto".
(Por Miguel Rodrigues no Jornal de Notícias de 6-11-2007)
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
REGIÃO NORTE - Porto, Braga ,Trás-os-Montes ... ou The Big Picture

No passado mês de Março escrevi um comentário no blogue Regionalização que depois o António Almeida Felizes resolveu reproduzir como post. Pela actualidade e pertinência do tema repito-o, desta vez aqui, com alguns ajustes.
A região Norte tem 4 milhões de habitantes, o distrito do Porto tem mais de 2 milhões e cresce. O Grande Porto tem uma área de influência de mais de 3 milhões de habitantes.
Os transmontanos e bracarenses que escolham. O Porto por si só é suficiente para ser uma região autónoma. O Norte sem o Porto não sobrevive.
Esse discurso do centralismo do Porto é uma das mais bem sucedidas mentiras postas a circular pelos inimigos da regionalização. As principais vozes que se ouvem em defesa do Douro e Minho até são ligadas ao Porto. Quem tem defendido a reabilitação da Linha do Douro? E o Comboio moderno para Vigo que atravessará o Minho? Quem tem berrado em defesa da indústria do Ave? Quem tem feito coro em defesa do desenvolvimento turístico do vale do Douro?
Infelizmente, tanto no Minho como no Douro não têm faltado autarcas (e não só) que se vendem rapidamente por um prato de lentilhas. O fecho da Linha do Douro do Pocinho à Barca, da Linha do Corgo de Vila Real em diante, da Linha do Pocinho a Duas Igrejas, de Valença a Monção, assim como a da Amarante ao Arco de Baúlhe ou os recentes encerramentos de urgências no Minho, são exemplos eloquentes da pusilanimidade de muitos autarcas do Minho, Douro e Trás-os-Montes (e não só) que trairam as suas populações por 10 reis de mel coado.
Tenho a certeza que a maioria dos portuenses não se incomodaria se colocassem a "capital" (são 6 os membros do executivo regional - como vêem uma fantástica e numerosa classe política) noutro sítio qualquer (por mim pode ser Braga, pelo significado histórico e até devido às minhas origens familiares, mas qualquer outra me serve).
A regionalização implicará necessariamente uma outra ordem e não a cópia do pior que existe neste momento - Lisboa. Deverá instituir-se um modelo que se apoia na multi polaridade que é característica da Região Norte. Deve adoptar-se o funcionamento em rede, com as valências distribuidas. Por exemplo: transportes e economia no Porto, indústria em Braga, Cultura em Guimarães, agricultura e turismo em Vila Real, pescas em Matosinhos, Ciência em Aveiro, se for caso disso. Outras hipóteses podem ser apontadas.
Aqui existem vários centros de excelência: Porto, Braga, Guimarães, Vila Real e até Aveiro se esta cidade decidir juntar-se ao Norte. Repare-se que se traçarmos um raio de 60 km com centro no Porto englobamos na sua circunferência um conjunto de grandes e dinâmicas cidades portuguesas. Por aqui não existe um eucalipto que tudo seca em volta como acontece no sul.
O peso demográfico do Grande Porto é suficiente para garantir o papel desta metrópole em qualquer modelo. Mesmo que existam tiques centralistas qual será melhor: um centralismo a 400 km de distancia e de costas voltadas para o Norte, ou um a 50/100 km e com grandes afinidades, até pela imensa mole de naturais, com o Minho, o Douro e o Vouga?
Decidam-se: para o Porto basta que a área metropolitana vote sem margem para dúvidas na regionalização que ela fazer-se-à pelo menos na Grande Área Metropolitana do Porto. Não haverá governo capaz de aguentar a pressão política, a menos que se disponha a enfrentar uma revolta. A partir desse dia será insustentável manter o Porto na menoridade política. Quem quiser vir atrás que venha. Acabaram-se os tempos das contemporizações. A hora é de acção. Caminhemos juntos!
Agora uma pergunta: conseguem perceber no mapa qual é a região no noroeste da península cuja densidade e volume populacional é a única capaz de pedir meças à região de Madrid?
PS - Esta é a minha última intervenção neste blogue. Um abraço
(Por António Alves no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 2-11-2007)
A região Norte tem 4 milhões de habitantes, o distrito do Porto tem mais de 2 milhões e cresce. O Grande Porto tem uma área de influência de mais de 3 milhões de habitantes.
Os transmontanos e bracarenses que escolham. O Porto por si só é suficiente para ser uma região autónoma. O Norte sem o Porto não sobrevive.
Esse discurso do centralismo do Porto é uma das mais bem sucedidas mentiras postas a circular pelos inimigos da regionalização. As principais vozes que se ouvem em defesa do Douro e Minho até são ligadas ao Porto. Quem tem defendido a reabilitação da Linha do Douro? E o Comboio moderno para Vigo que atravessará o Minho? Quem tem berrado em defesa da indústria do Ave? Quem tem feito coro em defesa do desenvolvimento turístico do vale do Douro?
Infelizmente, tanto no Minho como no Douro não têm faltado autarcas (e não só) que se vendem rapidamente por um prato de lentilhas. O fecho da Linha do Douro do Pocinho à Barca, da Linha do Corgo de Vila Real em diante, da Linha do Pocinho a Duas Igrejas, de Valença a Monção, assim como a da Amarante ao Arco de Baúlhe ou os recentes encerramentos de urgências no Minho, são exemplos eloquentes da pusilanimidade de muitos autarcas do Minho, Douro e Trás-os-Montes (e não só) que trairam as suas populações por 10 reis de mel coado.
Tenho a certeza que a maioria dos portuenses não se incomodaria se colocassem a "capital" (são 6 os membros do executivo regional - como vêem uma fantástica e numerosa classe política) noutro sítio qualquer (por mim pode ser Braga, pelo significado histórico e até devido às minhas origens familiares, mas qualquer outra me serve).
A regionalização implicará necessariamente uma outra ordem e não a cópia do pior que existe neste momento - Lisboa. Deverá instituir-se um modelo que se apoia na multi polaridade que é característica da Região Norte. Deve adoptar-se o funcionamento em rede, com as valências distribuidas. Por exemplo: transportes e economia no Porto, indústria em Braga, Cultura em Guimarães, agricultura e turismo em Vila Real, pescas em Matosinhos, Ciência em Aveiro, se for caso disso. Outras hipóteses podem ser apontadas.
Aqui existem vários centros de excelência: Porto, Braga, Guimarães, Vila Real e até Aveiro se esta cidade decidir juntar-se ao Norte. Repare-se que se traçarmos um raio de 60 km com centro no Porto englobamos na sua circunferência um conjunto de grandes e dinâmicas cidades portuguesas. Por aqui não existe um eucalipto que tudo seca em volta como acontece no sul.
O peso demográfico do Grande Porto é suficiente para garantir o papel desta metrópole em qualquer modelo. Mesmo que existam tiques centralistas qual será melhor: um centralismo a 400 km de distancia e de costas voltadas para o Norte, ou um a 50/100 km e com grandes afinidades, até pela imensa mole de naturais, com o Minho, o Douro e o Vouga?
Decidam-se: para o Porto basta que a área metropolitana vote sem margem para dúvidas na regionalização que ela fazer-se-à pelo menos na Grande Área Metropolitana do Porto. Não haverá governo capaz de aguentar a pressão política, a menos que se disponha a enfrentar uma revolta. A partir desse dia será insustentável manter o Porto na menoridade política. Quem quiser vir atrás que venha. Acabaram-se os tempos das contemporizações. A hora é de acção. Caminhemos juntos!
Agora uma pergunta: conseguem perceber no mapa qual é a região no noroeste da península cuja densidade e volume populacional é a única capaz de pedir meças à região de Madrid?
PS - Esta é a minha última intervenção neste blogue. Um abraço
(Por António Alves no blogue "http://norteamos.blogspot.com/" em 2-11-2007)
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Ryanair - Petição online
"Para que todos possamos beneficiar de mais voos a partir do Porto para novos destinos por toda a europa, é crucial que a Ryanair tenha uma base no Porto - algo que tem vindo a ser estudado nos últimos 2 anos, mas que infelizmente ainda não foi concretizado. Ao assinar esta petição online, estamos todos a contribuir para a expansão do turismo no Porto e a aumentar as possibilidades de todos voarmos a preços baixos para novos destinos - já para não falar na ajuda à criação de 60 novos postos de trabalho no aeroporto do Porto. Passem este email aos que puderem e assinem a petição."
O erro fatal do voo TP 653
No dia 6 de Agosto, o comandante do voo TP 653 tomou uma decisão cujos danos para TAP ainda não são totalmente conhecidos, mas que espero sejam muito elevados.
Como partiu de Amesterdão com duas horas de atraso, o comandante achou por bem agir como um pirata do ar fardado e desviou do Porto para Lisboa o destino do voo TP 653, argumentando que assim evitaria à companhia o prejuízo da anulação de um voo Lisboa-Paris.
Como contribuinte, acho preocupante que a estatal TAP se tenha dado ao luxo de fazer ao GES o jeito de lhe comprar, por 140 milhões de euros, a Portugália, que não fosse nacionalizada teria de fechar as portas.
Como cidadão, acho ultrajante a cultura de falta de respeito pelos passageiros que leva um comandante da TAP a mudar uma rota para poupar uns cobres à companhia.
Como portuense, sinto-me insultado porque sei (sabemos todos), que nem sequer passaria pela cabeça do infeliz comandante desviar, por razões económicas, um voo de Lisboa para o Porto.
A suprema infelicidade do comandante residiu no facto da equipa do FC Porto seguir a bordo do TP 653 e de os dirigentes portistas não serem gente para se acanhar quando suspeitam que há motivo para protestos.
O voo TP 653, que era suposto aterrar no Sá Carneiro às 16h10, aterrou em Lisboa às 18h30, e os passageiros com destino ao Porto, deficientemente informados e muito justamente mal dispostos, acabaram transferidos para um avião com mais passageiros do que lugares.
E como se o caldo ainda não estivesse suficientemente entornado, o comandante caprichou aom mandar prender o chefe da comitiva portista, por este, no seu entender, se ter excedido nos protestos.
Este episódio é revelador da falta de respeito da companhia pelos seus clientes, em particular pelos nortenhos. O menosprezo da TAP pelo Porto já é antigo e manifestou-se por anos a fio de desinvestimento, acabando com voos directos a partir do Sá Caneiro para concentrar na Portela (o tal aeroporto que está saturado) o essencial das suas operações.
A TAP já começou a pagar por esta sua arrogância centralista. Quando não há voo directo para o seu destino, nove em cada dez homens de negócio do Norte preferem fazer a escala em Frankfurt (os alemães aproveitaram o espaço deixado livre pela TAP para aumentarem as suas ligações diárias ao Porto) do que em Lisboa.
Penalizada pelos lugares de destaque que alcançou nos rankings internacionais da perda de malas e atrasos, a TAP iniciou uma campanha de lavagem da sua imagem. Da cartola, ainda só conseguiu tirar dois coelhos, ambos anémicos.
Anunciou com foros de notícia de primeira página, a inauguração de ligações directas do Porto a Bruxelas e Roma. Esqueceu-se de acrescentar que estas rotas se destinam a aproveitar os Fokkers que herdou da Portugália.
Para se calibrar a importância destas duas novas, basta ver que só a Ryanair vai abrir até ao fim do ano cinco novo voos directos do Porto para Pisa, Estocolmo, Valência, Bristol e Milão.
As migalhas dos voos para Bruxelas e Roma não me comovem. Por isso apoio o boicote portista. Voar na TAP, só mesmo quando não tiver alternativa.
(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 31-10-2007
Como partiu de Amesterdão com duas horas de atraso, o comandante achou por bem agir como um pirata do ar fardado e desviou do Porto para Lisboa o destino do voo TP 653, argumentando que assim evitaria à companhia o prejuízo da anulação de um voo Lisboa-Paris.
Como contribuinte, acho preocupante que a estatal TAP se tenha dado ao luxo de fazer ao GES o jeito de lhe comprar, por 140 milhões de euros, a Portugália, que não fosse nacionalizada teria de fechar as portas.
Como cidadão, acho ultrajante a cultura de falta de respeito pelos passageiros que leva um comandante da TAP a mudar uma rota para poupar uns cobres à companhia.
Como portuense, sinto-me insultado porque sei (sabemos todos), que nem sequer passaria pela cabeça do infeliz comandante desviar, por razões económicas, um voo de Lisboa para o Porto.
A suprema infelicidade do comandante residiu no facto da equipa do FC Porto seguir a bordo do TP 653 e de os dirigentes portistas não serem gente para se acanhar quando suspeitam que há motivo para protestos.
O voo TP 653, que era suposto aterrar no Sá Carneiro às 16h10, aterrou em Lisboa às 18h30, e os passageiros com destino ao Porto, deficientemente informados e muito justamente mal dispostos, acabaram transferidos para um avião com mais passageiros do que lugares.
E como se o caldo ainda não estivesse suficientemente entornado, o comandante caprichou aom mandar prender o chefe da comitiva portista, por este, no seu entender, se ter excedido nos protestos.
Este episódio é revelador da falta de respeito da companhia pelos seus clientes, em particular pelos nortenhos. O menosprezo da TAP pelo Porto já é antigo e manifestou-se por anos a fio de desinvestimento, acabando com voos directos a partir do Sá Caneiro para concentrar na Portela (o tal aeroporto que está saturado) o essencial das suas operações.
A TAP já começou a pagar por esta sua arrogância centralista. Quando não há voo directo para o seu destino, nove em cada dez homens de negócio do Norte preferem fazer a escala em Frankfurt (os alemães aproveitaram o espaço deixado livre pela TAP para aumentarem as suas ligações diárias ao Porto) do que em Lisboa.
Penalizada pelos lugares de destaque que alcançou nos rankings internacionais da perda de malas e atrasos, a TAP iniciou uma campanha de lavagem da sua imagem. Da cartola, ainda só conseguiu tirar dois coelhos, ambos anémicos.
Anunciou com foros de notícia de primeira página, a inauguração de ligações directas do Porto a Bruxelas e Roma. Esqueceu-se de acrescentar que estas rotas se destinam a aproveitar os Fokkers que herdou da Portugália.
Para se calibrar a importância destas duas novas, basta ver que só a Ryanair vai abrir até ao fim do ano cinco novo voos directos do Porto para Pisa, Estocolmo, Valência, Bristol e Milão.
As migalhas dos voos para Bruxelas e Roma não me comovem. Por isso apoio o boicote portista. Voar na TAP, só mesmo quando não tiver alternativa.
(Por Jorge Fiel no blogue "http://bussola.blogs.sapo.pt/" em 31-10-2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
O novo paradoxo do ornitorrinco
Em sucessivos fóruns onde é debatida a regionalização é recorrente ouvirmos, da parte dos centralistas, o argumento de que a criação das regiões administrativas iria implicar uma proliferação de cargos políticos e, consequentemente, provocar um significativo aumento da despesa pública.
É sabido pela Lei-Quadro das regiões administrativas (Lei n.º 56/91, 13 Agosto), que os lugares políticos remunerados a serem criados, num modelo de 5 regiões, no seu conjunto, perfazem 31. Os restantes lugares serão os de deputados às diferentes Assembleias Regionais, que, como está consignado na referida lei, apenas auferirão "senhas de presença".
Seja como for, não é objectivo deste "post", desmontar este argumento falacioso da proliferação de "lugares". Opto antes por apresentar um artigo da recente lei (muito pouco comentada), aprovada na Assembleia da República sobre a alteração ao Estatuto dos Deputados:
Lei n.º 43/2007
de 24 de Agosto
Décima alteração à Lei n.º 7/93, de 1 de Março
(Estatuto dos Deputados)
Artigo 12.º
[...]
1 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2 — Cada Deputado tem direito a dispor de condições adequadas de trabalho, nomeadamente de:
a) Gabinete próprio e individualizado na sede da Assembleia da República;
b) Assistente individual, a recrutar nos termos da lei;
c) Caixa de correio electrónico dedicada;
d) Página individual no portal da Assembleia da República na Internet.
Ora isto significa, que, de uma só vez, serão recrutados pelo poder central qualquer coisa como 230 "assistentes individuais". Estas pessoas irão no imediato integrar os quadros da função pública e terão uma remuneração muito significativa - perto de € 2.000.
Curiosamente (ou não) a comunicação social não se interessou por isto.
A bem do centralismo tudo é permitido. Todavia, quando é para ceder poder, aqui mais devagar, nem que seja preciso recorrer a esta originalidade portuguesa que é referendar normas constitucionais.
Cada vez me convenço mais que as próprias regiões administrativas já estão fora de tempo, já não vão conseguir responder com eficácia às necessidades das populações. Vamos mesmo ter que pensar e evoluir para patamares mais alargados de descentralização.
(Por Antonio Almeida Felizes no blogue "http://regioes.blogspot.com/" em 30-10-2007)
É sabido pela Lei-Quadro das regiões administrativas (Lei n.º 56/91, 13 Agosto), que os lugares políticos remunerados a serem criados, num modelo de 5 regiões, no seu conjunto, perfazem 31. Os restantes lugares serão os de deputados às diferentes Assembleias Regionais, que, como está consignado na referida lei, apenas auferirão "senhas de presença".
Seja como for, não é objectivo deste "post", desmontar este argumento falacioso da proliferação de "lugares". Opto antes por apresentar um artigo da recente lei (muito pouco comentada), aprovada na Assembleia da República sobre a alteração ao Estatuto dos Deputados:
Lei n.º 43/2007
de 24 de Agosto
Décima alteração à Lei n.º 7/93, de 1 de Março
(Estatuto dos Deputados)
Artigo 12.º
[...]
1 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2 — Cada Deputado tem direito a dispor de condições adequadas de trabalho, nomeadamente de:
a) Gabinete próprio e individualizado na sede da Assembleia da República;
b) Assistente individual, a recrutar nos termos da lei;
c) Caixa de correio electrónico dedicada;
d) Página individual no portal da Assembleia da República na Internet.
Ora isto significa, que, de uma só vez, serão recrutados pelo poder central qualquer coisa como 230 "assistentes individuais". Estas pessoas irão no imediato integrar os quadros da função pública e terão uma remuneração muito significativa - perto de € 2.000.
Curiosamente (ou não) a comunicação social não se interessou por isto.
A bem do centralismo tudo é permitido. Todavia, quando é para ceder poder, aqui mais devagar, nem que seja preciso recorrer a esta originalidade portuguesa que é referendar normas constitucionais.
Cada vez me convenço mais que as próprias regiões administrativas já estão fora de tempo, já não vão conseguir responder com eficácia às necessidades das populações. Vamos mesmo ter que pensar e evoluir para patamares mais alargados de descentralização.
(Por Antonio Almeida Felizes no blogue "http://regioes.blogspot.com/" em 30-10-2007)
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Junta Metropolitana Porto teme desvio de fundos para Lisboa
A Junta Metropolitana do Porto (JMP) alertou hoje para o "perigo" de desvio para Lisboa de verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) destinadas ao Norte.
"Aquilo que foi acontecendo, ao longo dos anos, aqui e acolá, pode agora acontecer com maior simplicidade porque está em lei", afirmou Rui Rio, no final de uma reunião ordinária da JMP.
Rio referia-se ao ponto sete da resolução do Conselho de Ministros nº86/2007, que prevê que verbas destinadas ao programa operacional do Norte (PO/Norte) possam ser utilizadas por Lisboa se forem aplicadas em projectos "considerados muito relevantes para o desenvolvimento das regiões objectivo 'Convergência" do Continente".
"Um projecto sedeado em Lisboa, que se insira no Objectivo I [regiões ilegíveis e de apoio transitório], pode acabar por ser financiado pelo Plano Operacional/Norte, porque é considerado de elevadíssimo interesse nacional", explicou Rio.
Segundo o também autarca da Câmara do Porto, a região de Lisboa, apesar de estar fora deste Objectivo I, pode aproveitar-se através do que está em texto na lei.
A JMP, que pretendeu dar a "perceber o perigo que aqui está plasmado em lei", considerou que esta legislação demonstra que Portugal continua centralizado.
A título de exemplo, Rio disse que, se a região Norte pretender construir um pavilhão de ciência e conhecimento, este será sempre tido como uma infra-estrutura de interesse local, mas o mesmo pavilhão em Lisboa pode ser considerado de elevado interesse nacional.
Numa situação como esta, acrescentou, "estamos todos a pagar por um projecto exactamente igual".Para a JMP, os representantes das autarquias da Região Norte na unidade de gestão do próximo quadro comunitário (2007-2013) têm a obrigação de "estar atentos".
"Terão que lutar contra isto, estar vigilantes", salientou Rui Rio, contando que, por isso mesmo, a JMP decidiu na sua última reunião escrever uma carta ao presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses pela forma como escolheu os representantes.
Para a JMP, estes representantes têm de garantir que os oito milhões de euros destinados ao PO/Norte são mesmo aplicados na região.
(No "Porto Canal" em 26-10-2007)
"Aquilo que foi acontecendo, ao longo dos anos, aqui e acolá, pode agora acontecer com maior simplicidade porque está em lei", afirmou Rui Rio, no final de uma reunião ordinária da JMP.
Rio referia-se ao ponto sete da resolução do Conselho de Ministros nº86/2007, que prevê que verbas destinadas ao programa operacional do Norte (PO/Norte) possam ser utilizadas por Lisboa se forem aplicadas em projectos "considerados muito relevantes para o desenvolvimento das regiões objectivo 'Convergência" do Continente".
"Um projecto sedeado em Lisboa, que se insira no Objectivo I [regiões ilegíveis e de apoio transitório], pode acabar por ser financiado pelo Plano Operacional/Norte, porque é considerado de elevadíssimo interesse nacional", explicou Rio.
Segundo o também autarca da Câmara do Porto, a região de Lisboa, apesar de estar fora deste Objectivo I, pode aproveitar-se através do que está em texto na lei.
A JMP, que pretendeu dar a "perceber o perigo que aqui está plasmado em lei", considerou que esta legislação demonstra que Portugal continua centralizado.
A título de exemplo, Rio disse que, se a região Norte pretender construir um pavilhão de ciência e conhecimento, este será sempre tido como uma infra-estrutura de interesse local, mas o mesmo pavilhão em Lisboa pode ser considerado de elevado interesse nacional.
Numa situação como esta, acrescentou, "estamos todos a pagar por um projecto exactamente igual".Para a JMP, os representantes das autarquias da Região Norte na unidade de gestão do próximo quadro comunitário (2007-2013) têm a obrigação de "estar atentos".
"Terão que lutar contra isto, estar vigilantes", salientou Rui Rio, contando que, por isso mesmo, a JMP decidiu na sua última reunião escrever uma carta ao presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses pela forma como escolheu os representantes.
Para a JMP, estes representantes têm de garantir que os oito milhões de euros destinados ao PO/Norte são mesmo aplicados na região.
(No "Porto Canal" em 26-10-2007)
Televisões=Centralização
Há muito que tenho a firme convicção que, a par e em sintonia com o Estado, um dos instrumentos responsáveis pela macrocefalia centralizadora do país na capital, se deve em substancia à acção dos orgãos de comunicação social, com destaque para a televisão, pelo forte impacto de audiências que disfruta junto do grande público.
Por razões temporais, não irei ao ponto de garantir (como já alguém disse) que a televisão elege ou derruba Chefes de Estado ou Govêrnos, mas não hesitarei em afirmar que - num país de gente despolitizada e apática, como ainda é o nosso - pode perfeitamente manipular a opinião pública à penumbra de práticas aparentemente democráticas e até lisonjeiras. Mas, com o tempo necessário para a tarefa, não custa a crer que seria mesmo capaz de derrubar e eleger Govêrnos.
A juntar a esse poder semi-oculto, mas factual, existem outro tipo de fenómenos de carácter socioeconómico, como é o caso do futebol, que a televisão explora para manipular a população em função dos seus desígnios ou prioridades. Assim, com todo o tempo do mundo e sem oposição, vai urdindo valores, inventando intrigas, carimbando competências, levantando suspeitas, ao mesmo tempo que modela mentalidades e opiniões públicas.
Deste trabalho de formiguinha, em prol dos interesses centralistas, obviamente, não assumido, as televisões usam a clubite aguda dos portugueses para os dividir, incluindo gente da mesma cidade e região, preparando-se pacientemente para recolher os "louros" chegada a hora de "decidir" a Regionalização.
Não é por acaso que este tema (o da Regionalização) sendo tão pertinente ao nível do interesse e da receptividade pública, com sucesso previsivelmente garantido, é dos raros de que as tvs lisboetas preferem abdicar. O mesmo se passa, com alguns fazedores de opinião ao seu serviço, como Pacheco Pereira e Marcelo Rebêlo de Sousa que fogem do assunto como o diabo da cruz...
Pelo exposto, o resultado do trabalho missionário das televisões, junto do Poder Central, à imagem da "acção psicológica" usada pelo exército na ex-guerra colonial para "amansar" os rebeldes, redundou num acentuado bairrismo das populações (no que de pior contém a nova adjectivação), gerando fissuras difíceis de sanar a curto prazo.
A discussão pública sobre a Regionalização patente em alguns espaços de opinião na Web, como fóruns, blogues, etc., mostra-nos à evidência esses sintomas. Bastará pesquisarmos atentamente para percebermos, que a lei "SONY", aquela que dizia, "a minha televisão, é maior que a tua", domina o conceito de divisão territorial de alguns supostos "regionalistas", de tal forma que, não tarda, estarão a discutir ferozmente o espaço reservado a cada membro da família dentro da sua própria casa sem opção referendária.
E é destes "regionalistas" que o Centralismo gosta.
(Por Rui Valente no blogue "http://renovaroporto.blogspot.com/" em 24-10-2007)
Por razões temporais, não irei ao ponto de garantir (como já alguém disse) que a televisão elege ou derruba Chefes de Estado ou Govêrnos, mas não hesitarei em afirmar que - num país de gente despolitizada e apática, como ainda é o nosso - pode perfeitamente manipular a opinião pública à penumbra de práticas aparentemente democráticas e até lisonjeiras. Mas, com o tempo necessário para a tarefa, não custa a crer que seria mesmo capaz de derrubar e eleger Govêrnos.
A juntar a esse poder semi-oculto, mas factual, existem outro tipo de fenómenos de carácter socioeconómico, como é o caso do futebol, que a televisão explora para manipular a população em função dos seus desígnios ou prioridades. Assim, com todo o tempo do mundo e sem oposição, vai urdindo valores, inventando intrigas, carimbando competências, levantando suspeitas, ao mesmo tempo que modela mentalidades e opiniões públicas.
Deste trabalho de formiguinha, em prol dos interesses centralistas, obviamente, não assumido, as televisões usam a clubite aguda dos portugueses para os dividir, incluindo gente da mesma cidade e região, preparando-se pacientemente para recolher os "louros" chegada a hora de "decidir" a Regionalização.
Não é por acaso que este tema (o da Regionalização) sendo tão pertinente ao nível do interesse e da receptividade pública, com sucesso previsivelmente garantido, é dos raros de que as tvs lisboetas preferem abdicar. O mesmo se passa, com alguns fazedores de opinião ao seu serviço, como Pacheco Pereira e Marcelo Rebêlo de Sousa que fogem do assunto como o diabo da cruz...
Pelo exposto, o resultado do trabalho missionário das televisões, junto do Poder Central, à imagem da "acção psicológica" usada pelo exército na ex-guerra colonial para "amansar" os rebeldes, redundou num acentuado bairrismo das populações (no que de pior contém a nova adjectivação), gerando fissuras difíceis de sanar a curto prazo.
A discussão pública sobre a Regionalização patente em alguns espaços de opinião na Web, como fóruns, blogues, etc., mostra-nos à evidência esses sintomas. Bastará pesquisarmos atentamente para percebermos, que a lei "SONY", aquela que dizia, "a minha televisão, é maior que a tua", domina o conceito de divisão territorial de alguns supostos "regionalistas", de tal forma que, não tarda, estarão a discutir ferozmente o espaço reservado a cada membro da família dentro da sua própria casa sem opção referendária.
E é destes "regionalistas" que o Centralismo gosta.
(Por Rui Valente no blogue "http://renovaroporto.blogspot.com/" em 24-10-2007)
Bússola vai dizer bem do Norte e da regionalização
Por entre piropos e pedidos de beijos de vendedoras do Bolhão, o empresário Manuel Serrão, o jornalista Júlio Magalhães e outros amigos reuniram-se ontem no mais emblemático mercado portuense para apresentarem o Bússola, o blogue onde prometem escrever "a dizer bem de tudo o que é do Norte". "Para dizer mal, já estão os outros todos, os "abruptos" e os "marcelos"", justificou Manuel Serrão.O blogue está disponível em http://bussola.blogs.sapo.pt/ e é dinamizado por um conjunto de amigos formado ainda pelo vereador da Câmara de Matosinhos Fernando Rocha, pelos empresários António Correia Dias, António Sousa Cardoso e Mário Rui e pelos jornalistas Jorge Fiel, Manuel Queiroz e Rogério Gomes, que se reúnem para jantar todas as segundas-feiras, desde há 16 anos.
Manuel Serrão apelou aos leitores do Bússola para sugerirem temas e darem ideias de formas de "atacar Lisboa". Júlio Magalhães suavizou: "Não somos contra Lisboa, mas contra a centralização". E Rogério Gomes desenvolveu o tema. "Este blogue surge na véspera de discutirmos a regionalização, que não é uma questão do Norte mas sim nacional", sublinhou.Os nove autores são todos regionalistas. "Quem não for é rapidamente expulso", avisou Serrão.Rogério Gomes explicou que o blogue não expressará uma posição colectiva, mas tão-só as opiniões individuais de cada um dos seus elementos. O blogue estreou-se ontem com um "exclusivo mundial": breves imagens da demolição da pala do antigo Estádio das Antas. Nem todos os autores são portistas, mas vestem sempre a camisola do Norte: "Para jogar contra Lisboa chegamos os nove", disse Manuel Serrão. "E, se for preciso, contratamos dois árbitros", acrescentou Júlio Magalhães. A.V.
(No Jornal "Público" em 25-10-2007)
Manuel Serrão apelou aos leitores do Bússola para sugerirem temas e darem ideias de formas de "atacar Lisboa". Júlio Magalhães suavizou: "Não somos contra Lisboa, mas contra a centralização". E Rogério Gomes desenvolveu o tema. "Este blogue surge na véspera de discutirmos a regionalização, que não é uma questão do Norte mas sim nacional", sublinhou.Os nove autores são todos regionalistas. "Quem não for é rapidamente expulso", avisou Serrão.Rogério Gomes explicou que o blogue não expressará uma posição colectiva, mas tão-só as opiniões individuais de cada um dos seus elementos. O blogue estreou-se ontem com um "exclusivo mundial": breves imagens da demolição da pala do antigo Estádio das Antas. Nem todos os autores são portistas, mas vestem sempre a camisola do Norte: "Para jogar contra Lisboa chegamos os nove", disse Manuel Serrão. "E, se for preciso, contratamos dois árbitros", acrescentou Júlio Magalhães. A.V.
(No Jornal "Público" em 25-10-2007)
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Confortável derrapagem
Os cronistas, jornalistas, bloguistas e quejandos podem já desistir do chavão "derrapagem da Casa da Música", quando quiserem falar do descontrolo das contas públicas. Encham lá a boca com 134 milhões de euros. É grande não é? E nem sequer é bonito como a Casa da Música, que teve muito de suborçamentação nos polémicos 100 milhões de derrapagem. Este não foram contas mal feitas, foi mesmo asneira da grossa e abre antes do Natal, como prenda no sapatinho dos contribuintes. Chama-se prolongamento do Metropolitano de Lisboa até Santa Apolónia e o grande buraco orçamental aconteceu com a inundação daquela que será a Estação do Terreiro do Paço, em 2000. Com candura, o presidente do metro lisboeta já explicou que para estes 10 anos de atrasos não há culpados, tudo se deveu a causas naturais "os cursos de água mudaram por motivos ainda desconhecidos", explicou. Desconfio que desconhecidos irão ficar.
Os números finais deste descalabro público foram conhecidos na terça-feira. Sentiram alguma comoção? Não, foi como se não existissem. E, no entanto os 134 milhões da derrapagem do Terreiro do Paço dariam para pagar a ligação do Dragão à Venda Nova, servindo Gondomar (85 milhões) e ainda sobravam uns trocos. A empreitada toda da ligação a Santa Apolónia, (299 milhões), é aliás quase tanto quanto custaria a a ligação da Casa da Música a Laborim, uma obra que implicaria a construção de mais uma ponte sobre o rio Douro (323 milhões). Nada disto causa espanto quando se sabe que o metro de Lisboa custa o dobro por quilómetro do metro do Porto e rende metade, ou quando impávido e sereno o metro da Margem Sul continua a circular vazio ao preço de 15 mil euros por dia cobrado aos contribuintes. É obviamente muito mais fácil falar da derrapagem da Casa da Música ou da má gestão dos autarcas do Porto. Isso é que interfere com o conforto das gentes da capital.
(Por David Pontes no "Jornal de Notícias" de 12-10-2007)
Os números finais deste descalabro público foram conhecidos na terça-feira. Sentiram alguma comoção? Não, foi como se não existissem. E, no entanto os 134 milhões da derrapagem do Terreiro do Paço dariam para pagar a ligação do Dragão à Venda Nova, servindo Gondomar (85 milhões) e ainda sobravam uns trocos. A empreitada toda da ligação a Santa Apolónia, (299 milhões), é aliás quase tanto quanto custaria a a ligação da Casa da Música a Laborim, uma obra que implicaria a construção de mais uma ponte sobre o rio Douro (323 milhões). Nada disto causa espanto quando se sabe que o metro de Lisboa custa o dobro por quilómetro do metro do Porto e rende metade, ou quando impávido e sereno o metro da Margem Sul continua a circular vazio ao preço de 15 mil euros por dia cobrado aos contribuintes. É obviamente muito mais fácil falar da derrapagem da Casa da Música ou da má gestão dos autarcas do Porto. Isso é que interfere com o conforto das gentes da capital.
(Por David Pontes no "Jornal de Notícias" de 12-10-2007)
Carta aos Nortenhos
(Carta de um cidadão anónimo)
Caro Nortenho
Com toda a certeza, do cimo do seu nariz e na sua arrogância provinciana de Nortenho que lhe é tão intrinsecamente carnal, deve dizer à boca cheia que é homem e mulher do norte com toda a pompa e circunstância.
Para tamanho ego, nada tão irónico como pertencer a tão pobre região. Eis alguns factos que não pode ignorar senhor nortenho:
- O Norte passou de região industrial e burguesa a região das maiores taxas de desemprego e de pobreza tão flagelante que se expressa já em fome em muitos locais e não fechemos os olhos.
- De sua Capital, Invicta cidade do Porto, estandarte orgulhoso, a região norte perde dia após dia influencia e poder na nação “portuguesinha”, sendo cada vez mais um satélite de Lisboa sem capacidade de decisão.
-No referendo à regionalização, a maioria do nortenho, aflito pela divisão da sua pátria votou não, ao que compreendemos que foi uma boa opção se olharmos a que naquela altura, o norte era dividido em várias regiões, mas uma péssima opção se olharmos ao facto que isso só ajudou à transferência de mais poder para Lisboa. Aproveito para deixar aqui a pergunta: Estando agora o Norte todo unido sob uma única região cuja capital é o Porto, não seria de facto a altura correcta para exigir o estatuto de região autónoma? A Madeira e os Açores deram-se bem, muito bem aliás, se pensarmos que a Madeira é bem mais rica que o distrito do Porto, sim senhor nortenho, pode ser uma facada no seu orgulho preguiçoso e desinteressado.
- Enquanto nos ocupamos a trabalhar ou lá o que fazem, a fazer cânticos de como somos bons, regiões como o Alentejo, a Madeira, batem com a mão na mesa e exigem, fazem barulho e lá vão conseguindo o que querem. Serão os políticos deles melhores? Será o povo lá mais lutador? E então, o nortenho é o quê? Factos, são factos e o Norte esta cada vez mais pobre.
- O Distrito do Porto apresenta a 3ª maior taxa de crescimento populacional da Europa, sim, da Europa e mesmo assim nada se passa por esses lados…Estaremos condenados a ser mais um aglomerado populacional? Amadoras há muitas… Gaia mantém a oferta de se unirem as câmaras de Porto, Gaia e Matosinhos…estão à espera de quê? É a única chance que têm de poder bater a mão na mesa e dizer que chega, criando assim uma cidade colosso no Norte.
- Nas barbas dos tripeiros, que mais parecem burros ceguetas, Lisboa capta as maiores empresas, sendo as multinacionais sedeadas no norte prejudicadas intencionalmente pelo governo central para se mudarem para Lisboa…o que pretendem com isto? Fácil meus caros, uma região sem poder de decisão é uma região sem voz e mansinha, uma ovelha no rebanho e que todos sabemos facilita o trabalho a quem nos governa, um velho pastor chamado capital!
- Eventos de renome, como no caso da moda, da arte, do cinema, estão gradualmente a mudarem-se para Lisboa e no fundo não podemos condena-los uma vez que eles apenas tentam sobreviver e o governo central torna-lhes isso cada vez mais impossível, simplesmente pela sua posição 350km a norte de “nossa” capital!
- Vejamos em concreto o caso da SONAE, chefiada pelo Nortenho mais resistente da actualidade, um senhor de seu nome, Belmiro Pinto de Azevedo. Numa altura em que todas as multinacionais se mudam para Lisboa, ele resiste, mantendo o centro de comando da SONAE no Porto, mas por quanto tempo, sabendo que o que ele já resistiu faz dele um herói. Debaixo dos vossos narizes, vocês nem percebem que até no caso da OPA à PT, está tudo a ser dificultado pelo simples facto de esta cair em mãos nortenhas e mesmo correr o risco de vir a ser transferida para o Porto.
- Não sendo eu um apreciador de football, tenho de reconhecer que a imprensa, pelo menos a pesada, está toda a sul e isso deixa em maus lençóis qualquer um que levante a voz cá para cima, pois é de imediato abafado ao passo que é dado muito mais voz a quem nos fala da Capital. Não quero dizer com isto que não haja podridão das demais instituições desportivas mas a pergunta que deixo é: será só no Norte?-
O Porto foi sempre uma cidade Burguesa, de gente lutadora, diria mesmo que somos salvadores da Pátria em tempos de crise mas esquecidos em tempos de glória. Inúmeros Reis, presidentes, e até um ditador chamado Salazar passaram pelo poder deste jardinzinho e no fundo, o que fizeram eles? Acudiram ao choro de Lisboa, como se de uma criancinha mimada se tratasse, ficando o Norte e o Porto constantemente votados ao abandono e ao crescimento por si próprios. Se estamos assim sem eles, imaginem como estaríamos com uma ajuda igualitária. Para relembrar aos amantes de Salazar existentes no Norte, uma mensagem: vocês são burros e estúpidos ao quadrado, pois esse senhor só tinha olhos para a sua capital e para as suas colónias servindo todo o resto da nação como celeiro.
- De lembrar, a Galiza mesmo aqui a Norte mantém a sua palavra em como o seu território original vinha ate ao douro e vila nova de gaia, ou seja, em tempos idos, englobava todo o território do Norte português. Também de referir a paixão da Galiza por Portugal, sincera, um amor separado quase à nascença, uma historia cruel de afastamento mas não pensem caros portuguesinhos na vossa inocência quase ignorante que eles querem ser portugueses, tão pouco querem ser espanhóis é verdade, eles apenas querem a união do Norte de Portugal com a Galiza, mas não por sentimento de conquista mas sim por pura empatia.
- Talvez convenha relembrar a Lisboa que a maior ameaça a um casamento é tomar o parceiro como adquirido e parece-me conveniente relembrar que podemos ter alternativas a este casamento e quem sabe, com este ciúminho, não se apimenta a relação entre Norte e Sul.
Sem mais assunto e com uma réstiazinha de esperança em vocês
Cidadão anónimo
(Do blogue "http://regioes.blogspot.com/" em 9-03-2007)
Caro Nortenho
Com toda a certeza, do cimo do seu nariz e na sua arrogância provinciana de Nortenho que lhe é tão intrinsecamente carnal, deve dizer à boca cheia que é homem e mulher do norte com toda a pompa e circunstância.
Para tamanho ego, nada tão irónico como pertencer a tão pobre região. Eis alguns factos que não pode ignorar senhor nortenho:
- O Norte passou de região industrial e burguesa a região das maiores taxas de desemprego e de pobreza tão flagelante que se expressa já em fome em muitos locais e não fechemos os olhos.
- De sua Capital, Invicta cidade do Porto, estandarte orgulhoso, a região norte perde dia após dia influencia e poder na nação “portuguesinha”, sendo cada vez mais um satélite de Lisboa sem capacidade de decisão.
-No referendo à regionalização, a maioria do nortenho, aflito pela divisão da sua pátria votou não, ao que compreendemos que foi uma boa opção se olharmos a que naquela altura, o norte era dividido em várias regiões, mas uma péssima opção se olharmos ao facto que isso só ajudou à transferência de mais poder para Lisboa. Aproveito para deixar aqui a pergunta: Estando agora o Norte todo unido sob uma única região cuja capital é o Porto, não seria de facto a altura correcta para exigir o estatuto de região autónoma? A Madeira e os Açores deram-se bem, muito bem aliás, se pensarmos que a Madeira é bem mais rica que o distrito do Porto, sim senhor nortenho, pode ser uma facada no seu orgulho preguiçoso e desinteressado.
- Enquanto nos ocupamos a trabalhar ou lá o que fazem, a fazer cânticos de como somos bons, regiões como o Alentejo, a Madeira, batem com a mão na mesa e exigem, fazem barulho e lá vão conseguindo o que querem. Serão os políticos deles melhores? Será o povo lá mais lutador? E então, o nortenho é o quê? Factos, são factos e o Norte esta cada vez mais pobre.
- O Distrito do Porto apresenta a 3ª maior taxa de crescimento populacional da Europa, sim, da Europa e mesmo assim nada se passa por esses lados…Estaremos condenados a ser mais um aglomerado populacional? Amadoras há muitas… Gaia mantém a oferta de se unirem as câmaras de Porto, Gaia e Matosinhos…estão à espera de quê? É a única chance que têm de poder bater a mão na mesa e dizer que chega, criando assim uma cidade colosso no Norte.
- Nas barbas dos tripeiros, que mais parecem burros ceguetas, Lisboa capta as maiores empresas, sendo as multinacionais sedeadas no norte prejudicadas intencionalmente pelo governo central para se mudarem para Lisboa…o que pretendem com isto? Fácil meus caros, uma região sem poder de decisão é uma região sem voz e mansinha, uma ovelha no rebanho e que todos sabemos facilita o trabalho a quem nos governa, um velho pastor chamado capital!
- Eventos de renome, como no caso da moda, da arte, do cinema, estão gradualmente a mudarem-se para Lisboa e no fundo não podemos condena-los uma vez que eles apenas tentam sobreviver e o governo central torna-lhes isso cada vez mais impossível, simplesmente pela sua posição 350km a norte de “nossa” capital!
- Vejamos em concreto o caso da SONAE, chefiada pelo Nortenho mais resistente da actualidade, um senhor de seu nome, Belmiro Pinto de Azevedo. Numa altura em que todas as multinacionais se mudam para Lisboa, ele resiste, mantendo o centro de comando da SONAE no Porto, mas por quanto tempo, sabendo que o que ele já resistiu faz dele um herói. Debaixo dos vossos narizes, vocês nem percebem que até no caso da OPA à PT, está tudo a ser dificultado pelo simples facto de esta cair em mãos nortenhas e mesmo correr o risco de vir a ser transferida para o Porto.
- Não sendo eu um apreciador de football, tenho de reconhecer que a imprensa, pelo menos a pesada, está toda a sul e isso deixa em maus lençóis qualquer um que levante a voz cá para cima, pois é de imediato abafado ao passo que é dado muito mais voz a quem nos fala da Capital. Não quero dizer com isto que não haja podridão das demais instituições desportivas mas a pergunta que deixo é: será só no Norte?-
O Porto foi sempre uma cidade Burguesa, de gente lutadora, diria mesmo que somos salvadores da Pátria em tempos de crise mas esquecidos em tempos de glória. Inúmeros Reis, presidentes, e até um ditador chamado Salazar passaram pelo poder deste jardinzinho e no fundo, o que fizeram eles? Acudiram ao choro de Lisboa, como se de uma criancinha mimada se tratasse, ficando o Norte e o Porto constantemente votados ao abandono e ao crescimento por si próprios. Se estamos assim sem eles, imaginem como estaríamos com uma ajuda igualitária. Para relembrar aos amantes de Salazar existentes no Norte, uma mensagem: vocês são burros e estúpidos ao quadrado, pois esse senhor só tinha olhos para a sua capital e para as suas colónias servindo todo o resto da nação como celeiro.
- De lembrar, a Galiza mesmo aqui a Norte mantém a sua palavra em como o seu território original vinha ate ao douro e vila nova de gaia, ou seja, em tempos idos, englobava todo o território do Norte português. Também de referir a paixão da Galiza por Portugal, sincera, um amor separado quase à nascença, uma historia cruel de afastamento mas não pensem caros portuguesinhos na vossa inocência quase ignorante que eles querem ser portugueses, tão pouco querem ser espanhóis é verdade, eles apenas querem a união do Norte de Portugal com a Galiza, mas não por sentimento de conquista mas sim por pura empatia.
- Talvez convenha relembrar a Lisboa que a maior ameaça a um casamento é tomar o parceiro como adquirido e parece-me conveniente relembrar que podemos ter alternativas a este casamento e quem sabe, com este ciúminho, não se apimenta a relação entre Norte e Sul.
Sem mais assunto e com uma réstiazinha de esperança em vocês
Cidadão anónimo
(Do blogue "http://regioes.blogspot.com/" em 9-03-2007)
domingo, 7 de outubro de 2007
Parabéns, Porto Gaia! Parabéns, Portucale!
Por Fernando dos Santos Neves * no "Jornal de Notícias" de 7-10-2207
Apropósito do festival aéreo organizado conjuntamente pelas Câmaras Municipais de Porto e de Gaia, poderá ter-se gostado mais ou menos do próprio espectáculo das "máquinas voadoras" e de todo o circo mediático algo bizarro que o acompanhou, mas é impossível não se regozijar com o facto de que, pela primeira vez, os actuais presidentes do Porto e de Gaia se aliaram na aceitação e na realização do óbvio e do inevitável que é a unidade histórica, demográfica, económica, turística, paisagística, etc., das duas margens do rio Douro onde, segundo o Poeta, "como é fama, origem teve o nome eterno de Portugal...
Desde há muito que, também eu, tenho chamado a atenção para esse tal "óbvio inevitável", cuja falta de aceitação e de realização está a condicionar da maneira mais negativa e mais provinciana o presente e o futuro do Porto, do Norte de Portugal e de todo o Noroeste Peninsular. A própria "Regionalização", de que agora se volta a falar, já chegará tarde e a más horas; a presente "Hora da Regionalização" é já a "hora" de outra regionalização, não de Portugal, mas da Europa/Ibéria (por esta ordem!) e da Lusofonia/Espaço(s) Lusófono(s). É neste sentido que fará cada vez mais sentido, ao contrário até do que Saramago parece pensar e desejar, a frase para muitos ainda escandalosa e certamente provocadora "Portugal e a Espanha acabaram, viva a Europa e a Lusofonia!".
E a "Hora" desta regionalização "europeio-ibérica" e "lusófona" será também necessariamente a "Hora do Porto", a "Hora do Portucale"! Além do mais, como recorrentemente tenho escrito (em público e em privado!), será a única, uma vez mais, óbvia e inevitável maneira de o Porto se tornar numa grande cidade múltipla (Porto, Gaia, Matosinhos, Gondomar, Maia...), deixando de ser uma cidade pequena (Porto) ao lado de todas aquelas outras pequenas cidades, ridiculamente se digladiando na sediação de movimentos cívicos, teatros, exposições, estádios, etc. Ninguém pensou, por exemplo, no caso de Paris (para não falar no ainda mais simples caso de "Buda-Peste"...) com a sua grande "MAIRIE" (Câmara de Paris) e as suas numerosas pequenas "mairies" (a que no nosso caso correspondem as câmaras de Porto-Centro, Porto-Gaia, Porto-Matosinhos, Porto-Gondomar, Porto-Maia...)? Ou já não haverá ninguém capaz de pensar e agir à grande, capaz de pensar e agir à Porto, capaz de pensar e agir à Europeia e à Lusófona, capaz de pensar e agir "glocalmente"? Onde está o "bairrismo anti-provinciano" de que gostava de falar Sophia de Mello Breyner e o "bairrismo cosmopolita" de que ultimamente tem falado o jornalista Carlos Magno?
Agrada-me sobremaneira realçar este embora pequeno passo dos dois presidentes do Porto actual e da actual Gaia; à semelhança dos astronautas sobre a Lua e guardadas as devidas proporções, pode haver pequenos passos de homens individuais que signifiquem passos enormes das sociedades humanas!
Como também escrevi em "Os 10 Mandamentos ou as 11 Teses de e sobre o Porto", até aqui já se fizeram quase todas as retóricas imaginárias sobre o Porto; mas o que é preciso é efectivamente transformá-lo na metrópole moderna, desenvolvida e ecuménica como tem de ser a Capital Europeia e Lusófona de todo o Norte de Portugal (pelo menos desde Coimbra) e de todo o Noroeste Peninsular (incluindo a Galiza e alguns arredores)!
Poderá parecer exagerado mas, por todas as razões explicitadas e sobretudo pelas implícitas e simbólicas, não me coíbo de gritar
Parabéns, Porto-Gaia!
Parabéns, Portucale!
No momento crepuscular dos velhos estados-nações, os "glocais" portucalenses europeus e lusófonos agradecem!
* Reitor da Universidade (Euro) Lusófona
Apropósito do festival aéreo organizado conjuntamente pelas Câmaras Municipais de Porto e de Gaia, poderá ter-se gostado mais ou menos do próprio espectáculo das "máquinas voadoras" e de todo o circo mediático algo bizarro que o acompanhou, mas é impossível não se regozijar com o facto de que, pela primeira vez, os actuais presidentes do Porto e de Gaia se aliaram na aceitação e na realização do óbvio e do inevitável que é a unidade histórica, demográfica, económica, turística, paisagística, etc., das duas margens do rio Douro onde, segundo o Poeta, "como é fama, origem teve o nome eterno de Portugal...
Desde há muito que, também eu, tenho chamado a atenção para esse tal "óbvio inevitável", cuja falta de aceitação e de realização está a condicionar da maneira mais negativa e mais provinciana o presente e o futuro do Porto, do Norte de Portugal e de todo o Noroeste Peninsular. A própria "Regionalização", de que agora se volta a falar, já chegará tarde e a más horas; a presente "Hora da Regionalização" é já a "hora" de outra regionalização, não de Portugal, mas da Europa/Ibéria (por esta ordem!) e da Lusofonia/Espaço(s) Lusófono(s). É neste sentido que fará cada vez mais sentido, ao contrário até do que Saramago parece pensar e desejar, a frase para muitos ainda escandalosa e certamente provocadora "Portugal e a Espanha acabaram, viva a Europa e a Lusofonia!".
E a "Hora" desta regionalização "europeio-ibérica" e "lusófona" será também necessariamente a "Hora do Porto", a "Hora do Portucale"! Além do mais, como recorrentemente tenho escrito (em público e em privado!), será a única, uma vez mais, óbvia e inevitável maneira de o Porto se tornar numa grande cidade múltipla (Porto, Gaia, Matosinhos, Gondomar, Maia...), deixando de ser uma cidade pequena (Porto) ao lado de todas aquelas outras pequenas cidades, ridiculamente se digladiando na sediação de movimentos cívicos, teatros, exposições, estádios, etc. Ninguém pensou, por exemplo, no caso de Paris (para não falar no ainda mais simples caso de "Buda-Peste"...) com a sua grande "MAIRIE" (Câmara de Paris) e as suas numerosas pequenas "mairies" (a que no nosso caso correspondem as câmaras de Porto-Centro, Porto-Gaia, Porto-Matosinhos, Porto-Gondomar, Porto-Maia...)? Ou já não haverá ninguém capaz de pensar e agir à grande, capaz de pensar e agir à Porto, capaz de pensar e agir à Europeia e à Lusófona, capaz de pensar e agir "glocalmente"? Onde está o "bairrismo anti-provinciano" de que gostava de falar Sophia de Mello Breyner e o "bairrismo cosmopolita" de que ultimamente tem falado o jornalista Carlos Magno?
Agrada-me sobremaneira realçar este embora pequeno passo dos dois presidentes do Porto actual e da actual Gaia; à semelhança dos astronautas sobre a Lua e guardadas as devidas proporções, pode haver pequenos passos de homens individuais que signifiquem passos enormes das sociedades humanas!
Como também escrevi em "Os 10 Mandamentos ou as 11 Teses de e sobre o Porto", até aqui já se fizeram quase todas as retóricas imaginárias sobre o Porto; mas o que é preciso é efectivamente transformá-lo na metrópole moderna, desenvolvida e ecuménica como tem de ser a Capital Europeia e Lusófona de todo o Norte de Portugal (pelo menos desde Coimbra) e de todo o Noroeste Peninsular (incluindo a Galiza e alguns arredores)!
Poderá parecer exagerado mas, por todas as razões explicitadas e sobretudo pelas implícitas e simbólicas, não me coíbo de gritar
Parabéns, Porto-Gaia!
Parabéns, Portucale!
No momento crepuscular dos velhos estados-nações, os "glocais" portucalenses europeus e lusófonos agradecem!
* Reitor da Universidade (Euro) Lusófona
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Regionalização - incompreensão e pavor
Por Carlos Araújo Alves no blogue "http://ideias-soltas.net/" em 2-05-2007
Apesar de já me ter manifestado (sei lá quantas vezes) favoravelmente à regionalização de Portugal, votei contra no referendo anterior porque o que defendo é, tão-só e apenas, que o poder central assuma as regiões há muito inscritas e aceites na União Europeia (Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e Algarve, no continente, mais as já assumidas Madeira e Açores) e não esquartejar o país em talhões como o que foi a referendar.O que me preocupa, contudo, é notar que muitos amigos que habitam em Lisboa mostram algum desconforto sempre que o tema da regionalização é abordado: ou por não compreenderem a sua prioridade, ou por não aceitarem os factos estatísticos, nomeadamente o de que todas as regiões do país estão em franca recessão com excepção de Lisboa e Madeira, mostrando mesmo alguns sinais de desnorte como se pavor sentissem.A princípio ainda pensei que poderia ser devido a uma defesa intransigente de Lisboa, o não querer abrir mão de nada, o medo que a capital de Portugal se esvaziasse mas, de facto, ponderada esta reacção, sou levado a crer que não há maldade nenhuma neste seu pavor epidérmico. Há, isso sim, uma clara rejeição ao discurso de alguns patetas que defendem a regionalização, seja ela qual for, com o único intuito de prejudicar Lisboa e, por outro lado, terem como dado adquirido o que a comunicação social foi passando ao longo de décadas - que o poder autárquico é uma fonte de corrupção e que é por isso que eles não quererão estar sob o controlo do poder central.
Em relação ao primeiro óbice é evidente que há que ter muita cautela com os patetas, repito, que pretendem com a regionalização dividir a Nação. A regionalização só deve ser feita se a Nação Portuguesa (toda ela sem excepções) dela tirar proveito e sair beneficiada. É que, contrariamente ao que recentemente ouvi através de um aderente a um recém-constituído movimento pela regionalização, de que o país está tombando para estibordo (numa alusão clara sobre a clivagem entre litoral e interior), a verdade é que já há muito ultrapassámos esse estádio - hoje, a clivagem ou assimetria é entre Lisboa e sua área metropolitana e todas as restantes regiões, sendo absurdo que uma das regiões que há bem pouco tempo todos reconheciam como a mais empreendedora do país seja agora a 3ª região mais pobre da União Europeia - a do Norte! (ver quadro neste post)Assim sendo e tudo indicando o agravamento desta tendência, fácil será compreender que a muito breve prazo a região de Lisboa e sua área metropolitana virá a ser a mais prejudicada, pois não conseguirá acolher nem proporcionar qualidade de vida mínima aos milhares de portugueses que todos os anos para lá emigram na vã esperança de conseguirem trabalho e uma vida melhor. A Área Metropolitana de Lisboa deveria ser a principal interessada em que as restantes regiões se desenvolvessem para travar o surto de imigração que está a sofrer e que colocará, inevitavelmente, em sério risco os seus actuais habitantes!
Relativamente à opinião massivamente transmitida pelos media e mimeticamente assimilada pelos cidadãos, de que o poder autárquico é generalizadamente corrupto, lamento discordar em absoluto! Não nego que possa haver corrupção e tráfico de influências no poder autárquico, mas por que terá de ser de intensidade e índole diferentes das que conhecemos no poder central? Será que a Câmara de Lisboa é modelar em relação às restantes? Muito longe disso, basta ver a anarquia da construção só ultrapassada, talvez, pela destruição urbanística do Algarve! E, se todos sabem quem poderá ser corrupto, por que será que os partidos políticos do poder, todos eles centralistas, não expulsam esses indivíduos das suas fileiras? Por último, sobre este assunto, só quem não conhece o país de lés-a-lés é que não vê que, mesmo com admissível corrupção, mesmo com a construção anárquica antes da instauração dos PDM’s, as autarquias fizeram muito mais pela qualidade de vida dos seus munícipes do que qualquer governo do pós 25 de Abril! Denegrir o trabalho de muitos excelentes autarcas que tivemos é, para lá de não querer ver o que de melhor se fez em Portugal nos últimos 30 anos, mesmo tendo presente, repito, os focos de corrupção e tráfico de influências!
Há uma outra tendência de opinião, esta sim, que obriga a reflectir: se a regionalização não poderá ser perniciosa para o país pelo facto de não haver já nas regiões gente capaz de tomar conta dos seus destinos e, por outro lado que tipo de regionalização.Confesso não ser capaz de ter uma opinião firme neste domínio, é um risco, sim, um risco a levar em conta se haverá nas regiões massa crítica mínima para levar por diante o projecto. No entanto, mesmo tomando em consideração esse perigo, defendo que, pelo facto de muitas regiões se escudarem no poder central para justificar o seu mau desempenho, deveríamos arriscar a que as populações, através do seu voto, castigassem quem com o poder e as ferramentas necessárias não conseguiu fazer evoluir a região.Quanto ao modelo, não tenho qualquer dúvida: fazer a regionalização sem providenciar que o poder será eleito por voto secreto e universal onde qualquer cidadão possa apresentar-se a plebiscito será sempre muito mau, pois regionalização não haveria - os aparelhos partidários continuariam a dominar e a fomentar clientelas ainda mais vastas. Ora se há ponto que é imperioso evitar é que as futuras regiões se tornem em mais um antro de poder da mediocridade que grassa nas clientelas dos aparelhos partidários.
Apesar de já me ter manifestado (sei lá quantas vezes) favoravelmente à regionalização de Portugal, votei contra no referendo anterior porque o que defendo é, tão-só e apenas, que o poder central assuma as regiões há muito inscritas e aceites na União Europeia (Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e Algarve, no continente, mais as já assumidas Madeira e Açores) e não esquartejar o país em talhões como o que foi a referendar.O que me preocupa, contudo, é notar que muitos amigos que habitam em Lisboa mostram algum desconforto sempre que o tema da regionalização é abordado: ou por não compreenderem a sua prioridade, ou por não aceitarem os factos estatísticos, nomeadamente o de que todas as regiões do país estão em franca recessão com excepção de Lisboa e Madeira, mostrando mesmo alguns sinais de desnorte como se pavor sentissem.A princípio ainda pensei que poderia ser devido a uma defesa intransigente de Lisboa, o não querer abrir mão de nada, o medo que a capital de Portugal se esvaziasse mas, de facto, ponderada esta reacção, sou levado a crer que não há maldade nenhuma neste seu pavor epidérmico. Há, isso sim, uma clara rejeição ao discurso de alguns patetas que defendem a regionalização, seja ela qual for, com o único intuito de prejudicar Lisboa e, por outro lado, terem como dado adquirido o que a comunicação social foi passando ao longo de décadas - que o poder autárquico é uma fonte de corrupção e que é por isso que eles não quererão estar sob o controlo do poder central.
Em relação ao primeiro óbice é evidente que há que ter muita cautela com os patetas, repito, que pretendem com a regionalização dividir a Nação. A regionalização só deve ser feita se a Nação Portuguesa (toda ela sem excepções) dela tirar proveito e sair beneficiada. É que, contrariamente ao que recentemente ouvi através de um aderente a um recém-constituído movimento pela regionalização, de que o país está tombando para estibordo (numa alusão clara sobre a clivagem entre litoral e interior), a verdade é que já há muito ultrapassámos esse estádio - hoje, a clivagem ou assimetria é entre Lisboa e sua área metropolitana e todas as restantes regiões, sendo absurdo que uma das regiões que há bem pouco tempo todos reconheciam como a mais empreendedora do país seja agora a 3ª região mais pobre da União Europeia - a do Norte! (ver quadro neste post)Assim sendo e tudo indicando o agravamento desta tendência, fácil será compreender que a muito breve prazo a região de Lisboa e sua área metropolitana virá a ser a mais prejudicada, pois não conseguirá acolher nem proporcionar qualidade de vida mínima aos milhares de portugueses que todos os anos para lá emigram na vã esperança de conseguirem trabalho e uma vida melhor. A Área Metropolitana de Lisboa deveria ser a principal interessada em que as restantes regiões se desenvolvessem para travar o surto de imigração que está a sofrer e que colocará, inevitavelmente, em sério risco os seus actuais habitantes!
Relativamente à opinião massivamente transmitida pelos media e mimeticamente assimilada pelos cidadãos, de que o poder autárquico é generalizadamente corrupto, lamento discordar em absoluto! Não nego que possa haver corrupção e tráfico de influências no poder autárquico, mas por que terá de ser de intensidade e índole diferentes das que conhecemos no poder central? Será que a Câmara de Lisboa é modelar em relação às restantes? Muito longe disso, basta ver a anarquia da construção só ultrapassada, talvez, pela destruição urbanística do Algarve! E, se todos sabem quem poderá ser corrupto, por que será que os partidos políticos do poder, todos eles centralistas, não expulsam esses indivíduos das suas fileiras? Por último, sobre este assunto, só quem não conhece o país de lés-a-lés é que não vê que, mesmo com admissível corrupção, mesmo com a construção anárquica antes da instauração dos PDM’s, as autarquias fizeram muito mais pela qualidade de vida dos seus munícipes do que qualquer governo do pós 25 de Abril! Denegrir o trabalho de muitos excelentes autarcas que tivemos é, para lá de não querer ver o que de melhor se fez em Portugal nos últimos 30 anos, mesmo tendo presente, repito, os focos de corrupção e tráfico de influências!
Há uma outra tendência de opinião, esta sim, que obriga a reflectir: se a regionalização não poderá ser perniciosa para o país pelo facto de não haver já nas regiões gente capaz de tomar conta dos seus destinos e, por outro lado que tipo de regionalização.Confesso não ser capaz de ter uma opinião firme neste domínio, é um risco, sim, um risco a levar em conta se haverá nas regiões massa crítica mínima para levar por diante o projecto. No entanto, mesmo tomando em consideração esse perigo, defendo que, pelo facto de muitas regiões se escudarem no poder central para justificar o seu mau desempenho, deveríamos arriscar a que as populações, através do seu voto, castigassem quem com o poder e as ferramentas necessárias não conseguiu fazer evoluir a região.Quanto ao modelo, não tenho qualquer dúvida: fazer a regionalização sem providenciar que o poder será eleito por voto secreto e universal onde qualquer cidadão possa apresentar-se a plebiscito será sempre muito mau, pois regionalização não haveria - os aparelhos partidários continuariam a dominar e a fomentar clientelas ainda mais vastas. Ora se há ponto que é imperioso evitar é que as futuras regiões se tornem em mais um antro de poder da mediocridade que grassa nas clientelas dos aparelhos partidários.
O Norte desnorteado de Portugal
Por José Gonçalves no blogue "http://etcetal.blog.com/" em 26-09-2007
Não fiquei estupefacto. Não fiquei admirado. Continuo é revoltado com a crescente política de centralização que ,há anos, marca a "rota" política dos governos deste Portugal de desempregados. Soube-se, hoje, que um trabalhador do Norte recebe menos 290 euros do que um outro a laborar em Lisboa. O estudo foi efectuado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e publicado, com destaque de primeira página, pelo "Jornal de Notícias". Já tinha aqui aflorado o assunto da regionalização, e de quanto o Norte, e em particular o Porto, tem sido desprezado a todos os títulos, ainda que os económicos sejam mais visíveis que os outros. Hoje confirmou-se aquilo que, há anos, vive o Norte de Portugal.
..."Empurrar" as grandes empresas para a Grande Área Metropolitana de Lisboa - algumas delas oriundas do Norte e que no Norte ganharam dimensão - tem sido prática de diversos governos, mas os socialistas, neste campo, são mais centralistas que os centralistas de direita. E como contra factos não há argumentos, eis este estudo do INE a confirmar e a dar valor à revolta das gentes do Norte quanto ao crescente poder do Terreiro do Paço e de toda a zona envolvente. Mas, se a culpa é dos governantes também o é dos empresários nortenhos que não investem nesta (sua) "crítica" e esquecida região do País. E esses senhores - de Belmiros a Ludegeros, passando por Motas e Duartes - esquecem-se do crescente número de desempregados -muitos deles qualificados - no Norte do País, preferindo investir em outras regiões, ou até mesmo além fronteiras. Não criam emprego, marimbaram-se para esta região, mas, mesmo assim, continuam a criticar (hipocritamente) o centralismo. Ainda me recordo de um célebre programa "Prós e Crontras", na RTP, e da defesa intransigente que os senhores do dinheiro fizeram em relação aos interesses da "gente" cá de cima. Mas, para quê? Já na altura escrevi que deviam era estar calados. Por que não investem eles nesta região?
... Pois não investem, e tanto não investem que, segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), são preocupantes os números quanto à situação económica que se vive nesta região do País. A desaceleração da economia agravou-se no segundo trimestre deste ano e, em termos líquidos "não há criação de emprego". Eu sei bem o que isso é! Ora, quer isto dizer, que uma das mais importantes regiões do Noroeste Peninsular, em termos de economia, e não só, caminha literalmente para o abismo, sem que governo e empresários tenham isso em atenção. O Norte perdeu força. Não tem tantos Pinto da Costa como devia, e até alguns, como o presidente do FCPorto, que tanto defenderam os interesses da região migraram, ou emigraram, de forma estratégica, deixando de reinvindicar, de forma altiva e relevante, pelo interesses nortenhos.
...O Norte já não é o que era. A Grande Área Metropolitana do Porto está em crise. Quem serão os responsáveis? Penso que o Norte está cada vez mais perto da Galiza e que essa estratégia é a mais positiva para um potencial crescimento da nossa economia. Chamem-me bairrista (não sou!); chamem-me portista (não sou!), chamem-me bimbo(não sou!). Chamem-me tudo o que quisererem, mas respeitem o Norte de Portugal e a sua mais representativa cidade, porque, há uns anos atrás, ela era o motor de desenvolvimento do País, e, se agora não é... é porque os poderes instalados são outros, e são outros já há muitos anos.
...Recordo-me, há sensivelmente 20 anos, quando trabalhava na delegação do Porto do extinto jornal "Gazeta dos Desportos", que um camarada a trabalhar na redacção de Lisboa, da mesma categoria profissional, ganhava mais trinta contos do que eu. Aqui fazia-se praticamente o jornal. Lá, na capital...a revisão, e eles, lá em baixo, embolsavam quase o dobro que os cá de cima. Hoje, a história repete-se, e vai continuar a repetir-se se a regionalização não for avante. Uma regionalização sem tachos, padrinhos e afilhados. Uma regionalização que sirva o interesse das populações e, principalmente, das populações mais desfavorecidas. Vêm aí uns milhões por hora da União Europeia. Quero ver se alguns desses fundos serão aplicados no Norte para dinamizar a economia?! Sei que terei de esperar sentado, porque o Norte e o Porto, em particular, continuam a ser mais conhecidos pelas corridas de aviões e de carros na Boavista, do que propriamente pelos desempregados (de curta, média e longa duração) e pela miséria - alguma encoberta - que aí se vive.
...Sei que escrevo para o Mundo, que, se calhar este tema não era o mais apropriado para ser inserido num blogue, mas o ETC&TAL (e o seu autor) não se esquece das suas raízes, e dos problemas com os quais convive diariamente. O Porto não é, na realidade, uma Nação, mas é uma Nação à sua maneira. É uma "Nação" que tem de bater o pé à centralização e às assimetrias que se verificam neste País. Então senhores deputados eleitos pelos distritos do Norte de Portugal, nada dizem a este respeito?
1- Enquanto vamos sobrevivendo, o PSD vai descredibilizando-se com a "guerra" entre as candidaturas de Luís Filipe Menezes e Marques Mendes. Onde chegou o maior partido da oposição que se prepara para ser governo em 2009. As "directas" que se realizam sexta-feira (28-Set-07) têm mostrado um partido perdido e que dificilmente fará frente ao PS de José Sócrates. Que alternativa dá este partido aos portugueses? Que lideres querem ser esses dois candidatos e, ainda pior, potenciais candidatos a primeiro-ministro, depois dos discursos dos últimos dias, das guerras e guerrinhas de bastidores e da imagem que estão a deixar do partido?
2-Entretanto, há a lamentar a morte de um dos fundadores do PSD, Magalhães Mota (1935-2007), vítima de doença prolongada. E isto tudo num dia em que soubemos também que o turismo na Região Norte está a crescer de forma sustentada. Vá lá... uma boa notícia cá para estes lados.
E o "ETC&TAL" fica hoje por aqui, deixando-lhe uma sugestão: dê a sua opinião acerca regionalização ou da (necessária?) descentralização no nosso País. É importante que as pessoas se expressem acerca deste pertinente e preocupante assunto. É importante dar voz a quem anda muito calado, coisa que não é muito habitual nas gentes cá de cima. "Cá de cima!"... repito.
Regresso na próxima quarta-feira 04-0UT-07 com uma edição mais alargada.
Entretanto se nos quiser contactar directamente, já sabe que é só enviar-nos o seu correio para jgoncalves7@iol.pt e, pronto, hoje com uma edição mais abreviada, o ETC&TAL fica por aqui
Sejam felizes
José Gonçalves
PS: Fiquei preocupado com a verdade dos números relativos à economia do Norte de Portugal e triste porque a nossa gente já não parece ser a mesma. Espevitem-se!
Não fiquei estupefacto. Não fiquei admirado. Continuo é revoltado com a crescente política de centralização que ,há anos, marca a "rota" política dos governos deste Portugal de desempregados. Soube-se, hoje, que um trabalhador do Norte recebe menos 290 euros do que um outro a laborar em Lisboa. O estudo foi efectuado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e publicado, com destaque de primeira página, pelo "Jornal de Notícias". Já tinha aqui aflorado o assunto da regionalização, e de quanto o Norte, e em particular o Porto, tem sido desprezado a todos os títulos, ainda que os económicos sejam mais visíveis que os outros. Hoje confirmou-se aquilo que, há anos, vive o Norte de Portugal.
..."Empurrar" as grandes empresas para a Grande Área Metropolitana de Lisboa - algumas delas oriundas do Norte e que no Norte ganharam dimensão - tem sido prática de diversos governos, mas os socialistas, neste campo, são mais centralistas que os centralistas de direita. E como contra factos não há argumentos, eis este estudo do INE a confirmar e a dar valor à revolta das gentes do Norte quanto ao crescente poder do Terreiro do Paço e de toda a zona envolvente. Mas, se a culpa é dos governantes também o é dos empresários nortenhos que não investem nesta (sua) "crítica" e esquecida região do País. E esses senhores - de Belmiros a Ludegeros, passando por Motas e Duartes - esquecem-se do crescente número de desempregados -muitos deles qualificados - no Norte do País, preferindo investir em outras regiões, ou até mesmo além fronteiras. Não criam emprego, marimbaram-se para esta região, mas, mesmo assim, continuam a criticar (hipocritamente) o centralismo. Ainda me recordo de um célebre programa "Prós e Crontras", na RTP, e da defesa intransigente que os senhores do dinheiro fizeram em relação aos interesses da "gente" cá de cima. Mas, para quê? Já na altura escrevi que deviam era estar calados. Por que não investem eles nesta região?
... Pois não investem, e tanto não investem que, segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), são preocupantes os números quanto à situação económica que se vive nesta região do País. A desaceleração da economia agravou-se no segundo trimestre deste ano e, em termos líquidos "não há criação de emprego". Eu sei bem o que isso é! Ora, quer isto dizer, que uma das mais importantes regiões do Noroeste Peninsular, em termos de economia, e não só, caminha literalmente para o abismo, sem que governo e empresários tenham isso em atenção. O Norte perdeu força. Não tem tantos Pinto da Costa como devia, e até alguns, como o presidente do FCPorto, que tanto defenderam os interesses da região migraram, ou emigraram, de forma estratégica, deixando de reinvindicar, de forma altiva e relevante, pelo interesses nortenhos.
...O Norte já não é o que era. A Grande Área Metropolitana do Porto está em crise. Quem serão os responsáveis? Penso que o Norte está cada vez mais perto da Galiza e que essa estratégia é a mais positiva para um potencial crescimento da nossa economia. Chamem-me bairrista (não sou!); chamem-me portista (não sou!), chamem-me bimbo(não sou!). Chamem-me tudo o que quisererem, mas respeitem o Norte de Portugal e a sua mais representativa cidade, porque, há uns anos atrás, ela era o motor de desenvolvimento do País, e, se agora não é... é porque os poderes instalados são outros, e são outros já há muitos anos.
...Recordo-me, há sensivelmente 20 anos, quando trabalhava na delegação do Porto do extinto jornal "Gazeta dos Desportos", que um camarada a trabalhar na redacção de Lisboa, da mesma categoria profissional, ganhava mais trinta contos do que eu. Aqui fazia-se praticamente o jornal. Lá, na capital...a revisão, e eles, lá em baixo, embolsavam quase o dobro que os cá de cima. Hoje, a história repete-se, e vai continuar a repetir-se se a regionalização não for avante. Uma regionalização sem tachos, padrinhos e afilhados. Uma regionalização que sirva o interesse das populações e, principalmente, das populações mais desfavorecidas. Vêm aí uns milhões por hora da União Europeia. Quero ver se alguns desses fundos serão aplicados no Norte para dinamizar a economia?! Sei que terei de esperar sentado, porque o Norte e o Porto, em particular, continuam a ser mais conhecidos pelas corridas de aviões e de carros na Boavista, do que propriamente pelos desempregados (de curta, média e longa duração) e pela miséria - alguma encoberta - que aí se vive.
...Sei que escrevo para o Mundo, que, se calhar este tema não era o mais apropriado para ser inserido num blogue, mas o ETC&TAL (e o seu autor) não se esquece das suas raízes, e dos problemas com os quais convive diariamente. O Porto não é, na realidade, uma Nação, mas é uma Nação à sua maneira. É uma "Nação" que tem de bater o pé à centralização e às assimetrias que se verificam neste País. Então senhores deputados eleitos pelos distritos do Norte de Portugal, nada dizem a este respeito?
1- Enquanto vamos sobrevivendo, o PSD vai descredibilizando-se com a "guerra" entre as candidaturas de Luís Filipe Menezes e Marques Mendes. Onde chegou o maior partido da oposição que se prepara para ser governo em 2009. As "directas" que se realizam sexta-feira (28-Set-07) têm mostrado um partido perdido e que dificilmente fará frente ao PS de José Sócrates. Que alternativa dá este partido aos portugueses? Que lideres querem ser esses dois candidatos e, ainda pior, potenciais candidatos a primeiro-ministro, depois dos discursos dos últimos dias, das guerras e guerrinhas de bastidores e da imagem que estão a deixar do partido?
2-Entretanto, há a lamentar a morte de um dos fundadores do PSD, Magalhães Mota (1935-2007), vítima de doença prolongada. E isto tudo num dia em que soubemos também que o turismo na Região Norte está a crescer de forma sustentada. Vá lá... uma boa notícia cá para estes lados.
E o "ETC&TAL" fica hoje por aqui, deixando-lhe uma sugestão: dê a sua opinião acerca regionalização ou da (necessária?) descentralização no nosso País. É importante que as pessoas se expressem acerca deste pertinente e preocupante assunto. É importante dar voz a quem anda muito calado, coisa que não é muito habitual nas gentes cá de cima. "Cá de cima!"... repito.
Regresso na próxima quarta-feira 04-0UT-07 com uma edição mais alargada.
Entretanto se nos quiser contactar directamente, já sabe que é só enviar-nos o seu correio para jgoncalves7@iol.pt e, pronto, hoje com uma edição mais abreviada, o ETC&TAL fica por aqui
Sejam felizes
José Gonçalves
PS: Fiquei preocupado com a verdade dos números relativos à economia do Norte de Portugal e triste porque a nossa gente já não parece ser a mesma. Espevitem-se!
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